USA Rare Earth assume mina Pela Ema em Goiás após aporte do Pentágono
1 veículo de esquerda · 1 veículo de direita

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
1 veículo de esquerda · 1 veículo de direita

A leitura de esquerda vê na compra do projeto Pela Ema o retrato do velho papel reservado ao Brasil: fornecer matéria-prima barata para a indústria alheia. O comprador é um grupo americano bancado com US$ 750 milhões do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, ou seja, política de Estado americana operando sobre subsolo brasileiro, enquanto o país ainda não decidiu quanto da cadeia quer construir. O estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos mostra o tamanho da perda: o mercado global de mineração e concentração vale cerca de US$ 3 bilhões, o de refino cerca de US$ 5 bilhões e o de produtos finais cerca de US$ 40 bilhões. Sem separação, refino, ligas e fábrica de ímãs em território nacional, ficam no exterior os empregos qualificados, a tecnologia e a maior parte do valor. Para essa visão, a resposta é política industrial coordenada, com prazo, financiamento público de longo prazo e contrapartidas para quem explora o recurso.
Pelo prisma da direita, o negócio é a prova de que capital privado e ambiente regulatório previsível fazem um ativo parado virar produção. O projeto Pela Ema saiu do papel porque um grupo com tecnologia, mercado comprador e US$ 1,5 bilhão em recursos assumiu o risco, e não porque uma agência estatal desenhou um plano decenal.
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Os dois lados concordam que o Brasil tem reservas expressivas de terras raras, que a China concentra cerca de 90% da separação e do refino mundial e que a maior parte do valor econômico está nas etapas posteriores à extração, na produção de óxidos, metais, ligas e ímãs permanentes.
A mina Pela Ema, no norte de Goiás, passa ao controle da americana USA Rare Earth numa operação de US$ 1,5 bilhão bancada em parte pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A jazida deve responder por mais da metade das terras raras pesadas produzidas fora da China até 2027, e reacende a discussão sobre quanto da cadeia industrial o Brasil pretende construir em casa.
Uma mina de terras raras no norte de Goiás virou peça de uma disputa global por minerais críticos. O projeto Pela Ema está no centro de uma transação de US$ 1,5 bilhão que dá ao grupo americano USA Rare Earth o controle integral do ativo, operação com conclusão prevista para o fim de agosto. Do montante mobilizado, US$ 750 milhões vieram do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, o que desloca o negócio do terreno estritamente privado para o de política externa e industrial americana.
A jazida é descrita como a única de argila iônica em escala comercial fora da Ásia, característica que a torna incomum no mercado global. Dela saem quatro minerais de terras raras usados na fabricação de ímãs permanentes, componentes de motores elétricos, turbinas eólicas, robótica, eletrônicos e equipamentos militares. A expectativa é que a unidade responda por mais da metade da produção de terras raras pesadas fora da China a partir de 2027.
Há convergência entre as coberturas sobre o pano de fundo. Os dois lados reconhecem que o Brasil detém reservas expressivas, sobretudo depósitos de argila de adsorção iônica ricos em terras raras pesadas, e que a China concentra cerca de 90% da capacidade mundial de separação e refino, além de posição dominante na fabricação de ímãs. Também não há disputa sobre o fato de que a maior fatia do valor econômico está nas etapas seguintes à extração: estimativas reunidas em estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos situam em cerca de US$ 3 bilhões o mercado ligado à mineração e concentração, em cerca de US$ 5 bilhões o de refino e em cerca de US$ 40 bilhões o de produtos finais.
A divergência aparece no significado do negócio. Veículos de direita enfatizaram o caráter estratégico da entrada de capital americano, a parceria da empresa compradora com o governo dos Estados Unidos e o esforço ocidental de montar uma cadeia de suprimentos fora da China, apresentando a operação como reforço da posição brasileira no fornecimento de minerais críticos. Veículos de esquerda destacaram o outro lado da mesma equação: sem separação, refino, produção de metais, ligas e fábrica de ímãs em território nacional, o país fica com a etapa de menor valor. O cálculo apresentado nessa cobertura é direto: 20 mil toneladas anuais de concentrado a um preço médio ilustrativo de US$ 10 por quilograma renderiam cerca de US$ 200 milhões por ano, enquanto o mesmo material transformado em ímãs permanentes poderia sustentar algo próximo de US$ 700 milhões anuais de faturamento industrial. O próprio texto ressalva que faturamento não é lucro nem produto interno bruto, e que insumos importados, energia e custos operacionais precisam ser descontados. Não foi identificada cobertura de centro sobre o caso no conjunto de fontes reunido, o que deixa o relato factual da transação e a análise de política industrial sem um terceiro relato que os confronte.
O caminho proposto no estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos prevê que, entre 2026 e 2030, o país estabeleça bases para sua primeira planta industrial de separação, desenvolva refino de óxidos de alta pureza, produza metais de terras raras e instale uma planta piloto de ímãs de neodímio-ferro-boro, com ganho de escala na etapa seguinte. Especialista do setor citado na cobertura considera realista que o Brasil construa capacidade de processamento e uma indústria de ímãs em cerca de dez anos, desde que haja política pública e ambiente regulatório favoráveis.
O que ainda não se sabe é boa parte do essencial. Nenhuma das coberturas identifica quem vende o ativo, se a operação depende de aprovação de órgãos reguladores brasileiros, se há contrapartida de processamento em território nacional ou qual o destino final do minério extraído. Também não há posição pública do governo brasileiro nem da Agência Nacional de Mineração sobre a transação, nem informação sobre licenciamento ambiental, uso de água e efeitos sobre as comunidades do entorno da mina em Goiás.
O Brasil pode ter as maiores reservas de terras raras do mundo e capturar apenas uma pequena parcela da riqueza que elas podem gerar.

Uma mina localizada no norte de Goiás deve se tornar responsável por mais da metade da produção de terras raras
