Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal pelo PL de São Paulo, divulgou na madrugada de 23 de junho de 2026, em seu perfil no X, fotos de um jantar em Washington com senadores republicanos dos Estados Unidos. O evento foi organizado pelo empresário George Heisel e liderado por Tom Cotton, senador pelo Arkansas que disputa um terceiro mandato. Segundo o próprio Eduardo, o encontro tratou do cenário político brasileiro, com menções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e ao presidente Lula.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta e atribuída às publicações do ex-deputado. Veículos de centro registraram que Eduardo disse ter ficado impressionado ao saber que o senador John Kennedy, da Louisiana, conhecia a política brasileira, e que passou a comentá-la depois de ser apresentado como filho de Jair Bolsonaro. Esses veículos também corrigiram um erro factual do próprio Eduardo, que descreveu Cotton como representante da Flórida, quando o senador, na realidade, representa o Arkansas e venceu em março a primária republicana pela vaga. Conforme o relato, Moraes foi citado ao se tratar do que Eduardo chamou de censura e perseguição no Brasil, e o nome de Lula apareceu com menções que o ex-deputado classificou como negativas.
Há um ponto em que toda a cobertura converge: o encontro ocorre poucos dias depois de a Primeira Turma do STF condenar Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão por tentativa de coação no curso do processo da trama golpista. A condenação se baseou em seus esforços para que o governo de Donald Trump impusesse sanções a autoridades e à economia brasileira, e o tornou inelegível pelos próximos oito anos. O episódio do tarifaço sobre exportações brasileiras, em meados de 2025, faz parte desse contexto.
É na leitura desse pano de fundo que as coberturas divergem. Veículos de direita enfatizaram que a condenação seria seletiva, fruto de conveniências e não da letra fria da lei. Em coluna analítica, argumentaram que o Judiciário age com rapidez contra adversários, enquanto casos como o da ex-ministra Gleisi Hoffmann se arrastam há anos sob sigilo, e que o caso do Banco Master expõe engrenagens que ora abafam, ora resistem à apuração. Para essa cobertura, o movimento de Eduardo nos EUA é a denúncia legítima de uma perseguição judicial. Já uma leitura de esquerda, ausente como reportagem direta neste conjunto mas presente como contraponto, tende a enquadrar a articulação no exterior como ataque às instituições brasileiras e uso de influência estrangeira para blindar interesses pessoais, lembrando que o próprio STF responsabilizou uma tentativa de pressão indevida sobre o Estado.
O que ainda não se sabe é qual será o desdobramento concreto da articulação de Eduardo no Senado americano, se haverá recurso efetivo contra a condenação e quais efeitos práticos as conversas em Washington podem ter sobre a relação bilateral. As falas dos senadores são relatadas apenas pela versão do ex-deputado, sem confirmação independente das próprias autoridades citadas.