O partido Mobiliza decidiu não lançar candidatura própria à Presidência da República nas eleições de 2026 e comunicou ao ex-deputado federal Cabo Daciolo, em 4 de agosto, que seu nome não estará na disputa. Segundo o presidente nacional da legenda, Antonio Carlos Massarollo, a sigla adotará neutralidade no primeiro turno e ficará fora de qualquer coligação ao Palácio do Planalto.
Daciolo havia se filiado ao Mobiliza em abril, durante a janela partidária, e anunciou a pré-candidatura em publicação nas redes sociais, ao lado de dirigentes da sigla, com o lema de campanha e um versículo bíblico. Na ocasião, defendeu uma plataforma de soberania nacional e criticou o que chamou de imperialismo norte-americano e chinês. Nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o início de agosto, marcava cerca de 1%: no levantamento BTG/Nexus divulgado em 3 de agosto, aparecia nesse patamar, empatado com outros nomes de partidos pequenos.
A cobertura de centro concentrou-se na decisão e na reação do ex-parlamentar. Um dos relatos registra que a definição partiu do presidente nacional do partido e que Daciolo respondeu nas redes com um trecho do livro do Apocalipse dirigido aos apoiadores. Dias antes, ele já havia alertado seguidores sobre as dificuldades para viabilizar a candidatura e pedido orações para que a direção mantivesse seu nome na corrida, atribuindo a resistência à atuação dos maiores partidos do país. Outro registro de centro deu destaque à surpresa do ex-deputado, que afirmou não ter sido informado sobre a convenção nacional em que a neutralidade foi decidida e disse não ter tido chance de defender sua candidatura.
Veículos de direita trouxeram a versão institucional da legenda e o eixo da viabilidade eleitoral. Nessa cobertura, o presidente do partido afirma que a sigla tentou, desde janeiro de 2025, formatar um projeto político de defesa da soberania nacional, mas não obteve êxito, e sustenta que em nenhum momento lançou qualquer nome. O mesmo enquadramento dedica espaço ao desempenho fraco nas pesquisas e ao resultado de 2018, quando Daciolo terminou a disputa presidencial em sexto lugar, com 1,26% dos votos válidos, na eleição vencida por Jair Bolsonaro.
Até o momento não houve cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio. Pelo enquadramento habitual desse campo, a leitura provável recairia sobre a democracia interna dos partidos: como a filiação partidária é condição obrigatória para concorrer no Brasil, a decisão de uma direção nacional funciona como filtro de acesso à disputa, e a alegação de um filiado de não ter sido convocado para a convenção que o excluiu tende a ser tratada como problema de representação, não apenas de estratégia.
Os relatos convergem nos fatos centrais: a recusa da candidatura, a neutralidade no primeiro turno e o patamar de cerca de 1% nas pesquisas. Divergem na ênfase e nas versões sobre o processo. O ex-deputado diz que anunciou publicamente a pré-candidatura e foi alijado sem aviso; a direção afirma que nunca chegou a lançar nome algum.
Ainda não se sabe a data exata da convenção nacional que decidiu a neutralidade nem por que o filiado não foi convocado. Também não está esclarecido por que outro filiado da mesma sigla aparece em pesquisa de intenção de voto se a legenda sustenta não ter lançado candidato, nem se o partido manterá a neutralidade em eventual segundo turno. Daciolo declarou que, neste momento, não pretende disputar outro cargo e que ficará em paz com a decisão.