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A cinco meses do fim do terceiro mandato, dois balanços sobre o governo Lula circulam ao mesmo tempo: um levantamento de 36 promessas de campanha de 2022, que aponta 26 cumpridas integralmente, quatro parcialmente e seis pendentes, e pesquisas estaduais de intenção de voto que colocam o presidente acima do desempenho que teve no segundo turno de 2022 em oito dos dez estados medidos. A leitura correta desses números depende do denominador usado: intenção de voto se refere ao total de eleitores aptos, enquanto voto válido só existe depois da urna e exclui abstenção, brancos e nulos.
A cinco meses do fim do terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao ciclo eleitoral de 2026 com dois balanços circulando ao mesmo tempo. O primeiro é o das promessas de campanha: um levantamento examinou 36 das principais propostas apresentadas em 2022 e concluiu que 26 foram cumpridas integralmente, quatro apenas em parte e seis seguem sem cumprimento, o que coloca a taxa de execução acima de 80%. O segundo é o das urnas: pesquisas do instituto Quaest, feitas em julho em dez estados para uma casa de investimentos, mediram a intenção de voto para presidente e permitiram comparar a posição atual do presidente com o resultado que ele obteve no segundo turno de 2022.
A cobertura de centro concentrou-se na metodologia dessa comparação e advertiu para um erro recorrente de leitura. Intenção de voto é apurada sobre o conjunto de todos os eleitores aptos, incluindo quem pode votar em branco, anular ou se abster. Voto válido só existe depois da eleição e exclui exatamente esse público. Comparar um com o outro infla o resultado sem que um único voto novo tenha sido conquistado, porque o denominador encolhe. Feito o ajuste, o quadro apresentado é o seguinte: o presidente aparece acima do próprio desempenho de 2022 em oito dos dez estados pesquisados, com vantagem de 6,1 pontos percentuais em Pernambuco, 4,2 no Ceará, 3,3 em Goiás e 1,8 em São Paulo. Em Minas Gerais repete o patamar anterior, com 38% do eleitorado apto, e só no Paraná fica abaixo, com 28% contra os 29,6% de 2022. Projetado para o eleitorado nacional, o resultado equivaleria a cerca de 62,3 milhões de votos, quase 2 milhões a mais do que na eleição passada, mas ainda 39% dos 157,7 milhões de aptos, o mesmo percentual de 2022.
Os dois lados da cobertura convergem em alguns pontos. Nenhum contesta os números do levantamento de promessas nem a existência de pendências relevantes: as filas de consulta, exame e cirurgia acumuladas no SUS não foram zeradas, o Ministério da Segurança Pública não foi criado, a regulamentação do trabalho por aplicativo não virou lei e o orçamento participativo não substituiu o mecanismo de emendas herdado da gestão anterior. Também não há divergência sobre o dado de opinião mais incômodo para o governo: quando perguntados se o presidente merece mais quatro anos, a maioria dos entrevistados responde que não em todos os estados pesquisados fora do Nordeste.
A divergência está na interpretação. Veículos de esquerda destacaram que o índice acima de 80% foi obtido apesar de um Congresso majoritariamente hostil e de resistência política aberta, e que boa parte do que ficou pendente não depende do Executivo: o fim da escala 6x1 passou na Câmara e está parado no Senado, assim como a proposta de emenda constitucional da segurança pública. Essa leitura enfatiza a retomada de programas sociais e de saúde esvaziados no governo anterior, o fim do teto de gastos, a reforma tributária, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a segunda saída do país do Mapa da Fome da ONU. Já a leitura de veículos de direita sobre o mesmo conjunto de fatos enfatiza que promessa marcada como cumprida não equivale a serviço entregue, que o levantamento não contabiliza o custo fiscal da expansão de programas e que atribuir pendências ao Congresso ignora que construir maioria parlamentar é tarefa do próprio governo. Nessa chave, as pendências listadas são justamente as que o eleitor sente no cotidiano, e a rejeição a um quarto mandato fora do Nordeste é o indicador que importa.
O que ainda não se sabe é decisivo. As pesquisas citadas aparecem sem margem de erro, período de campo ou tamanho de amostra divulgados no material, e não há cenário nacional nem o desempenho dos adversários no recorte apresentado, apenas a posição do presidente. Também segue em aberto o comportamento da abstenção, que é o ponto central do argumento metodológico: o eleitorado do presidente tem propensão histórica maior a não comparecer, e foi isso que separou intenção declarada de voto efetivo em 2022. Não há, por fim, previsão para o destino no Senado dos projetos que o governo aponta como travados, nem avaliação independente sobre o critério usado para classificar cada promessa como cumprida, parcial ou pendente.
Os dois enquadramentos aceitam os números do levantamento de promessas e reconhecem as mesmas pendências: filas do SUS não zeradas, Ministério da Segurança Pública não criado, trabalho por aplicativo sem regulamentação e orçamento participativo não implantado. Nenhum lado contesta o dado de que, fora do Nordeste, a maioria dos entrevistados diz que o presidente não merece mais quatro anos de mandato.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O vocabulário é declaradamente de esquerda: fala em sabotagem da extrema direita, destruição do país no período anterior e desprezo pelas universidades públicas. Cada promessa pendente recebe uma justificativa que desloca a responsabilidade para o Congresso, o Senado ou estados e municípios, enquanto as promessas cumpridas são listadas com contraste explícito ao governo anterior. Há dados concretos e verificáveis, como os 73% de escolas com banda larga e a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, mas todos organizados dentro de uma narrativa de defesa da gestão.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
O texto é metodológico e evita vocabulário valorativo: explica o chamado paradoxo do denominador, corrige a comparação entre intenção de voto e votos válidos e apresenta os números estado a estado sem defender ou atacar o governo. Quando aponta que o presidente aparece acima de 2022 em oito dos dez estados, imediatamente relativiza com a projeção de 39% sobre o eleitorado apto e com o dado de que a maioria fora do Nordeste não acha que ele mereça mais quatro anos. O saldo é factual e simétrico, típico de análise de centro, apesar de o gancho do título sugerir veredito.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

O paradoxo do denominador eleitoral e por que pesquisas de intenção de voto não devem ser comparadas diretamente com votos válidos

Levantamento aponta que, dos 36 compromissos principais, 26 foram executados integralmente e quatro parcialmente
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Perspectivas omitidas



