O Partido Comunista Brasileiro (PCB) confirmou o economista e professor Edmilson Costa como seu candidato à Presidência da República na eleição de 2026. Natural de Pedreiras, no Maranhão, Costa tem 76 anos e ocupa o cargo de secretário-geral da legenda. Ele divide a chapa com Cleusa Santos, também do PCB, que concorre à vice-presidência.
A trajetória do candidato aparece de forma semelhante em toda a cobertura. Costa é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão (Ufma) e doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), título obtido na década de 1990 com uma tese sobre a política salarial brasileira. Atua como militante político desde a década de 1980, foi candidato a prefeito de São Paulo pelo PCB em 2008 e concorreu à vice-presidência da República em 2010, na chapa encabeçada por Ivan Pinheiro.
O mesmo bloco de cobertura apresenta outra candidatura de partido pequeno, a da advogada Clariana Barão, de 39 anos, natural de Cuiabá, em Mato Grosso, indicada pelo Democracia Cristã (DC). Ela compõe chapa com Fabiana Torquato, postulante à vice-presidência. É a primeira vez, desde a fundação do partido em 1995, que a sigla lança um nome diferente de José Maria Eymael para o cargo. Formada em direito pelo Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), com especialização em direito administrativo e gestão pública, Clariana Barão presidiu a Comissão de Solidariedade e Assistência Social da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Várzea Grande, coordenou em 2024 um grupo de voluntários que atendeu vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e assumiu em 2026 a presidência do diretório estadual do DC em Mato Grosso.
Veículos de esquerda destacaram a longevidade da militância de Edmilson Costa e sua vinculação orgânica ao PCB, apresentando a candidatura como continuidade de um projeto partidário histórico e situando o anúncio dentro do início da campanha presidencial, ao lado de outras chapas que começaram a se apresentar ao eleitorado. A cobertura de centro tratou os dois nomes de maneira predominantemente biográfica, listando formação acadêmica, cargos partidários e candidaturas anteriores, sem avaliação de viabilidade eleitoral, e deu peso à inflexão interna do Democracia Cristã ao substituir o candidato que a sigla repetia havia trinta anos. Até o momento, não há cobertura de veículos de direita sobre essas duas candidaturas no conjunto de matérias reunidas, e a ausência é em si um dado do noticiário eleitoral, que tende a se concentrar nos nomes com maior competitividade.
O ponto em que as leituras se separam é o valor atribuído à presença dessas chapas na disputa. Pelo enquadramento mais à esquerda, candidaturas de legendas pequenas ampliam o leque de vozes e impedem que o debate presidencial se reduza a dois polos, sobretudo quando trazem trajetórias construídas em militância de base e em trabalho social. Pelo enquadramento mais à direita, o mesmo quadro é lido como sintoma de fragmentação partidária, com siglas sem base eleitoral demonstrada ocupando espaço institucional na eleição.
O que ainda não se sabe é o essencial da disputa. Nenhuma das matérias apresenta programa de governo, proposta econômica, alianças, tempo de propaganda, financiamento de campanha ou a situação do registro das chapas na Justiça Eleitoral. Também não há informação sobre como PCB e Democracia Cristã pretendem ocupar espaço numa corrida dominada por candidaturas maiores, nem sobre quais pautas Edmilson Costa e Clariana Barão querem levar ao debate presidencial.