Oficiais de Justiça ganham porte de arma após 20 anos de tramitação na Câmara
5 veículos de centro · 3 veículos de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
8 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- Congresso em FocoComissão da Câmara aprova porte de arma para empresários e MEIsProposta permite porte em atividades consideradas de risco, mas limita a autorização ao trabalho e ao deslocamento entre casa e empresa.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Valor EconômicoCâmara dos Deputados aprova porte de arma para oficiais de JustiçaO projeto de lei, que, agora, vai ao Senado, altera o Estatuto do Desarmamento para incluir oficiais de justiça entre as categorias com direito ao porte de arma(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- G1Câmara aprova projeto que autoriza porte de arma para oficiais de justiçaProposta tramitava na Casa há mais de 20 anos e ainda precisa passar pelo Senado.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
- VejaAs mudanças no patrimônio de Tiririca em 16 anos na Câmara dos DeputadosDeputado tenta nova reeleição(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
- Pleno NewsCâmara aprova porte de arma de fogo para oficiais de justiçaProposta segue para análise do Senado(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
- Gazeta do PovoCâmara resgata texto de Bolsonaro de 2005 e aprova porte de armas para oficiais de JustiçaProposta altera o Estatuto do Desarmamento e inclui os profissionais no rol de autorizados. Texto vai ao Senado. Leia na Gazeta do Povo.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Briefing
O que importa para você
- Oficiais de Justiça federais e estaduais poderão portar arma para defesa pessoal, com a autorização anotada na carteira funcional, se o Senado aprovar.
- O porte não é automático: exige aptidão psicológica, capacidade técnica e treinamento prévio.
- Em projeto separado, já aprovado em comissão, empresários e microempreendedores individuais poderiam obter porte limitado ao local de trabalho e ao trajeto de casa, com validade de cinco anos.
- O Senado deve analisar o texto na janela de votações entre 31 de agosto e 4 de setembro.
Onde os lados divergem
- A cobertura de esquerda enfatiza a opacidade do processo, sessão esvaziada e voto simbólico sem registro individual, e o acordo para evitar veto presidencial.
- Veículos de direita enfatizam a origem do texto em parecer de Jair Bolsonaro e reclamam da rejeição da emenda que estenderia o porte a qualquer cidadão apto.
- A esquerda trata a medida como mais um passo de uma cadeia de flexibilização por categoria; a direita a trata como correção de uma omissão da lei.
Onde os lados concordam
Todos os lados registram que a aprovação foi simbólica, que o texto altera o Estatuto do Desarmamento para incluir os oficiais de Justiça, que a autorização exige aptidão psicológica, capacidade técnica e treinamento, e que o projeto tramitava desde 2005. Há convergência também sobre o risco concreto da função, exercida muitas vezes de forma isolada, e sobre o fato de que oposição e base do governo votaram juntas.
O que ainda está incerto
- Não há pauta confirmada no Senado, apenas expectativa de parlamentares para a primeira semana de setembro.
- A promessa de que não haverá veto presidencial é relato de parlamentares, sem confirmação formal.
- Nenhuma fonte informa quantos servidores seriam alcançados, o custo de treinamento e fiscalização, nem avaliação técnica do efeito da medida sobre a violência contra a categoria.
A Câmara dos Deputados aprovou em votação simbólica o projeto que autoriza oficiais de Justiça a portar arma de fogo para defesa pessoal. O texto, que tramitava desde 2005 e teve Jair Bolsonaro como relator naquele ano, reuniu apoio da oposição e da liderança do governo, rejeitou emendas que ampliavam o porte a outras categorias e agora depende do Senado Federal.
A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, em votação simbólica, o projeto de lei que autoriza o porte de arma de fogo para oficiais de Justiça em todo o território nacional. O texto altera o Estatuto do Desarmamento para incluir a categoria entre as que podem portar arma para defesa pessoal, com a autorização registrada de forma expressa na carteira de identificação funcional. A proposta segue agora para o Senado Federal e só passa a valer se for aprovada também pelos senadores.
O projeto é de autoria da ex-deputada Edna Macedo e tramitava na Casa desde 2005, ou seja, por mais de 20 anos. Naquele ano, o texto foi relatado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado pelo então deputado Jair Bolsonaro, que propôs manter a autorização já existente para servidores da Receita Federal e estendê-la aos oficiais de Justiça, reunindo as categorias no mesmo dispositivo. Os auditores fiscais obtiveram o direito por legislação própria em 2007. O parecer aprovado agora é do deputado Jonas Donizette, do PSB de São Paulo, e foi lido no plenário pelo deputado Coronel Meira, do PL de Pernambuco.
Toda a cobertura converge nos elementos centrais. Oficiais de Justiça são servidores concursados do Poder Judiciário, nas esferas federal e estadual, responsáveis por cumprir na prática as decisões dos juízes, incluindo citações, intimações, mandados de prisão, reintegrações de posse e buscas e apreensões, muitas vezes sozinhos e em locais de tensão. A autorização não é automática: os profissionais precisam cumprir os requisitos do Estatuto do Desarmamento, como comprovação de aptidão psicológica, capacidade técnica para o manuseio e treinamento prévio. Emendas apresentadas para estender o porte a outras categorias, entre elas auditores fiscais federais agropecuários, defensores públicos da União, membros da advocacia pública e profissionais de segurança privada, foram rejeitadas em cumprimento ao acordo que viabilizou a votação. A proposta reuniu apoio de parlamentares da oposição e da base do governo, e o deputado Airton Faleiro, do PT do Pará, discursou pela liderança do governo para defender a medida, afirmando que se trata de um segmento que precisa ser entendido como parte do sistema de Justiça e de segurança pública.
As divergências aparecem na escolha do que enfatizar. A cobertura de esquerda destacou que o texto foi patrocinado pelo bloco parlamentar mais identificado com a pauta armamentista, que a sessão estava esvaziada e que o modelo semipresencial de votação simbólica impede verificar como cada parlamentar votou, além de registrar o acordo para que o presidente Lula não vete a proposta caso ela passe no Senado. A cobertura de centro concentrou-se no trâmite e na explicação do papel da categoria, recuperando a linha do tempo do projeto desde 2005 e o registro de que sindicatos e organizações da categoria acompanharam a votação no plenário e comemoraram o resultado. Veículos de direita enfatizaram a paternidade do substitutivo por Jair Bolsonaro, a criação e a posterior revogação, em 2008, do dispositivo que assegurava o porte para defesa pessoal, e deram relevo à emenda da deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, que propunha estender o direito a qualquer cidadão que comprovasse cumprir os requisitos, também rejeitada. Nesse enquadramento, a medida corrige um grave equívoco da legislação, expressão usada pela própria autora do projeto, e não constitui privilégio corporativo.
O caso não corre isolado. A cobertura de centro também registrou que a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou o Projeto de Lei 5.438/2025, do deputado Marcos Pollon, do PL do Mato Grosso do Sul, que autoriza o porte para empresários, microempreendedores individuais e empregados encarregados da guarda ou do transporte de valores. Relatado pelo deputado Rodrigo da Zaeli, do PL do Mato Grosso, o substitutivo condiciona a concessão à comprovação de necessidade, idoneidade, aptidão psicológica e capacidade técnica, limita o porte ao local de trabalho e ao trajeto de casa, fixa validade de cinco anos e ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
O que ainda não se sabe é quando o Senado analisará o texto dos oficiais de Justiça.
Fontes

Deputado tenta nova reeleição

Proposta permite porte em atividades consideradas de risco, mas limita a autorização ao trabalho e ao deslocamento entre casa e empresa.

O projeto de lei, que, agora, vai ao Senado, altera o Estatuto do Desarmamento para incluir oficiais de justiça entre as categorias com direito ao porte de arma

Proposta tramitava na Casa há mais de 20 anos e ainda precisa passar pelo Senado.

Texto exige testes psicológicos, capacitação técnica e treinamento prévio

Proposta segue para análise do Senado

Proposta tramita na Casa desde 2005 e foi, à época, relatada por Jair Bolsonaro; segue para análise do Senado. Leia no Poder360.

Proposta altera o Estatuto do Desarmamento e inclui os profissionais no rol de autorizados. Texto vai ao Senado. Leia na Gazeta do Povo.