A campanha eleitoral de 2026 completou sua primeira semana de atos autorizados e concentra, ao mesmo tempo, três frentes: a definição das chapas estaduais, a chegada de missões internacionais para acompanhar o pleito e as primeiras pesquisas de intenção de voto nos estados. Comícios, caminhadas, carreatas e propaganda na internet estão liberados desde 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo turno, se necessário, para 25 de outubro.
A cobertura de centro relatou o cotidiano dessa largada. No Paraná, oito nomes disputam o governo, entre eles Requião Filho, do PDT, que cumpriu agenda em Curitiba, e Sérgio Moro, do PL. Em Santa Catarina, também são oito candidatos ao Palácio Cruz e Sousa, com o atual governador Jorginho Mello, do PL, diante de nomes como Gelson Merísio, do PSB, e João Rodrigues, do PSD. No Mato Grosso, seis candidatos disputam o Palácio Paiaguás, com destaque para o atual governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, que declarou patrimônio de 575,6 milhões de reais, o maior entre todos os candidatos a governador do país. No Rio de Janeiro, os nove candidatos divulgaram agenda de sábado, e Eduardo Paes, do PSD, participou de ato ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Bangu.
Veículos de direita enfatizaram o escrutínio sobre o processo eleitoral. A União Europeia enviará ao Brasil cinco peritos independentes, pela primeira vez nesse formato, que devem permanecer de dois a três meses e entregar um relatório com recomendações ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Itamaraty. Ao todo, sete organizações internacionais acompanharão a eleição, entre elas a Organização dos Estados Americanos, o Parlamento do Mercosul e a Liga dos Estados Árabes. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, reuniu-se com mais de noventa chefes de missões diplomáticas e voltou a defender a segurança das urnas eletrônicas. A mesma cobertura deu espaço à pesquisa Datafolha no Rio de Janeiro, que mostra Eduardo Paes com 41% das intenções de voto, contra 19% de Douglas Ruas, do PL, e 9% de Anthony Garotinho, do Republicanos, cuja candidatura foi impugnada pela Procuradoria Regional Eleitoral por condenação em improbidade administrativa.
Veículos de esquerda destacaram quem fica de fora dessa disputa. Uma análise sobre a bancada evangélica sustenta que as movimentações partidárias de 2026 revelam atuação também à esquerda e ao centro, o que contraria o estereótipo de adesão automática à direita. Na mesma direção, a cobertura sobre representação feminina mostrou que apenas um dos trinta partidos, a Unidade Popular, tem mais candidatas do que candidatos, que a participação feminina nacional é de 35% e que PRTB e PCB estão abaixo da cota legal de 30%. As cientistas políticas Luciana Santana e Hannah Maruci Aflalo atribuem o quadro à forma como as legendas recrutam candidaturas e distribuem recursos, e não à disposição individual das mulheres. O texto lembra ainda que a Câmara dos Deputados aprovou anistia aos partidos que descumpriram a regra depois de o Tribunal Superior Eleitoral reconhecer fraudes no preenchimento da cota.
A divergência de enquadramento é nítida. Enquanto veículos de direita tratam o pleito como um processo a ser auditado, medindo patrimônio, ficha limpa e legalidade das candidaturas, veículos de esquerda tratam a mesma eleição como um problema de acesso, medindo quem consegue entrar na disputa e com quais recursos. A cobertura de centro sustenta a camada descritiva comum às duas leituras: listas de candidatos, agendas de campanha, prazos legais e o registro de brasileiros naturalizados nascidos na Síria, na Bolívia, no Peru e na Itália entre os postulantes.
Ainda não se sabe o desfecho da impugnação de Anthony Garotinho, que será analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral, nem quais aspectos técnicos a missão europeia examinará no relatório final. Também não foram divulgados margem de erro, número de entrevistados e período de campo da pesquisa no Rio de Janeiro, e não há informação sobre os efeitos práticos da anistia aprovada pela Câmara dos Deputados aos partidos que descumpriram a cota de gênero.