A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente no domingo, 16 de agosto, um dia depois de encerrado o prazo de registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir dessa data, os candidatos podem pedir voto de forma explícita, fazer comícios, caminhadas, carreatas e panfletagem, usar carros de som dentro dos limites legais e contratar anúncios em jornais e na internet. A propaganda em rádio e televisão só entra no ar em 28 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com votação das 8h às 17h no horário de Brasília, e o segundo turno, se necessário, para 25 de outubro. Neste ano os eleitores escolhem presidente, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Os dados reunidos pela Justiça Eleitoral até as 19h30 do sábado, 15 de agosto, mostram o PL como o partido com mais candidatos registrados no país: 1.624 nomes. Em seguida aparecem MDB, com 1.386; Republicanos, com 1.286; Novo, com 1.284; e Podemos, com 1.212. O PT ocupa a sétima posição, com 1.095 candidaturas. O PL também recebeu a maior fatia do Fundo Eleitoral, cerca de R$ 881,7 milhões dos quase R$ 5 bilhões destinados às campanhas, e lidera o número de candidatos a deputado federal, 534, e ao Senado, 33. Já o PCO é a legenda com mais candidatos a governador, 18 no total, seguida por UP e PSTU. O próprio tribunal informou que os números ainda não são definitivos e podem mudar nos próximos dias.
Nos estados, o primeiro dia de campanha foi de missas, cultos, caminhadas e carreatas. No Distrito Federal, Celina Leão (PP), Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) dividiram-se entre inaugurações de comitês, feiras, passeatas e o jogo do Gama no estádio Bezerrão. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL), Luis Cesar Bueno (PT) e Luciana Amorim (UP) fizeram carreatas e lançamentos na capital e no interior. No Maranhão e no Amapá, as agendas se concentraram em adesivaços, panfletagem e reuniões com apoiadores; no segundo dia de campanha no Amapá, Clécio Luís (União Brasil) e Marcos Reátegui (Democracia Cristã) não divulgaram compromissos. Nas disputas estaduais mais equilibradas, levantamentos anteriores ao início da campanha mostravam Ciro Gomes (PSDB) à frente no Ceará, empate técnico entre ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia, diferença estreita entre João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra em Pernambuco e empate entre Juliana Brizola (PDT) e Zucco (PL) no Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais, onde Romeu Zema (Novo) deixa o Palácio Tiradentes, são 11 candidatos, entre eles Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT), o senador Cleitinho (Republicanos), o empresário Flávio Roscoe (PL) e Patrus Ananias (PT).
A cobertura de centro concentrou-se no serviço: listas de candidatos estado a estado, tamanho de cada colégio eleitoral, agendas do dia e o que passa a ser permitido em rua e internet. Veículos de direita deram mais espaço à contabilidade partidária e ao dinheiro público da disputa, destacando a liderança do PL em candidaturas e no repasse do Fundo Eleitoral, além de perfis de candidatos ligados ao setor produtivo e a pautas de redução de impostos. Veículos de esquerda não produziram cobertura própria deste arco no conjunto analisado, o que deixa sem contraponto explícito temas como o peso do financiamento público na competição e a presença de candidaturas vindas de sindicatos e de movimentos de moradia. No campo institucional, o Tribunal Superior Eleitoral lançou uma campanha publicitária de estímulo à participação do eleitor, apoiada na diversidade racial e cultural do país, e liberou o aplicativo Pardal para o registro de denúncias de irregularidades.
Ainda não se sabe quantas candidaturas sobreviverão às contestações judiciais, já que os registros seguem sujeitos a impugnação e os dados divulgados são provisórios. Também não há, até aqui, pesquisas de intenção de voto realizadas depois do início oficial da campanha, o que impede medir o efeito das primeiras agendas de rua. As reportagens tampouco detalham quanto cada candidatura estadual receberá do Fundo Eleitoral e do fundo partidário, nem o calendário de debates nos estados.