Uma semana depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação ligada ao caso Banco Master, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), virou o centro de um impasse dentro do Palácio do Planalto. A apuração mirou o senador em razão de sua relação com Augusto Lima, apontado como sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Desde então, cresceu nos bastidores a pressão para que Wagner deixe a liderança do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador devem se reunir em Brasília para definir os próximos passos, e a expectativa entre aliados é a de um afastamento construído em comum acordo.
A cobertura de centro relatou que, logo após a operação, integrantes do Planalto chegaram a trabalhar com a hipótese de um afastamento temporário do senador, para que ele pudesse se dedicar à defesa. O roteiro não prosperou: ainda naquele dia, Wagner concedeu entrevista, descartou a saída e afirmou ter recebido uma ligação de apoio de Lula. Um interlocutor do governo resumiu a preocupação em três elementos, o boato, o fato e a foto. O boato seriam as especulações sobre conexões de integrantes do PT baiano com o caso; o fato, o avanço da investigação sobre o senador; e a foto, as imagens da apreensão de dinheiro em endereços ligados ao seu entorno. A avaliação predominante é que a permanência de Wagner dificulta separar a imagem do governo das investigações às vésperas do ano eleitoral.
Veículos de esquerda enfatizaram o ponto de vista do senador e de seu entorno. Para esse lado, Wagner não é apegado ao cargo, mas quer preservar a presunção de inocência e evitar que a saída soe como pré-julgamento, já que a investigação ainda não se transformou em denúncia. Aliados afirmam que o incômodo está menos na saída em si e mais na forma como a decisão pode ser apresentada, e que o senador se irritou com o que considera um movimento orquestrado por alguns ministros do Planalto. Citam ainda o tratamento dado por Lula à saída de Juscelino Filho do Ministério das Comunicações, que deixou o cargo apenas depois de a Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia. Pesa também a amizade de quase cinquenta anos entre Lula e Wagner, que, segundo aliados, recomenda uma solução sem constrangimentos.
Veículos de direita, em tom mais crítico, enfatizaram que a permanência do senador tornou-se insustentável. Nessa leitura, a Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, expôs as ligações do líder do governo com o esquema investigado e dá munição à oposição. Governadores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema apareceriam dispostos a explorar o episódio, e parlamentares de oposição articulariam usar o caso para pressionar votações de interesse do Planalto e travar projetos de arrecadação do Executivo. A defesa do senador, por sua vez, acionou o Supremo e pediu a anulação das buscas por falta de fundamentos.
O que ainda não se sabe é se e quando Wagner formalizará a entrega do cargo. A decisão dependeria da conversa com Lula, e nomes como o do senador Rogério Carvalho (PT-SE) circulam como possíveis substitutos na liderança. Também permanecem em aberto os desdobramentos jurídicos da operação, incluindo a resposta do Supremo ao pedido de anulação das buscas e os próximos passos da Polícia Federal na investigação do caso Banco Master.