Dois pleitos suplementares marcaram o domingo, 21 de junho de 2026, em pontas opostas do Brasil. Em Roraima, o ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique, do PL, venceu a eleição suplementar ao governo do estado com 60,87% dos votos, somando 160.004 votos. Ficaram para trás Soldado Sampaio, do Republicanos, com 35,72%, e Nelita Frank, do PT, com 3,40%. No mesmo dia, no interior de São Paulo, Alexandre Tadeu Gonçalves, o Careca, do União, foi eleito prefeito de Tuiuti com 1.393 votos, ou 35,84%, vencendo por margem apertada de 135 votos sobre a segunda colocada, Milena do Amarildo, do PSB.
As duas eleições têm uma origem comum: ambas foram convocadas depois que a Justiça Eleitoral anulou pleitos anteriores. Em Roraima, a disputa decorreu da cassação da chapa eleita em 2022 por abuso de poder político e econômico. O então governador Antonio Denarium, do Republicanos, renunciou antes da conclusão do julgamento, e o vice, Edilson Damião, do União Brasil, também perdeu o mandato. Soldado Sampaio chegou a assumir o governo de forma interina por presidir a Assembleia Legislativa. Em Tuiuti, a nova votação aconteceu cerca de um ano e oito meses após as eleições municipais de 2024, cujo resultado foi anulado com a cassação da candidatura do então vencedor, Amarildo Lima, do PSB.
A cobertura de centro, como a do Metrópoles, relatou os dois resultados de forma factual, detalhando números de votos, percentuais, locais de votação e o calendário de diplomação dos eleitos. No caso de Tuiuti, destacou ainda o plano de governo da chapa vencedora, estruturado em saúde, educação, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e gestão pública.
O ponto de maior controvérsia está em Roraima, e é nele que as coberturas divergem de ênfase. Apesar da vitória, Arthur Henrique e o vice, Subtenente Velton, disputaram com a candidatura sob análise da Justiça. No sistema do TSE, os votos do vencedor aparecem como anulados sub judice até a conclusão do processo. A disputa judicial gira em torno do prazo de desincompatibilização: o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima havia definido um prazo curto, mas o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou a regra e mandou aplicar o prazo de seis meses previsto na Lei da Inelegibilidade, em ação movida pelo Republicanos. A Primeira Turma do STF confirmou a decisão de Dino, com os votos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
Veículos de direita, como a Revista Oeste, enfatizaram a força da vitória nas urnas e o respaldo popular ao candidato apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, reproduzindo a frase do vencedor de que a vontade do povo prevaleceu, e tratando a mudança de regra como fonte de insegurança jurídica. Veículos de esquerda tendem a ler o caso pelo ângulo oposto: as eleições só ocorreram porque a fiscalização eleitoral puniu abuso de poder econômico e político, e a flexibilização de prazos buscaria ampliar as opções do eleitorado. A própria mudança de regra levou o PT a substituir sua candidata, trocando a professora Antonia Pedrosa por Nelita Frank.
O que ainda não se sabe é o desfecho definitivo do julgamento sobre o registro da chapa de Arthur Henrique no STF e no TSE, que determinará se os votos sub judice serão validados e se o ex-prefeito poderá, de fato, assumir o governo de Roraima. Em Tuiuti, a diplomação dos eleitos estava prevista para ocorrer até 24 de julho.