O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu a senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, para assumir a liderança do governo no Senado. Ela substitui Jaques Wagner, que deixou o cargo após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suposto favorecimento a interesses ligados ao Banco Master. A nova líder assume em um momento de forte desgaste entre o Palácio do Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e terá como principal tarefa destravar a agenda legislativa do Executivo antes que o calendário eleitoral esvazie o Congresso.
A cobertura de centro relatou os fatos com precisão: Lula deve receber Teresa Leitão nesta segunda-feira, 29 de junho, para a primeira reunião presencial desde a escolha, anunciada na quinta-feira anterior. O encontro serve para alinhar as prioridades do governo no período pré-eleitoral, quando, a partir de agosto, deputados e senadores tendem a dedicar mais tempo às campanhas em seus estados. Entre as prioridades estão a PEC que põe fim à escala de trabalho 6x1, reduzindo a jornada de 44 para 40 horas semanais, e a PEC da Segurança Pública, que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública. Há ainda o peso do recesso marcado para 18 de julho, que pressiona o cronograma de votações.
Todos os lados convergem em um ponto central: a simples troca de nome na liderança não resolve a crise de fundo entre o governo e Alcolumbre. A relação se deteriorou depois que o presidente do Senado articulou o veto à indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Sem um acordo político mais amplo, as pautas seguem represadas, e a expectativa é de que a reconciliação dependa de uma negociação direta entre Lula e Alcolumbre, com apoio do ministro José Guimarães.
Veículos de esquerda destacaram que a prioridade da nova líder é avançar pautas de proteção ao trabalhador, sobretudo o fim da escala 6x1, represada no Senado. Nessa leitura, o governo agiu com rapidez para afastar Wagner e preservar a agenda social diante da investigação, e o verdadeiro entrave seria a obstrução de Alcolumbre, que segura propostas sociais e ainda vetou um nome do governo no STF. As centrais sindicais participam das negociações da PEC da jornada, reforçando o caráter de direitos coletivos da pauta.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo da crise de articulação e do custo fiscal. Para essa cobertura, a saída de Wagner sob investigação da Polícia Federal é mais um sinal de desgaste do Planalto, e a escolha da nova líder funciona como peça da estratégia de reeleição de Lula, não como solução do impasse. Esses veículos chamam atenção para as chamadas pautas-bomba em análise no Senado, com impacto estimado em cerca de 215 bilhões de reais, incluindo o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para renegociar dívidas rurais. Também destacam a contraproposta da oposição, que mantém a escala atual e prevê contratos por hora, e a sinalização de Alcolumbre de que a PEC da 6x1 ainda precisa de aprimoramentos.
O que ainda não se sabe é se Lula e Alcolumbre chegarão de fato a um acordo capaz de destravar a pauta antes do recesso, qual será o teor final da PEC da 6x1 após as negociações com sindicatos e oposição, e quais desdobramentos a Operação Compliance Zero terá sobre a base governista. Wagner nega irregularidades, e a investigação segue em curso.