Bernardo Santos, assessor de Romeu Zema, xinga eleitor em vídeo nas redes
1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- Estado de MinasEx-secretário chama de 'mongol' eleitor que diz não votar em ZemaBernardo Santos deixou a Secretaria de Comunicação Social em março para atuar na campanha presidencial de Zema; em vídeo, reage a eleitor que disse achar o ex-governador(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- Quem fala é o coordenador da comunicação de uma campanha à Presidência, não um apoiador anônimo.
- Bernardo Santos afirmou que não vai apagar o vídeo, então a gravação segue disponível durante o período eleitoral.
- O termo mongol atinge pessoas com Síndrome de Down e pode gerar cobrança de entidades de defesa de direitos.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro coloca em primeiro plano as ofensas e registra que o termo mongol é considerado capacitista.
- Veículos de direita dão destaque à justificativa do assessor e à mensagem preconceituosa contra pessoas do interior que, segundo ele, originou a reação.
- O centro liga o caso ao cargo público que Santos ocupou; a direita o trata como desabafo pessoal de quem opera a campanha.
Onde os lados concordam
Os dois lados que cobriram o caso registram os mesmos fatos: Bernardo Santos, assessor da campanha presidencial de Romeu Zema e ex-secretário de Comunicação Social de Minas Gerais, publicou um vídeo em que chama de imbecil, animal, babaca e mongol um eleitor que disse não votar no ex-governador.
O que ainda está incerto
- Romeu Zema, o partido Novo e a coordenação da campanha não se manifestaram sobre o episódio.
- Não se sabe quem é o eleitor que enviou a mensagem nem o teor completo do que ele escreveu.
- Não há informação sobre eventual medida disciplinar ou acionamento judicial pelo uso do termo capacitista.
Um vídeo publicado pelo assessor da campanha presidencial de Romeu Zema colocou a conduta nas redes sociais no centro do debate eleitoral. Bernardo Santos, que comandou a Secretaria de Comunicação Social de Minas Gerais por cerca de três anos, respondeu com ofensas a um eleitor que disse não votar no ex-governador e depois classificou a fala como um desabafo, sem apagar a gravação.
O engenheiro Bernardo Santos, ex-secretário de Comunicação Social do governo de Minas Gerais, ex-presidente do partido Novo no estado e hoje assessor da campanha presidencial de Romeu Zema, publicou um vídeo nas redes sociais em que responde com uma sequência de ofensas à mensagem de um eleitor que disse não pretender votar no ex-governador. Na gravação, Santos chama o autor da mensagem de “imbecil”, “animal”, “babaca” e “mongol”, e usa palavrões para rebater a crítica de que Zema seria um “capiau”.
Segundo o próprio assessor, a mensagem que motivou a reação dizia que o eleitor não votaria em Zema por considerá-lo interiorano e por achar que ele não sabe falar. No vídeo, Santos contrapõe o ex-governador ao que chama de “bonitão que mora em Brasília ou em São Paulo”, descrito por ele como alguém que sempre viveu de política, e afirma que “quem produz e sustenta o Brasil está no interior”. Em outro trecho, diz que “o Brasil tem que se f... mesmo”, porque, na avaliação dele, quem escolhe o voto por preconceito contra pessoas do interior não mereceria nada melhor. Bernardo Santos deixou a Secretaria de Estado de Comunicação Social em março deste ano, depois de cerca de três anos à frente da pasta, para atuar na campanha de Zema à Presidência da República.
A cobertura de centro relatou o episódio com foco na sequência de ofensas e acrescentou um dado de contexto: o termo “mongol”, usado no vídeo, era empregado até o século passado para se referir a pessoas com Síndrome de Down e foi abolido por ser considerado capacitista e preconceituoso. Essa cobertura também situou o caso na trajetória recente do governo mineiro, lembrando a saída de Santos do secretariado e as mudanças no primeiro escalão provocadas pelo calendário eleitoral.
Veículos de direita enfatizaram a resposta do próprio assessor, procurado depois da repercussão. Santos afirmou discordar do modo como os eleitores estão decidindo o voto para presidente, disse que fala com muita gente o tempo inteiro por trabalhar na campanha e classificou como revoltante a ideia de que o jeito de falar seja atributo de qualificação para o cargo. Sobre a frase mais dura do vídeo, afirmou que se exaltou e que foi “um momento de desabafo”. Declarou ainda que não pretende remover a gravação das redes e negou que as ofensas dirigidas a Romeu Zema nos comentários abalem o candidato.
Veículos de esquerda não aparecem na cobertura reunida sobre o caso, de modo que dois ângulos ficam sem desenvolvimento no material: o peso do termo capacitista dirigido a pessoas com Síndrome de Down e a responsabilidade de quem coordena a comunicação de uma campanha presidencial pelo tom do debate público. A divergência entre os dois lados que cobriram o episódio está menos nos fatos, que são idênticos nas duas versões, e mais no que cada um coloca em primeiro plano: de um lado, a natureza das ofensas e o histórico do cargo público ocupado por Santos; de outro, a mensagem preconceituosa que ele diz ter recebido e a justificativa que apresentou depois.
Ainda não se sabe se Romeu Zema, o partido Novo ou a coordenação da campanha vão se manifestar sobre o vídeo, nem se haverá alguma consequência interna para o assessor. Também não foi divulgada a identidade do eleitor que enviou a mensagem, nem o teor integral do que ele escreveu, e não há informação sobre eventual acionamento de entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência em razão do termo empregado na gravação.
Fontes

Bernardo Santos deixou a Secretaria de Comunicação Social em março para atuar na campanha presidencial de Zema; em vídeo, reage a eleitor que disse achar o ex-governador

Procurado pelo ‘Estadão’, Bernardo Santos se disse indignado por ofensas de cunho xenofóbico que o candidato mineiro vem sofrendo