Mais de 384 mil eleitores de Roraima voltaram às urnas no domingo, 21 de junho de 2026, em uma eleição suplementar para escolher o governador e o vice-governador que vão comandar o estado em um mandato-tampão até 5 de janeiro de 2027. A votação ocorreu das 8h às 17h, em 350 locais distribuídos pelos 15 municípios, com voto obrigatório. No mesmo dia, cinco cidades de São Paulo, Goiás e Minas Gerais também realizaram pleitos suplementares para prefeito.
O novo pleito em Roraima foi determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em 30 de abril, a Corte cassou o mandato do ex-governador Edilson Damião, do União Brasil, e declarou a inelegibilidade de Antonio Denarium. Os dois foram condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Entre as irregularidades apontadas estavam a distribuição de cestas básicas e repasses de verbas a municípios em desacordo com as regras eleitorais. Com a saída de Damião, o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio, do Republicanos, assumiu o governo interinamente.
Três chapas disputaram o cargo. Soldado Sampaio, agora governador interino, concorreu com Tayla Peres, também do Republicanos. A socióloga Nelita Frank, do PT, teve como vice Bartô Macuxi, do PSOL, representando a oposição local. E Arthur Henrique, do PL, ex-prefeito de Boa Vista e apoiado pelo grupo do ex-governador cassado, entrou na disputa com Subtenente Velton em situação sub judice, ou seja, com a candidatura ainda pendente de decisão definitiva da Justiça.
O ponto mais disputado da cobertura foi a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Ele derrubou uma norma do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima que flexibilizava o prazo de desincompatibilização, permitindo que ocupantes de cargos públicos deixassem suas funções até 24 horas após a convenção partidária. Dino determinou que valesse o prazo da Lei das Inelegibilidades, de três ou seis meses. Como ainda cabe recurso, Arthur Henrique permaneceu na urna, mas pode ter os votos anulados se a decisão prevalecer.
A cobertura de centro, predominante neste caso, relatou os fatos de forma factual: o número de eleitores, as regras das eleições suplementares e a cronologia das decisões judiciais. Veículos de centro detalharam ainda que a mudança de prazo beneficiou Sampaio, cujo partido acionou o Supremo contra a regra local, e prejudicou Arthur Henrique, que vinha bem posicionado nas pesquisas, além de ter atingido a candidata original do PT, Antônia Pedrosa, substituída por Nelita Frank.
Veículos de esquerda, na linha da cobertura de origem pública, enfatizaram a dimensão institucional: a cassação seria uma resposta legítima ao abuso de poder econômico que distorce a vontade dos eleitores, e a decisão de Dino reforçaria as regras que protegem a lisura do pleito contra o uso da máquina pública. Já uma leitura de direita destaca o outro lado: a intervenção do Judiciário no calendário eleitoral, mudando as regras no meio da disputa, teria gerado insegurança jurídica e prejudicado candidatos que cumpriram as regras então vigentes.
Um episódio chamou atenção em toda a cobertura: o nome e a foto da candidata barrada, Antônia Pedrosa, permaneceram na urna eletrônica, porque, segundo o TRE-RR, não houve tempo hábil para atualizar o sistema antes da votação. O eleitorado, portanto, enfrentou uma cédula que não refletia integralmente o quadro real de candidaturas.
O que ainda não se sabe é o resultado final e, sobretudo, a validade jurídica do voto em Arthur Henrique, que depende do julgamento dos recursos pendentes. Caso a decisão de Dino seja mantida, os votos da chapa podem ser anulados, o que reabriria a definição sobre quem de fato governará Roraima até o início de 2027, às vésperas das eleições gerais de outubro.