O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a abrir uma nova frente de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração mira suspeitas de corrupção e tráfico de influência ligadas à regulamentação e comercialização de cannabis medicinal, com possível atuação junto ao Ministério da Saúde, e também negócios relacionados à Dataprev, a estatal que processa dados da Previdência. O novo inquérito nasceu de provas obtidas na Operação Sem Desconto, que apura fraudes de cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos não autorizados de aposentadorias do INSS entre 2019 e 2024.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma detalhada. Os investigadores apontam a empresária Roberta Luchsinger como elo entre Lulinha e o lobista Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso desde o fim do ano passado e apontado como um dos operadores centrais do esquema. Há duas semanas, a PF concluiu o primeiro inquérito do caso e indiciou 48 pessoas, entre elas Antunes e ex-dirigentes do INSS. Lulinha, porém, não está entre os indiciados. Os veículos de centro também detalharam o atrito institucional entre a polícia e o ministro: Mendonça determinou que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo em seu gabinete e que qualquer troca de policiais lhe seja comunicada. Na semana passada, a corporação acionou a Advocacia-Geral da União para contestar essas medidas, que delegados ouvidos sob reserva classificam como ingerência.
Veículos de direita enfatizaram o rastro financeiro das suspeitas. Detalharam mensagens em que Antunes orienta transferir R$ 300 mil a uma empresa de Roberta, dizendo que o dinheiro seria para o 'filho do rapaz', e apontaram que ela teria recebido R$ 1,5 milhão do lobista. Essa cobertura destacou ainda os contatos, citados no pedido da PF, entre os investigados e servidores públicos, inclusive integrantes do gabinete da Presidência da República.
Veículos de esquerda enquadraram o caso como uma 'pesca probatória'. Sustentaram que Mendonça abriu o novo inquérito depois de não encontrar provas contra Lulinha no caso do INSS, e deram voz à defesa, para quem a PF muda o objeto da investigação por tentativa e erro e submete o filho do presidente a apurações indefinidas apenas por ser quem é. A defesa nega qualquer irregularidade e afirma que Lulinha nunca participou dos negócios investigados nem recebeu valores.
Todos os lados registram que o próprio presidente Lula afirmou que 'não haverá privilégio' para o filho, que mora no exterior e voltaria ao país caso seja chamado a depor. Ainda não se sabe se há provas de crime, qual será a resposta da AGU e do ministro ao pedido da PF, nem se a nova investigação resultará em denúncia.