O instituto Paraná Pesquisas divulgou em 15 de junho de 2026 um levantamento que coloca o casal Furlan na liderança das duas principais disputas eleitorais do Amapá. Para o governo do Estado, o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan, do PSD, aparece com 64,3% das intenções de voto no primeiro cenário, contra 26,1% do atual governador Clécio Luís, do União Brasil. Para o Senado, a esposa dele, Rayssa Furlan, do Podemos, lidera com 61,5% no cenário inicial.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, relatou os números de forma estritamente factual, separando a disputa ao governo da disputa ao Senado em duas matérias. O veículo detalhou que, num eventual segundo turno, Dr. Furlan marcaria 64,7% contra 26,5% de Clécio Luís, e que a administração do atual governador é aprovada por 54,1% dos eleitores e desaprovada por 43,4%. O Poder360 também fez uma ressalva técnica importante: o instituto testou dois nomes do PSD num mesmo cenário para o governo, algo impossível de se concretizar, já que a legislação eleitoral permite apenas um candidato por partido a cada cargo.
Veículos de direita, como a Revista Oeste, enquadraram a mesma pesquisa sob a moldura do casal Furlan, com tom favorável aos dois pré-candidatos. A reportagem traçou um perfil biográfico simpático de ambos, lembrou que Dr. Furlan renunciou à prefeitura de Macapá em março para concorrer e que Rayssa preside o diretório estadual do Podemos. A leitura à direita enfatiza a força de candidaturas vistas como gestoras e o desgaste do grupo que hoje ocupa o governo estadual.
Uma cobertura à esquerda, embora ausente neste conjunto de fontes, tenderia a olhar com cautela para a concentração do poder estadual nas mãos de uma única família, ocupando ao mesmo tempo o Executivo e uma cadeira no Senado, e para o fato de a pesquisa ter sido paga com recursos próprios do instituto.
Todos os lados convergem nos dados metodológicos. A Paraná Pesquisas entrevistou 1.100 pessoas em 14 dos 16 municípios do Amapá, entre 11 e 13 de junho de 2026, com margem de erro de 3 pontos percentuais e grau de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código AP-02175/2026 e custou 32 mil reais. Nas simulações para o Senado, cada entrevistado podia citar até dois nomes, razão pela qual a soma das intenções ultrapassa cem pontos.
O que ainda não se sabe é como os adversários reagirão aos números, se outros institutos confirmarão a dianteira folgada do casal e se as candidaturas se concretizarão como testadas, já que a própria pesquisa apresentou um cenário tecnicamente inviável com dois nomes do mesmo partido. As eleições gerais de 2026 ainda passarão pelo registro oficial de candidaturas e pela campanha antes que esse quadro se confirme nas urnas.