Uma disputa de versões dentro do campo bolsonarista ganhou visibilidade nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro contestou publicamente a forma como a senadora Damares Alves explicou sua saída do grupo que elabora o plano de governo do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Até o momento, apenas o Correio Braziliense cobriu o episódio, relatando que a controvérsia começou depois que Damares afirmou ter se afastado dos trabalhos em razão de ataques recebidos de setores da própria direita.
Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro rebateu a versão da senadora afirmando que ela, na verdade, nunca chegou a integrar formalmente o grupo responsável por costurar as propostas do plano de governo. A declaração reforça um movimento de aliados de Flávio Bolsonaro para reduzir o peso institucional atribuído à participação de Damares na estrutura da pré-campanha presidencial de 2026.
Procurada pelo jornal, a assessoria da senadora apresentou uma versão distinta. Segundo a equipe de Damares, ela efetivamente participou da elaboração de propostas, concentrando sua atuação nos temas de direitos humanos e assistência social, e essas contribuições já teriam sido entregues à campanha de Flávio Bolsonaro. A nota da assessoria afirma textualmente que está tudo na mão da campanha e que não há rompimento entre a senadora e o núcleo que organiza o plano de governo.
O episódio ocorre num momento de intensa movimentação política em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026, com pesquisas recentes de institutos como Datafolha, Nexus e BTG indicando cenários de disputa acirrada entre ele e o presidente Lula. Nesse contexto, a forma como o entorno de Flávio Bolsonaro organiza e divulga sua equipe de formulação de propostas ganha relevância política, já que sinaliza quem detém influência sobre os rumos programáticos da campanha.
A publicação do Correio Braziliense evidencia, portanto, um conflito de narrativas dentro do próprio grupo político: de um lado, a fala de Eduardo Bolsonaro minimizando o papel formal de Damares; de outro, a resposta da assessoria da senadora, que defende sua contribuição efetiva e nega qualquer ruptura. As duas versões concordam em um ponto: segundo nenhuma das partes houve um racha declarado que ameace a unidade da pré-campanha.
O que ainda não está claro é a origem exata dos ataques mencionados por Damares como motivo de seu afastamento das reuniões presenciais, nem se outros aliados de Flávio Bolsonaro confirmam publicamente a versão de Eduardo. Também não há, até a publicação da reportagem, indicação de que veículos com linhas editoriais distintas tenham repercutido o episódio, o que limita a possibilidade de comparar diferentes leituras políticas do caso.