Dois pleitos suplementares marcaram o domingo, 21 de junho de 2026, no Brasil: a eleição para o governo de Roraima e a disputa pela prefeitura de Tuiuti, no interior de São Paulo. Em ambos os casos, a nova votação foi consequência de cassações decididas pela Justiça Eleitoral, e em Roraima o resultado ainda depende da palavra final dos tribunais superiores.
Em Roraima, o ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique, do PL, venceu com 60,87% dos votos, somando 160.004 votos. Ele superou Soldado Sampaio, do Republicanos, que teve 93.897 votos (35,72%), e Nelita Frank, do PT, com 8.948 votos (3,40%). Ao todo, 270.558 eleitores participaram da votação. A cobertura de centro, representada pelo noticiário factual, relatou os números com paridade e situou o pleito dentro do calendário eleitoral. Veículos de direita enfatizaram o apoio do senador Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro ao vencedor, além de destacarem a frase publicada por Arthur Henrique nas redes sociais: 'A vontade do povo prevaleceu'.
A vitória, porém, não é definitiva. No sistema do TSE, os 160 mil votos do ex-prefeito aparecem como 'anulados sub judice' até a conclusão do julgamento. O Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal ainda precisam julgar recursos sobre o registro da chapa, formada por Arthur Henrique e pelo candidato a vice Subtenente Velton, também do PL.
O ponto central da disputa jurídica é o prazo de desincompatibilização, isto é, o tempo que um ocupante de cargo público precisa se afastar antes de concorrer. O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima havia definido que os interessados poderiam deixar seus cargos até 24 horas após as convenções partidárias. Em maio, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou essa regra a pedido do Republicanos e mandou aplicar o prazo de seis meses previsto na Lei da Inelegibilidade. A mudança colocou em dúvida a situação de Arthur Henrique, que deixou a Prefeitura de Boa Vista em 2 de abril. A Primeira Turma do STF confirmou a decisão de Dino, com votos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
Veículos de esquerda tendem a ler esse arranjo como afirmação das instituições de controle: a eleição suplementar só existe porque a chapa eleita em 2022 foi cassada por abuso de poder político e econômico, e a manutenção do prazo legal protege a igualdade da disputa. Já veículos de direita enquadram o resultado sub judice como um entrave da máquina judicial à vontade expressa nas urnas, sublinhando que a ação partiu de um partido adversário. A cobertura de centro, por sua vez, registrou que o TSE, em eleições suplementares anteriores no Amazonas (2017) e no Tocantins (2018), já flexibilizou prazos para ampliar as opções do eleitorado.
No interior paulista, a eleição suplementar de Tuiuti teve desfecho mais simples. Alexandre Tadeu Gonçalves, conhecido como Careca, do União, foi eleito prefeito com 35,84% dos votos, somando 1.393 votos. Ele venceu por uma diferença de 135 votos sobre Milena do Amarildo, do PSB, que teve 1.258 votos (32,36%), enquanto Pedrinho, do MDB, ficou com 1.236 votos (31,80%). A votação ocorreu cerca de um ano e oito meses após as eleições municipais de 2024, cujo resultado foi anulado pela Justiça Eleitoral após a cassação da candidatura do então vencedor, Amarildo Lima, do PSB. A diplomação dos eleitos está prevista até 24 de julho, e Careca comandará o município até o fim de 2028.
O que ainda não se sabe é quando, e em que sentido, os tribunais darão a palavra final sobre o registro da chapa de Arthur Henrique em Roraima, condição para que os 160 mil votos deixem de ser tratados como anulados. Tampouco há detalhamento público sobre os fundamentos completos da cassação da candidatura em Tuiuti. Até a definição judicial em Roraima, a posse do governador eleito segue em suspenso.