O Republicanos formalizou na terça-feira, 4 de agosto de 2026, em convenção nacional realizada em Brasília, a decisão de não apoiar oficialmente o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República e de não indicar candidata a vice em sua chapa. A resolução, conduzida pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, liberou os diretórios estaduais para apoiar o presidenciável que preferirem, sem comprometer o partido com um endosso nacional. É o mesmo partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que na semana anterior teve sua candidatura à reeleição oficializada em convenção estadual com a presença do próprio senador.
A cobertura de centro relatou a cronologia da negociação e as declarações dos protagonistas. Segundo esses relatos, dirigentes nacionais do PL, inclusive Flávio, procuraram a cúpula do Republicanos nos últimos dias para tentar reverter a tendência de neutralidade, e chegaram a sugerir nomes da própria legenda para compor a chapa, como a senadora Damares Alves e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Diante da ofensiva, a direção partidária antecipou a divulgação de uma nota na noite de segunda-feira, 3, para encerrar a disputa interna antes do dia 15, prazo final para o registro de candidaturas. Na segunda-feira, Marcos Pereira já havia recusado pessoalmente o convite para integrar a chapa.
Em entrevista na terça-feira, o governador paulista afirmou que sua posição era de apoio ao senador e que a assinou junto à presidência do partido, mas que a legenda seguiu a maioria dos diretórios estaduais. Reconheceu que a ausência do Republicanos reduz o tempo de propaganda eleitoral disponível para a campanha presidencial da oposição, embora tenha avaliado que não se trata de prejuízo muito importante, e prometeu empenho na campanha em São Paulo. Questionado sobre o áudio em que o senador pede dinheiro ao dono de um banco para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, disse ter cobrado explicações publicamente, considerou os esclarecimentos prestados e negou qualquer relação do episódio com sua gestão, afirmando nunca ter se reunido com o banqueiro e sustentando que os fundos previdenciários do estado não compraram títulos daquela instituição.
Veículos de direita enfatizaram a aritmética eleitoral do revés: sem a legenda, a chapa perde tempo de televisão e verba de campanha, e o resultado é apresentado como vitória tática do governo federal, que teria mobilizado diretórios e lideranças simpáticas ao Planalto contra a aliança nacional. Essa cobertura também registrou que o partido mantém influência no Ministério de Portos e Aeroportos, que diretórios do Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a apoiar o senador e que os do Nordeste e do Norte devem apoiar o presidente, além de reproduzir a nota em que a sigla afirma que a independência demonstra maturidade institucional e respeito ao pacto federativo.
Veículos de esquerda não haviam repercutido o episódio no material reunido até aqui, de modo que a leitura do campo governista aparece apenas de forma indireta, pelo relato de que a articulação presidencial atuou para impedir o acordo. Já dentro do próprio campo de centro-direita houve crítica aberta: o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, disse que a decisão é uma radiografia clara do quanto a candidatura do senador ficou comprometida e sustentou que as denúncias em torno dele provocaram o recuo de siglas que iriam para a coligação. Para ele, nenhum partido se sentiu confortável em se alinhar ao governo nem ao candidato do PL.
Ainda não se sabe quem ocupará a vaga de vice na chapa do senador, que tem manifestado preferência por uma mulher. Também segue em aberto a posição definitiva do Podemos, agora o principal alvo da negociação, e o tamanho exato da perda de tempo de propaganda e de fundo eleitoral, que nenhuma das coberturas quantificou. Não há, até aqui, resposta pública do PL nem do próprio senador à decisão da convenção.