Os candidatos à Presidência da República entraram em mais uma semana de campanha com agendas espalhadas por pelo menos cinco estados, num período que termina com um marcador capaz de reorganizar a disputa: a divulgação da primeira pesquisa de intenção de voto feita depois do início oficial da propaganda eleitoral, prevista para sexta-feira (21).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, abre o roteiro com uma visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo, às 10h, compromisso registrado como agenda oficial da Presidência da República. O complexo abriga o Programa Nuclear da Marinha e a montagem do reator do futuro submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, além da Usina de Hexafluoreto de Urânio e do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, onde opera um protótipo em escala real do reator. Acompanham a visita o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro, e o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen. Na quinta-feira (20), o presidente vai ao Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte, e faz ato político em Natal à noite. Na sexta (21), lança a campanha mineira em Belo Horizonte ao lado do candidato ao governo estadual, Patrus Ananias, e no sábado (22) participa de ato em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Os adversários dividiram o dia entre compromissos setoriais e produção de propaganda. Flávio Bolsonaro concentrou o tempo em gravações para o programa eleitoral, sem agenda pública. Ronaldo Caiado participou do 34º Congresso das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos e do 11º Fórum CNT de Debates, ambos em Brasília. Romeu Zema fez ação em Guaianases, na periferia de São Paulo, e à noite foi a uma sabatina de televisão. Renan Santos percorreu municípios da Paraíba, com passagem por Santa Rita, Gurinhém e Mogeiro, e encerrou o dia em João Pessoa.
A pesquisa marcada para sexta-feira ouve 2.058 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, sob o registro BR-04496/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. O levantamento inclui os 13 candidatos registrados, entre eles Pablo Marçal, cuja candidatura foi protocolada no limite do prazo, e simula quatro cenários de segundo turno: Lula contra Flávio Bolsonaro, contra Ronaldo Caiado, contra Romeu Zema e contra Renan Santos. Também mede a rejeição de cada nome e a aprovação do governo. No levantamento anterior, de 24 de julho, Lula aparecia com 40% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 32% e Ronaldo Caiado com 4%.
A cobertura se dividiu no enquadramento. Veículos de esquerda detalharam o roteiro presidencial dia a dia e trataram a ida a Aramar como demonstração de soberania tecnológica e de autonomia brasileira na indústria de defesa, deixando as agendas dos adversários fora do texto. A cobertura de centro organizou o mesmo dia em formato de lista, com espaço equivalente para os cinco principais nomes e sem adjetivação sobre o conteúdo dos compromissos, embora não separe o que é ato de governo do que é ato de campanha. Veículos de direita não publicaram cobertura própria dessa agenda até o momento, de modo que, no conjunto analisado, não aparece questionamento explícito sobre o uso de compromisso oficial da Presidência em período eleitoral. As duas coberturas disponíveis também não coincidem sobre o dia exato da visita ao complexo nuclear: uma a situa na terça-feira (18) e a outra na quarta-feira (19).
Ainda não se sabe se a visita ao complexo nuclear terá qualquer conteúdo eleitoral, nem como se divide o custo dos deslocamentos entre o orçamento público e a campanha. Também não foram divulgados os compromissos dos demais candidatos para o restante da semana, nem há explicação pública para a ausência de agenda de rua de um dos principais nomes da disputa. O resultado da pesquisa que fecha o período segue desconhecido até sexta-feira.