O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enviou ao USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, um documento no qual afirma que a confirmação do tarifaço de 25% proposto pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros daria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma 'vitória política'. Com base nesse argumento, o senador pediu que a medida fosse suspensa, ao menos até depois das eleições presidenciais de outubro. O documento foi protocolado em 1º de julho e, no dia 7 de julho, Flávio participou de uma audiência pública do órgão americano, em Washington, onde falou por cinco minutos e pediu diretamente que os Estados Unidos não taxem o Brasil.
A cobertura de centro relatou os fatos com detalhe. O parlamentar sustenta que as tarifas fortalecem Lula eleitoralmente, cita pesquisas de intenção de voto para embasar o argumento e defende que sanções direcionadas a indivíduos, como a Lei Magnitsky aplicada ao ministro Alexandre de Moraes, seriam mais eficazes do que uma sobretaxa que atinge toda a economia. Veículos de centro também registraram que o governo Lula vê motivação puramente eleitoral na atuação do senador, que integrantes do Executivo afirmaram que ele frustrou empresários ao priorizar críticas ao governo, e que a decisão final dos EUA está prevista para até 15 de julho.
Veículos de direita enfatizaram o mérito do argumento de Flávio: uma tarifa de 25% recairia sobre exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos, e não sobre as autoridades que o governo Trump diz querer pressionar. Nessa leitura, Lula teria transformado o embate comercial em ativo político doméstico por inclinação ideológica, aproximando o Brasil de países antiamericanos, e a taxação recompensaria justamente quem se pretende punir. Parte dessa cobertura, no entanto, também registrou a avaliação de que a carta gerou desgaste para a oposição e que Lula soube extrair ganho político do episódio.
Veículos de esquerda destacaram o outro lado. Descreveram a ida de Flávio a Washington como 'entreguismo' e submissão a interesses estrangeiros, lembrando que o senador pediu a um governo estrangeiro que calibrasse tarifas com efeito sobre as urnas brasileiras. Essa cobertura enfatizou a queda do senador nas pesquisas, citando levantamento da AtlasIntel com 53% de rejeição, e reproduziu as reações do presidente Lula, que chamou a família Bolsonaro de 'traidores da pátria', e de aliados como Guilherme Boulos, que falou em 'diplomacia clandestina', e Lindbergh Farias, que classificou o senador como 'lacaio de Trump'.
O episódio remonta ao encontro de Flávio com Trump na Casa Branca, em maio, e ao primeiro tarifaço, quando o senador e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condicionaram o fim das taxas à anistia ao pai, Jair Bolsonaro. Governadores também entraram no debate: Romeu Zema culpou a política externa de Lula pelo tarifaço, enquanto Ronaldo Caiado avaliou que Flávio no segundo turno favoreceria a reeleição do petista.
O que ainda não se sabe é se Trump aplicará a tarifa, qual será o resultado das novas rodadas de negociação técnica entre Brasil e Estados Unidos e como o episódio afetará, na prática, a corrida presidencial. A decisão americana estava prevista para até 15 de julho.