Campanha de Flávio Bolsonaro pede ao TSE liminar contra fala de Lula na ONU
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A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), com o candidato a vice Alfredo Gaspar, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral e novos pedidos de liminar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB). A chapa sustenta que eventos oficiais, prédios públicos, programas de governo e canais de comunicação federais foram convertidos em instrumentos de promoção eleitoral, e inclui no pacote o discurso de Lula na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em que o presidente mencionou a eleição de 4 de outubro. O processo foi encaminhado ao gabinete do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, com pedido de decisão urgente para barrar o uso de trechos do pronunciamento na propaganda petista.
Para o enquadramento conservador, o caso é de igualdade de armas na disputa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a tribuna da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), custeada pelo contribuinte, para tratar da eleição de 4 de outubro e opor democracia a negacionismo, convertendo ato de chefe de Estado em palanque político.
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Há acordo sobre os fatos básicos: Lula tratou da eleição de 4 de outubro no fim do discurso na Assembleia Geral da ONU, sem citar Flávio Bolsonaro pelo nome, e a chapa do PL levou o caso ao TSE com pedido de liminar. Também não se contesta que em 2022 o tribunal rejeitou por unanimidade três ações equivalentes contra Jair Bolsonaro, depois de ter proibido por liminar o uso daqueles discursos na propaganda.
A campanha de Flávio Bolsonaro levou ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação que acusa Lula de converter eventos oficiais, programas de governo e a tribuna da Assembleia Geral da ONU em promoção da candidatura à reeleição. O pedido de liminar quer impedir o uso de trechos do discurso na propaganda, a menos de duas semanas da votação de 4 de outubro.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, abriu uma nova frente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB). O alvo é duplo: o discurso que Lula fez na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no dia 22 de setembro, e um conjunto de agendas oficiais que a chapa adversária classifica como promoção eleitoral custeada pelo poder público. A ofensiva combina uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, que lista 19 episódios de eventos oficiais, e pedidos de liminar para impedir que trechos do pronunciamento circulem na propaganda petista. O processo foi encaminhado ao gabinete do presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques.
A cobertura de centro relatou que esta não é a primeira investida: a própria campanha do PL afirma ter protocolado ao menos 14 representações em pouco mais de cinco meses sobre o mesmo tema. Na representação apresentada no dia 22, os compromissos questionados foram uma visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros, em Minas Gerais, e um evento em instalações da Polícia Rodoviária Federal, no Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de setembro. A lista anterior inclui entrevista concedida no Palácio do Planalto, encontros sobre terras raras, um vídeo a respeito do Banco Master, atos ligados a medidas sobre combustíveis e transmissões produzidas no Palácio da Alvorada.
Todos os lados convergem sobre o conteúdo do discurso. Lula reservou o trecho final da fala na ONU para tratar da eleição de 4 de outubro, afirmou que os brasileiros decidirão entre democracia e negacionismo, disse que alguns candidatos se associam a interesses estrangeiros contrários ao país e sustentou que o Brasil não permitirá interferência no processo eleitoral. Não citou Flávio Bolsonaro pelo nome. Também é ponto comum o precedente de 2022: o TSE rejeitou por unanimidade três ações contra o então presidente Jair Bolsonaro por falas na Assembleia Geral e no funeral da rainha Elizabeth II, reconhecendo conotação eleitoral, mas sem gravidade suficiente para configurar abuso de poder, depois de já ter proibido por liminar o uso daqueles discursos na propaganda.
A divergência começa no significado desses fatos. Veículos de direita enfatizaram a expressão palanque político e organizaram o texto em torno do argumento jurídico da chapa do PL, segundo o qual a lei eleitoral e a jurisprudência do próprio tribunal vedam o uso da estrutura pública em favor de uma candidatura, o que exigiria intervenção imediata para evitar que o pronunciamento seja explorado em material de campanha. A cobertura de centro deu peso maior ao histórico que enfraquece a tese e citou a advogada da campanha sustentando que o caso é idêntico ao de 2022 e que a improcedência daquela vez foi, em boa medida, resultado da liminar concedida na época. Veículos de esquerda não registraram o caso no conjunto analisado; a leitura provável desse campo trata a sequência de 14 ações como litígio serial destinado a desgastar o adversário, entende inauguração de obra e retomada de programa como prestação de contas de política pública e vê no pedido de proibição de trechos de um discurso presidencial uma restrição prévia à palavra do chefe de Estado.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há decisão do ministro relator sobre os pedidos de urgência, nem prazo anunciado para o julgamento da ação principal. A defesa presidencial pediu que a chapa adversária seja condenada por litigância de má-fé, e a campanha de Flávio Bolsonaro pede que esse pedido seja rejeitado, sem que nenhum dos dois pontos tenha sido apreciado. Também não foi divulgada a lista completa e datada dos 19 episódios citados na ação, nem manifestação própria de Lula ou de Alckmin sobre as acusações, o que deixa em aberto se o tribunal repetirá a solução de 2022 ou tratará o caso sob outro critério a menos de duas semanas da votação.
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