ACM Neto encolhe a marca carlista para disputar o voto lulista na Bahia
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A campanha do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil, ao governo da Bahia reduziu as referências ao avô, o ex-governador Antonio Carlos Magalhães, e passou a se apresentar ao eleitor apenas como Neto, com a sigla ACM em corpo menor nas peças publicitárias. O movimento ocorre numa disputa em empate técnico com o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, num estado em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 72% dos votos no segundo turno de 2022. Por meio de influenciadores, a campanha estimula nas redes sociais o voto casado entre o presidente e o candidato estadual.
À direita, o rearranjo da campanha de ACM Neto aparece como pragmatismo eleitoral legítimo diante de um estado dominado pelo PT há cinco eleições consecutivas: nomear-se apenas Neto reduz o ruído do passado e permite disputar o eleitor que aprova o presidente sem aprovar o governo estadual.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
As coberturas de centro e de direita convergem em que a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva é a variável decisiva de 2026 e que candidaturas do campo adversário precisam se posicionar diante dela: na Bahia, reduzindo a marca carlista para disputar o eleitor lulista; no interior de Minas Gerais, reconhecendo que os programas sociais federais equilibram a disputa local.
A campanha de ACM Neto ao governo da Bahia trocou a marca do carlismo pelo primeiro nome e passou a estimular, nas redes sociais, o voto casado com Luiz Inácio Lula da Silva. A disputa contra o governador Jerônimo Rodrigues aparece em empate técnico, e o PT tenta a sexta vitória seguida no estado. A seguir, o que as coberturas de centro e de direita registram sobre a estratégia, e o que nenhuma delas responde.
A campanha do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil, ao governo da Bahia reduziu as referências ao avô, o ex-governador Antonio Carlos Magalhães, e passou a apresentar o candidato ao eleitor apenas como Neto. Adesivos, anúncios de eventos e postagens da candidatura trazem a sigla ACM em corpo menor, quando a trazem, e destacam expressões como "agenda de Neto" e a hashtag "#TôcomNeto". O movimento ocorre numa eleição estadual apertada contra o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, que aparece em empate técnico com o ex-prefeito nas pesquisas de intenção de voto.
O pano de fundo é o peso do lulismo na Bahia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 72% dos votos no segundo turno de 2022 no estado, e Jerônimo Rodrigues venceu aquela eleição com pouco mais de 52%. Para tentar interromper a sequência do PT, que busca a sexta vitória seguida para o Palácio de Ondina, a campanha do ex-prefeito tem trabalhado, por meio de influenciadores nas redes sociais, o chamado voto casado: o presidente na disputa nacional e Neto no governo estadual. Para o cientista político Cláudio André de Souza, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, o apagamento do carlismo é uma estratégia deliberada de captura do eleitor lulista, num momento em que o candidato montou uma chapa mais inclinada à direita, com a presença do PL.
A cobertura de centro relatou os elementos verificáveis dessa engenharia eleitoral. Registrou a contratação do marqueteiro João Santana, que comandou o marketing de Lula em 2006 e o de Dilma Rousseff em 2010 e 2014; o apoio declarado a Ronaldo Caiado na disputa presidencial, com recusa de aliança com Flávio Bolsonaro no primeiro turno; a presença do presidente estadual do PL, João Roma, como candidato ao Senado na chapa; e o acordo que deixa aberta a união com Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno contra o presidente. Essa mesma cobertura anotou que a segurança pública é o eixo escolhido pelo candidato para evitar a nacionalização do debate, diante da piora dos indicadores no estado, e que a equipe de campanha não se manifestou quando procurada. Comparou ainda as peças de 2022, quando a candidatura abriu a disputa com a reedição de um jingle histórico do avô, com o material atual, em que a marca familiar praticamente desaparece.
Veículos de direita trataram o mesmo pano de fundo por outro ângulo: o da força eleitoral da direita no interior do país e do papel dos programas sociais na decisão do voto. Uma reportagem sobre Nanuque, em Minas Gerais, cidade em que Jair Bolsonaro superou Lula por um único voto em 2022, ouviu o prefeito Gilson Coleta Barbosa, do PP, que prevê ampliação da vantagem da direita em 2026, ainda que reconheça o peso do Bolsa Família, pago a cerca de três mil moradores, no equilíbrio da disputa local. Nessa leitura, o desempenho do petismo em municípios movidos pelo agronegócio se explica menos por adesão política e mais por transferência de renda. O prefeito declarou voto em Romeu Zema no primeiro turno e disse não ter definido o segundo.
Veículos de esquerda não registraram o episódio até o momento, e a lacuna organiza o debate de forma assimétrica. O argumento que costuma estruturar essa cobertura, o de que a aprovação do presidente no Nordeste se apoia em política social e queda da pobreza, aparece aqui apenas invertido, na fala do prefeito mineiro ouvido pela cobertura de direita, em que o mesmo benefício é descrito como fator que artificialmente equilibra a eleição. A divergência de fundo, portanto, não é sobre o fato de o lulismo pesar na Bahia, e sim sobre a natureza desse peso.
Os números disponíveis nas matérias são de escopo nacional. Levantamento do Quaest de julho apontou o presidente com 52% das intenções de voto no primeiro turno, contra 18% do senador Flávio Bolsonaro. Não há divulgação dos percentuais da disputa estadual baiana além da informação de empate técnico.
O que ainda não se sabe: a campanha de ACM Neto não respondeu sobre a mudança de identidade visual; não há confirmação de que o apoio a Ronaldo Caiado no primeiro turno se converterá em apoio a Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno; não foram divulgados instituto, data de campo nem margem de erro das pesquisas que indicam o empate na Bahia; e não há medição pública sobre se o eleitorado lulista baiano de fato dissocia o voto presidencial do voto estadual na proporção que a campanha aposta.
Ex-prefeito de Salvador reduziu as referências a Antonio Carlos Magalhães em meio a uma disputa acirrada contra o atual governador Jerônimo Rodrigues

Eleições na Bahia: o estímulo ao voto Lula-Neto

Prefeito de Nanuque disse que disputa entre Flávio Bolsonaro e o petista também será acirrada, mas prevê aumento da vantagem da direita em 2026
