O fundo eleitoral e a Bahia
Relato de fonte única, atribuído a UOL. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Os partidos vão dividir cerca de R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) nas eleições de 2026. A redistribuição interna mudou o ranking: o PL saltou para a liderança com R$ 881,7 milhões, o PT ficou com R$ 615,4 milhões e o União Brasil sofreu a maior queda entre os grandes, caindo para R$ 526,2 milhões. Na Bahia, esses partidos formam o front da disputa por governo e Senado. No PT, a sugestão do presidente nacional Edinho Silva de descentralizar a divisão do fundo dos deputados aos diretórios estaduais gerou reação contrária da bancada.
Briefing
O que importa para você
- PL: R$ 881,7 milhões (alta de 205,6%), maior bancada da Câmara (98 deputados).
- PT: R$ 615,4 milhões; Lula deve receber cerca de R$ 120 milhões.
- União Brasil: R$ 526,2 milhões, queda de 32,8%.
- PSD: R$ 421 milhões, mira eleger 9 a 12 deputados federais na Bahia.
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza o fundo público como salvaguarda contra o caixa privado proibido pelo STF e instrumento de inclusão (cotas para candidaturas femininas, pretas e pardas).
- Direita enfatiza que o dinheiro é do contribuinte e que a partilha recompensa o desempenho nas urnas, projetando o PL e a campanha de Flávio Bolsonaro.
Onde os lados concordam
Todos os lados reconhecem que o fundo eleitoral de 2026 soma cerca de R$ 4,96 bilhões e que a redistribuição interna fortaleceu o PL, ampliou o PT e enfraqueceu o União Brasil, reconfigurando a competição entre os partidos.
O que ainda está incerto
Os partidos políticos brasileiros vão dividir cerca de R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, nas eleições de 2026. O montante mantém o tamanho nominal de 2022, mas a redistribuição interna entre as 30 legendas reconfigurou o equilíbrio de forças entre os partidos e já influencia tanto a corrida presidencial quanto disputas estaduais como a da Bahia.
A cobertura de centro relatou que a mudança mais expressiva foi a ascensão do PL, que saltou da sétima posição em 2022 para a liderança absoluta, com R$ 881,7 milhões, um crescimento de 205,6%. O salto é explicado pela ampliação da bancada do partido na Câmara, que passou de 37 para 98 deputados. O PT cresceu de forma mais moderada, chegando a R$ 615,4 milhões, enquanto o União Brasil sofreu a maior queda entre os grandes partidos, recuando 32,8% e caindo para R$ 526,2 milhões, o que lhe custou a liderança que tinha na eleição anterior.
Veículos de direita enfatizaram que o fundo, de quase R$ 5 bilhões, é bancado integralmente por recursos públicos, e que a nova distribuição recompensa o desempenho nas urnas. Sob esse prisma, o crescimento financeiro inédito do PL projeta o partido como peça central na disputa presidencial de Flávio Bolsonaro e na articulação local da Bahia, ao lado de João Roma, podendo até reforçar a campanha de ACM Neto com recursos da sigla. Na avaliação desses veículos, a redistribuição mostra como o financiamento público redesenha as relações de poder a cada ciclo.
Veículos de esquerda destacaram que o FEFC nasceu em 2017, logo após o Supremo Tribunal Federal proibir as doações empresariais a campanhas, com o objetivo de conter o caixa privado que distorcia a competição em favor de quem tinha mais dinheiro. Nesse enquadramento, o financiamento público é uma salvaguarda democrática, e a reserva de recursos para candidaturas femininas, pretas e pardas reforça o caráter inclusivo da partilha. A federação formada por PT, PC do B e PV busca chegar a cerca de 100 cadeiras na Câmara para ampliar a sustentação do governo Lula.
No plano interno do PT, a cobertura de centro relatou uma divergência sobre como dividir a verba. Em reunião com a bancada, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, sugeriu repassar aos diretórios estaduais a decisão sobre a partilha do fundo destinado aos deputados federais, com o argumento de que os dirigentes locais conhecem melhor quais candidaturas têm mais chances. A proposta gerou forte reação. Deputados afirmaram, sob reserva, que temem ser preteridos por não pertencerem à mesma corrente dos dirigentes estaduais, num partido marcado por várias tendências internas. Pelo desenho proposto, o diretório nacional decidiria os recursos das campanhas presidencial, de governadores e de senadores, e Lula, que tentará a reeleição, deve receber cerca de R$ 120 milhões.
Fontes
Em reunião com a bancada, Edinho Silva sugeriu que partilha fosse feita por dirigentes estaduais

Divisão de fundo eleitoral para campanha causa divergência no PT Folha de S.Paulo