O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, a articulação da família Bolsonaro com o governo dos Estados Unidos. A reação veio depois que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro protocolou um documento no USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, pedindo a suspensão das tarifas que Washington propõe aplicar sobre produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a iniciativa como "entreguismo" e afirmou ser "inaceitável" que a família Bolsonaro queira "submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos".
A cobertura de centro relatou o pano de fundo econômico com precisão. Os Estados Unidos propuseram duas tarifas: uma de 25%, resultado de uma investigação por práticas comerciais consideradas desleais, aberta em julho de 2025, e outra de 12,5%, ligada à falta de restrição a produtos feitos com trabalho análogo à escravidão. As medidas ainda não estão em vigor. O governo americano abriu uma consulta pública que recebe manifestações até 6 de julho, seguida de uma audiência em 7 de julho. A decisão final sobre aplicar ou não as sanções cabe a Donald Trump, prevista para 15 de julho. Flávio Bolsonaro está inscrito para falar na audiência.
No documento enviado ao USTR, Flávio Bolsonaro pede o adiamento da taxação e a abertura de negociações bilaterais. Veículos de direita enfatizaram o argumento central do senador: a aplicação imediata das tarifas daria a Lula uma "vitória política doméstica", ao permitir que o presidente se apresente como defensor da soberania nacional. Nessa leitura, o pedido buscaria proteger empresas e investidores, e o senador chegou a propor a exclusão de setores como aeronaves da Embraer, aço e celulose, para evitar inflação nos Estados Unidos e preservar exportadores brasileiros. Flávio também sugeriu que uma mudança no comando do país em 2026 poderia reverter decretos e leis que hoje incomodam Washington.
Veículos de esquerda destacaram o outro lado da disputa. Para essa cobertura, pedir o adiamento do tarifaço para depois das eleições é uma "atitude de traidores da Pátria", como afirmou o próprio Lula, e a origem do contencioso estaria na atuação da família Bolsonaro, que teria defendido publicamente o aumento de tarifas contra produtos brasileiros. O presidente defendeu o Mercosul, que acaba de firmar um acordo com a União Europeia, e o Pix, sistema de pagamentos citado na investigação americana sob a alegação de concorrência desleal com empresas dos Estados Unidos. "Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros", escreveu.
A cobertura de centro acrescentou que o Estado brasileiro enviou uma resposta técnica de 29 páginas ao USTR. No texto, o Ministério das Relações Exteriores contesta as acusações de práticas injustas, sustenta que o Pix é ferramenta de inclusão financeira e não exclui empresas estrangeiras, e cita um aumento de 87,6% no orçamento de fiscalização ambiental, com redução do desmatamento nos últimos três anos.
O que ainda não se sabe é qual será a decisão de Trump em 15 de julho, se a audiência de 7 de julho alterará o desenho das tarifas e se algum setor será de fato excluído da taxação. Também permanece em aberto o efeito eleitoral do episódio na disputa presidencial de 2026, tema em que os lados divergem frontalmente.