Flávio Bolsonaro aciona STF contra Lula novamente por fala sobre enforcamento de 'traidores'
15 veículos de centro · 8 veículos de direita

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O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, protocolou em 28 de julho uma nova petição no Supremo Tribunal Federal pedindo que Lula seja investigado por ameaça e incitação ao crime, depois de o presidente repetir, na convenção do PDT em 20 de julho, que antigamente traidor era enforcado. No mesmo dia, o senador optou por enviar esclarecimentos por escrito à Polícia Federal no inquérito que apura suposta calúnia contra Lula, e o ministro Alexandre de Moraes devolveu o caso à Procuradoria-Geral da República, que tem 15 dias para se manifestar. Dois dias depois, a Federação Brasil da Esperança acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra o senador e outros parlamentares por uma rede de perfis que usaria inteligência artificial para atacar o presidente.
Na leitura à direita, o caso expõe um desequilíbrio institucional: enquanto o candidato de oposição é obrigado a se explicar em inquérito criminal por uma postagem em rede social, o presidente da República repete publicamente que traidor era enforcado, associa adversários à traição da pátria e não sofre qualquer consequência.
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Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: viés de esquerda.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Todos os lados registram os mesmos fatos: o presidente repetiu em 20 de julho a associação entre traição à pátria e enforcamento, o senador levou o episódio ao Supremo em nova petição no dia 28, enviou defesa por escrito à Polícia Federal no inquérito por suposta calúnia e, em 30 de julho, a federação governista acionou o tribunal eleitoral contra ele por uso de conteúdo produzido com inteligência artificial.
O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, candidato à Presidência da República, protocolou em 28 de julho uma nova petição no Supremo Tribunal Federal contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento foi encaminhado ao ministro Kassio Nunes Marques, relator de uma notícia-crime apresentada em 11 de junho, e pede que sejam investigados os crimes de ameaça e de incitação ao crime. O gatilho da nova manifestação é um discurso feito pelo presidente em 20 de julho, na convenção do PDT, em Brasília, quando ele afirmou que antigamente traidor era enforcado, porque trair a pátria é algo muito grave, e disse que hoje há vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir punição ao Brasil, sem citar nomes.
O episódio original é anterior. Em 2 de junho, durante evento em Catalão, em Goiás, o presidente chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de traidores e vendilhões da pátria e citou o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, ao comentar o tarifaço norte-americano de até 25% sobre produtos brasileiros. Nas duas falas há um erro histórico registrado de forma independente por diferentes redações: quem morreu enforcado após a Inconfidência Mineira foi o próprio Tiradentes, não o seu delator, que acabou recompensado pela Coroa portuguesa.
No mesmo 28 de julho corria outro processo, em sentido inverso. O senador decidiu não comparecer ao depoimento marcado na Polícia Federal, no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente, e enviou esclarecimentos por escrito. A investigação, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, trata de uma publicação do parlamentar em rede social no dia 3 de janeiro, em que associou o presidente a tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e apoio a ditaduras. A Polícia Federal concluiu em 26 de junho pela prática de calúnia; com a ausência do depoimento presencial, o inquérito voltou à Procuradoria-Geral da República, que tem 15 dias para dizer se apresenta denúncia.
A cobertura de centro concentrou-se nessa cronologia processual, transcrevendo as falas presidenciais, os trechos da petição e a decisão do relator, e registrando que a Presidência da República foi procurada e não respondeu. Veículos de direita enfatizaram os argumentos da defesa: o inquérito teria sido aberto sem representação do ofendido, o presidente não foi ouvido, todos os pedidos de prova foram negados e a liberdade de expressão protegeria críticas severas a agentes públicos. Nessa leitura, a fala sobre enforcamento, repetida mesmo após a primeira ação judicial, demonstraria dolo e criaria risco concreto à vida do candidato, num país que já viveu um atentado contra presidenciável em 2018.
Veículos de esquerda deslocaram o foco para o outro flanco da disputa. Em 30 de julho, a Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra o senador e os deputados Mário Frias, Gustavo Gayer e Gilvan da Federal, além de um pré-candidato ao governo do Rio, por uma rede de perfis que usaria inteligência artificial para atacar o presidente. A petição, de 218 páginas, aponta 90 publicações em 31 contas do Instagram, alcance estimado em mais de 10 milhões de pessoas, uso do recurso de publicação colaborativa e monetização por venda de cursos, Pix e criptomoedas. A base é a resolução eleitoral que exige identificação de conteúdo sintético e proíbe material manipulado para favorecer ou prejudicar candidaturas. Na mesma linha, um deputado acionou a Procuradoria-Geral da República por um vídeo feito com inteligência artificial exibido na convenção do PL, em 25 de julho, no qual o ex-presidente, sob medidas cautelares que o impedem de manifestações eleitorais, pede apoio ao filho.
A campanha do senador respondeu por nota que a representação não alega uso de perfis falsos e que o campo governista pretende censurar a circulação de memes feitos por cidadãos comuns. Em 1º de agosto, a equipe do parlamentar anunciou que também irá à Justiça Eleitoral contra pedidos de voto feitos pelo presidente em convenção em Salvador, antes do prazo legal de 15 de agosto. O pano de fundo é uma disputa apertada: pesquisas divulgadas na semana apontam o presidente à frente no cenário nacional de primeiro turno, com 42% contra 33%, enquanto um recorte estadual no Paraná mostra ampla vantagem do senador.
O que ainda não se sabe é decisivo.
O petista pediu apoio nas urnas para si e aliados durante convenção partidária em Salvador

Federação acusa parlamentares de impulsionar rede coordenada de perfis falsos, monetizar ataques e divulgar conteúdo de IA sem identificação.

Entre os nomes que tentam romper a polarização, cofundador do MBL tem 3% das intenções de voto; Caiado (PSD) é o segundo que mais gastou de acordo com a Meta

Pré-candidato do PL não se manifesta; também alvo da representação, deputado Gilvan da Federal (PL-ES) nega qualquer ilícito

Federação Brasil da Esperança identifica rede de perfis anônimos ligados a Bolsonaro que usam IA para atacar Lula e pede ação ao TSE. Leia no Poder360.

Ação afirma que parlamentares impulsionam estrutura coordenada de perfis que produz conteúdo sintético para atacar o presidente e pede remoção das publicações

Federação cita proibição do uso de deepfake e da monetização em canais que veiculam propaganda eleitoral; procurados, Flávio cita censura e outros citados não se manifestaram

Ação da campanha reúne centenas de publicações mapeadas nas redes sociais

Petistas pedem retirada de 90 posts com conteúdo sintético ofensivo em perfis do Instagram de parlamentares do PL

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A edição desta quarta-feira (29) destaca, entre outros assuntos, a ação de Flávio Bolsonaro contra Lula no STF por nova fala.
Deputado petista argumenta que o uso desse tipo de material pode configurar propaganda eleitoral irregular.

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Pedido para adiamento foi feito pela defesa do candidato, que quer esclarecimentos por escrito

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