Empresários que dividiram negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e familiares deles destinaram ao menos 2,68 milhões de reais a campanhas eleitorais de 2026 em Minas Gerais. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando o resultado de um cruzamento entre dados da Receita Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, consultados até 30 de setembro. Segundo a reportagem, não há indícios de irregularidades nas doações.
São oito doadores. Do total, 1,98 milhão de reais foi direto para 12 candidaturas de oito partidos, e 700 mil reais foram para os diretórios mineiros do Partido Social Democrático, o PSD, e do União Brasil. O candidato do Partido Liberal ao governo de Minas, Flávio Roscoe, recebeu a maior soma, 750 mil reais. Em seguida aparecem o deputado federal Nikolas Ferreira, também do Partido Liberal, com 350 mil reais, e Gabriel Azevedo, do MDB, candidato ao governo, com 300 mil reais.
Os vínculos com Vorcaro passam por dois negócios. O primeiro é a mineradora Itaminas, comprada em 2024 pelo banqueiro ao lado das famílias Géo e Gontijo. Vorcaro vendeu sua metade em setembro de 2025 por 401 milhões de reais. Argeu de Lima Géo e o irmão João de Lima Géo Filho doaram 250 mil reais cada ao diretório estadual do PSD, partido do governador Mateus Simões, candidato à reeleição. O segundo negócio é a Sociedade Anônima do Futebol do Atlético Mineiro. Ali, Rubens Menin, fundador da construtora MRV, e o filho Rafael passaram a deter 83,5 por cento após um aporte de 530 milhões de reais, que diluiu o fundo ligado a Vorcaro. Integrantes da família Menin, como a esposa Beatriz, a filha Maria Fernanda, o sobrinho Sérgio Fischer e o primo Mário Lúcio Pinheiro Menin, doaram a candidatos do Partido Liberal, do MDB e do Novo.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, por ordem do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Polícia Federal. A Operação Compliance Zero apura fraudes bilionárias no sistema financeiro envolvendo o Banco Master.
A reportagem procurou os citados. A Itaminas disse que não se posicionaria. A MRV afirmou que a companhia não comenta decisões pessoais relacionadas ao processo democrático. Gabriel Azevedo declarou que nunca encontrou Vorcaro, que apoiou a destituição do banqueiro do conselho do clube e que as doações vieram da convivência no Atlético. Flávio Roscoe, Nikolas Ferreira, Mateus Simões e o União Brasil não responderam.
Ainda não se sabe se outras doações ligadas à mesma rede aparecerão até o fim da prestação de contas, nem qual peso esses valores têm no total arrecadado por cada campanha. Também segue em discussão na Justiça o valor pago pela fatia de Vorcaro na Itaminas.