O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, afirmou que pretende escolher uma mulher "qualificada" para ocupar a vaga de vice em sua chapa. A declaração foi feita em Goiânia, durante o lançamento da pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás. No discurso, Flávio elogiou Ana Paula Rezende, pré-candidata a vice-governadora no estado, e disse pedir a Deus para contar com uma companheira de chapa tão qualificada e disposta a colaborar com o futuro do país.
A fala ocorreu em meio a um desgaste público entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na semana anterior, Michelle divulgou vídeos nas redes sociais nos quais relatou ter sido desrespeitada e humilhada pelo enteado durante uma conversa telefônica sobre decisões partidárias. Segundo ela, Flávio teria dito que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do PL e que não entendia de política. Após a repercussão, o senador pediu desculpas, primeiro em nota e depois em vídeo, e classificou o episódio como "página virada".
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade, reproduzindo tanto a fala de Flávio quanto as acusações de Michelle, e detalhou a estratégia eleitoral por trás da escolha. Segundo aliados ouvidos por esses veículos, a aposta em uma vice mulher busca frear efeitos negativos junto ao eleitorado feminino. Entre os nomes cotados aparecem as parlamentares Tereza Cristina, Julia Zanatta e Bia Kicis, além da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, vista como perfil técnico e moderado.
Veículos de direita enfatizaram o tom de maturidade e união do discurso de Flávio, destacando a valorização de um perfil qualificado para a vice e o esforço de superar "pequenas diferenças" internas para fortalecer o projeto do PL. Nessa leitura, o pedido de desculpas e a inclusão de nomes técnicos na pré-campanha sinalizam seriedade na montagem da candidatura.
Veículos de esquerda, por sua vez, tendem a ler a promessa de uma vice mulher como cálculo eleitoral para conter a rejeição feminina ao bolsonarismo, e não como compromisso com representatividade. Para esse enquadramento, há contradição entre prometer uma mulher "qualificada" e, ao mesmo tempo, silenciar a ex-primeira-dama, que relatou ter sido instruída a se afastar das decisões do partido.
O que ainda não se sabe é quem de fato comporá a chapa: a definição do nome para a vice-presidência segue em construção e deve ocorrer ao longo das negociações internas do PL nos próximos meses. Também permanece em aberto se a reconciliação com Michelle Bolsonaro é definitiva ou apenas uma trégua momentânea diante da pré-campanha.