Ascensus Global busca professor de português para militares dos EUA antes da eleição
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A abertura de uma vaga para ensinar português brasileiro a militares e agentes do governo americano, a poucas semanas da eleição presidencial, reforça o alerta da Agência Brasileira de Inteligência sobre a pressão crescente dos Estados Unidos sobre o Brasil. A empresa responsável, a Ascensus Global, atende dezenas de clientes militares e de inteligência, tem autorização Top Secret e não revela quem contratou o curso nem sua finalidade. Para a Abin, o governo Trump busca reafirmar sua hegemonia na América Latina, e o Brasil se destaca por defender sua autonomia estratégica.
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Uma empresa privada dos Estados Unidos, a Ascensus Global, anunciou vaga para instrutor de português destinada a militares e servidores americanos, e o fato foi associado ao relatório da Agência Brasileira de Inteligência sobre pressão americana na eleição.
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A empresa americana Ascensus Global procura professor de português brasileiro para treinar militares e servidores dos Estados Unidos entre outubro e novembro. O anúncio coincide com relatório da Agência Brasileira de Inteligência que elevou a nível crítico o risco de interferência americana na eleição, embora a agência não ligue os dois fatos.
A Ascensus Global, empresa norte-americana de treinamento em idiomas e cultura, abriu uma vaga para professor de português brasileiro destinada a um programa voltado a militares e profissionais do governo dos Estados Unidos. O anúncio surgiu a poucas semanas da eleição presidencial no Brasil e ganhou repercussão por coincidir com um alerta da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, sobre o risco de influência americana no pleito.
Segundo a descrição da vaga, o programa terá três semanas entre outubro e novembro de 2026. Uma semana será virtual e as outras duas, presenciais, em Montgomery, no Alabama. As despesas de viagem do profissional selecionado serão cobertas. O candidato deve ter fluência nativa em português, domínio avançado do inglês, experiência no ensino do idioma para militares ou funcionários de governo e experiência em tradução e interpretação. Familiaridade com ambientes militares dos Estados Unidos aparece como qualificação desejável.
As coberturas também convergem sobre o relatório da Abin. O documento reservado, enviado em agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça, elevou a um nível crítico a possibilidade de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A agência aponta uma tendência de escalada de pressão sobre o Brasil e afirma que o governo de Donald Trump busca reduzir a presença de potências rivais na América Latina e restringir o acesso delas a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura da região. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, é citado como peça de uma estratégia para influenciar a política externa dos países latino-americanos. O conteúdo do relatório veio a público em 19 de setembro.
As abordagens se separam na leitura da coincidência. Veículos de esquerda destacaram o que a empresa não informa: qual órgão contratou o programa, quem serão os alunos e qual a finalidade do treinamento. Essa cobertura ressaltou que a Ascensus diz atender mais de 40 clientes militares e de inteligência, tem autorização de segurança no nível Top Secret e atua em programas do Departamento de Defesa, e que Montgomery abriga a Base Aérea de Maxwell, da Força Aérea americana. Também registrou que a vaga foi aberta três dias antes da revelação do relatório e reproduziu o trecho em que a Abin descreve o governo brasileiro como mais disposto a defender sua autonomia estratégica diante de pressões por realinhamento.
Nenhum veículo de centro havia coberto o caso até agora. O relato mais contido veio de um veículo de direita, que adotou tom factual e frisou que o relatório da Abin não afirma haver interferência comprovada por meio da contratação do professor. Para essa cobertura, a vaga e o documento da agência são fatos distintos, ocorridos no mesmo período. O mesmo texto registrou que o governo brasileiro ainda não se posicionou oficialmente sobre o relatório e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse pretender pedir a Trump, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que os Estados Unidos não interfiram na eleição.
Ainda não se sabe qual órgão americano contratou o curso, quem são os alunos nem para que servirá o treinamento. As datas exatas do programa não foram confirmadas no anúncio. Também não houve manifestação da empresa, do governo dos Estados Unidos ou do governo brasileiro sobre a vaga, e não está claro se a conversa entre Lula e Trump vai de fato acontecer.
A poucos dias das eleições brasileiras, uma empresa dos Estados Unidos abriu uma vaga para um instrutor de português brasileiro

Ascensus Global atende mais de 40 agentes militares e de inteligência; programa ocorrerá entre outubro e novembro de 2026
