A Policia Federal protocolou no Supremo Tribunal Federal pedidos para abrir novos inqueritos contra Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inacio Lula da Silva, sob suspeita de trafico de influencia junto ao governo federal. O ministro Andre Mendonca autorizou as investigacoes nos dias 30 e 31 de julho de 2026 e acabou sorteado relator dos casos. As suspeitas nasceram da Operacao Sem Desconto, que apura fraudes nos descontos de aposentadorias e pensoes do INSS, a partir de tratativas entre Lulinha e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
As tres frentes de apuracao tratam de negocios distintos. Uma investiga a suposta atuacao de Lulinha para favorecer o Careca em negociacoes de cannabis medicinal junto ao Ministerio da Saude. Outra apura indicios de atuacao junto a Dataprev, a empresa de tecnologia da Previdencia, em favor do empresario Cleber Ribas. Ao todo, a corporacao encaminhou tres pedidos de inquerito ao Supremo, um deles ainda em distribuicao.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual, apresentando os indicios levantados pela PF, a autorizacao de Mendonca e, com igual espaco, a versao da defesa, que nega irregularidades e afirma que a PF nao encontrou nada no nucleo do INSS. Essa cobertura tambem registrou a declaracao publica do presidente Lula de que, se forem comprovadas irregularidades, o filho deve ser investigado.
Veiculos de direita enfatizaram o acumulo de investigacoes e a dimensao dos indicios: a quebra de sigilo que apontou cerca de 1,5 mil transacoes e movimentacao de R$ 19,5 milhoes entre 2022 e 2026, a viagem a Portugal paga pelo Careca e as passagens emitidas com o mesmo localizador para Foz do Iguacu. Para essa cobertura, a abertura dos inqueritos corrige um tratamento desigual, ja que a oposicao cobrava ha meses a ausencia de apuracao sobre o filho de Lula enquanto os filhos de Jair Bolsonaro eram investigados. Chamou atencao ainda a indicacao da PF de que so teria condicoes de analisar o material apreendido em 2027 e a separacao dos casos, lidas como risco de esvaziamento da apuracao de origem.
Do lado oposto, a leitura provavel de veiculos de esquerda enfatizaria os argumentos da defesa e do governo: a de que a nova investigacao seria resposta a pressao politica da oposicao, e nao a fatos concretos, configurando o que o advogado de Lulinha chamou de 'pesca probatoria' e estrategia de 'melhor de tres'. Nesse enquadramento, pesa o fato de o empresario ter se colocado a disposicao para depor sem ter sido chamado e a declaracao de Lula de submissao a lei. Ate o momento, porem, essa perspectiva aparece sobretudo pela voz da defesa dentro das reportagens, sem cobertura propria de veiculos de esquerda.
O que ainda nao se sabe e se Lulinha sera formalmente indiciado, qual sera o desfecho da investigacao de origem sobre o INSS, que a defesa tenta arquivar, e se a analise do material realmente ficara para 2027. Tambem permanece em aberto se as apuracoes avancarao antes do periodo eleitoral, ponto que alimenta a disputa politica em torno do caso.