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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou publicamente a direção nacional do partido nesta terça-feira (23), acusando a legenda de descumprir acordos sobre a distribuição de recursos eleitorais para 2026. Segundo ela, sua corrente, a Revolução Solidária, decidiu permanecer no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, mas os compromissos firmados não estariam sendo cumpridos. A direção, comandada por Paula Coradi, não havia se manifestado até a publicação das matérias.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) abriu uma crise pública com a direção nacional do seu partido nesta terça-feira, 23 de junho de 2026. Em publicações nas redes sociais, a parlamentar acusou a legenda de descumprir acordos firmados sobre a distribuição de recursos financeiros para as eleições de 2026 e disse que a postura da cúpula está "praticamente inviabilizando" sua candidatura e a de outras lideranças.
O ponto central é a divisão do dinheiro de campanha. Segundo Hilton, sua corrente, a Revolução Solidária, da qual também faz parte Guilherme Boulos, decidiu permanecer no PSOL, em vez de migrar para o PT, para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira e ampliar a bancada de esquerda no Congresso. Em troca, teriam sido firmados compromissos que, na avaliação dela, não estão sendo respeitados. A deputada afirmou que Juliano Medeiros, presidente da federação PSOL-Rede, teria prioridade equivalente à sua na divisão dos recursos, enquanto Manuela D'Ávila, recém-filiada e pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, teria previsão de receber mais que o dobro.
Veículos de esquerda, como a Revista Fórum, enfatizaram a dimensão racial e de gênero do conflito. Nessa cobertura, Hilton acusa a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, de boicotar candidaturas negras e de trabalhadores e de desmontar a política nacional de inclusão, que ajustava os repasses por gênero, raça e deficiência. A deputada classificou a decisão como expressão de "privilégio branco e cis" e como um retrocesso inaceitável, justamente quando, segundo ela, o próprio Tribunal Eleitoral reconhece a importância dessas políticas afirmativas. Essa cobertura também ressaltou que a permanência da corrente no partido tinha como objetivo declarado reeleger o presidente Lula e fortalecer a bancada de esquerda.
Veículos de direita, como a Veja, relataram os mesmos fatos com foco no racha interno e na disputa por dinheiro dentro de um partido de esquerda. Nessa leitura, ganha relevo o contraste entre o discurso de inclusão da legenda e a prática concreta de distribuição de verbas, além do risco de que a briga comprometa a estratégia eleitoral do PSOL em 2026. A cobertura de centro, factual, registrou as acusações, os nomes citados e o fato de a direção não ter se manifestado, sem aderir a nenhum dos enquadramentos.
As duas coberturas convergem nos fatos básicos: a denúncia partiu de Hilton, foi feita nas redes sociais, envolve a divisão de recursos eleitorais e cita nominalmente Juliano Medeiros e Manuela D'Ávila como beneficiados. Também convergem ao registrar que a corrente de Hilton e Boulos optou por ficar no PSOL para superar a cláusula de barreira. A divergência está no ângulo: a esquerda enquadra como apagamento da representatividade negra e LGBTQ e retrocesso em política afirmativa; a direita enquadra como disputa por dinheiro e contradição interna da esquerda.
O que ainda não se sabe é a versão da direção do PSOL. Até a publicação das matérias, a cúpula nacional e Paula Coradi não haviam respondido às acusações. Também permanecem indefinidos os valores exatos em disputa, os critérios técnicos da nova distribuição de recursos e se o partido vai rever a decisão diante da pressão pública.
Ambos os lados reconhecem que Erika Hilton denunciou publicamente a direção do PSOL por descumprir acordos na divisão de recursos eleitorais de 2026, citando Juliano Medeiros e Manuela D'Ávila como beneficiados, e que sua corrente ficou no partido para superar a cláusula de barreira.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Cobertura da Revista Fórum adota o enquadramento de Erika Hilton: 'boicote a candidaturas negras', 'privilégio branco e cis', 'retrocesso' na política de inclusão. Vocabulário de raça, gênero, inclusão e proteção de grupos vulneráveis caracteriza viés à esquerda. Reproduz longas citações da parlamentar sem contraponto da legenda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Texto majoritariamente factual de Veja, mas o enquadramento foca no conflito interno e na 'briga por dinheiro' do partido de esquerda, destacando rachas e contradições. Tom de cobertura crítica a legenda de esquerda, sem vocabulário de justiça social. Atribui a Erika as acusações sem mediar com a direção.
Perspectivas omitidas

Deputada afirma que o partido abandonou critérios de inclusão na distribuição de recursos eleitorais e favorece candidaturas ligadas à atual direção da legenda

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) usou as redes sociais nesta terça-feira (23) para afirmar que a direção nacional do PSOL, sob comando de Paula
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