Oito doadores, entre empresários que dividiram negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro e familiares deles, destinaram ao menos R$ 2,68 milhões a campanhas eleitorais deste ano em Minas Gerais. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e o relato abaixo se apoia nessa fonte única, que cruzou dados da Receita Federal com os do Tribunal Superior Eleitoral consultados até 30 de setembro. A reportagem afirma que não há indícios de irregularidades nas doações.
Os recursos chegaram diretamente a 12 candidaturas de oito partidos, além dos diretórios mineiros do PSD e do União Brasil. Do total, R$ 1,98 milhão foi para candidatos e R$ 700 mil para diretórios partidários. Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas, recebeu a maior soma, R$ 750 mil. Em seguida aparecem Nikolas Ferreira, do PL, candidato a deputado federal, com R$ 350 mil, e Gabriel Azevedo, do MDB, também candidato ao governo, com R$ 300 mil.
Os vínculos passam pela mineradora Itaminas e pela Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG. Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está preso preventivamente desde 4 de março, por ordem do Supremo Tribunal Federal a pedido da Polícia Federal. A Operação Compliance Zero apura fraudes bilionárias no sistema financeiro envolvendo o banco. Em julho de 2024, ele liderou a compra da Itaminas ao lado das famílias Géo e Gontijo, por cerca de US$ 295 milhões. Em setembro de 2025, vendeu sua metade aos demais acionistas por R$ 401 milhões. Argeu de Lima Géo e o irmão João de Lima Géo Filho doaram R$ 250 mil cada ao diretório estadual do PSD, partido do governador Mateus Simões, candidato à reeleição.
No Atlético-MG, Vorcaro entrou na sociedade por meio do fundo Galo Forte. Um aporte de R$ 530 milhões, liderado pela família de Rubens Menin, fundador da construtora MRV, elevou a participação dele e do filho Rafael a 83,5% e diluiu o fundo. Mário Lúcio Pinheiro Menin, primo de Rubens, doou R$ 350 mil a Roscoe. A esposa de Rubens, Beatriz Nazareth Teixeira de Souza, doou R$ 280 mil, e o sobrinho Sérgio Fischer repassou R$ 200 mil a Nikolas Ferreira e R$ 200 mil ao diretório mineiro do União Brasil. O próprio Rubens Menin destinou R$ 100 mil a duas candidaturas a deputado estadual.
Quanto às respostas, a assessoria da Itaminas disse que a empresa não se posicionaria. A assessoria da MRV afirmou que a companhia não pode comentar decisões de cunho pessoal ligadas ao processo democrático. Gabriel Azevedo disse que nunca encontrou Vorcaro nem teve relação pessoal, política ou profissional com ele, e que as doações vieram da convivência no Atlético, sem participação do banqueiro. Roscoe e Nikolas Ferreira não retornaram, e a assessoria de Mateus Simões não respondeu.
Como só um veículo tratou do assunto, não há ainda divergência de cobertura a comparar: nenhum veículo de esquerda, de centro ou de direita apresentou outro enquadramento. O que ainda não se sabe é se haverá questionamentos formais sobre as doações, quais candidatos pretendem se manifestar e qual será o desfecho da disputa judicial sobre as ações da Itaminas.