Os partidos políticos brasileiros vão dividir cerca de R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, nas eleições de 2026. O montante mantém o tamanho nominal de 2022, mas a redistribuição interna entre as 30 legendas reconfigurou o equilíbrio de forças entre os partidos e já influencia tanto a corrida presidencial quanto disputas estaduais como a da Bahia.
A cobertura de centro relatou que a mudança mais expressiva foi a ascensão do PL, que saltou da sétima posição em 2022 para a liderança absoluta, com R$ 881,7 milhões, um crescimento de 205,6%. O salto é explicado pela ampliação da bancada do partido na Câmara, que passou de 37 para 98 deputados. O PT cresceu de forma mais moderada, chegando a R$ 615,4 milhões, enquanto o União Brasil sofreu a maior queda entre os grandes partidos, recuando 32,8% e caindo para R$ 526,2 milhões, o que lhe custou a liderança que tinha na eleição anterior.
Veículos de direita enfatizaram que o fundo, de quase R$ 5 bilhões, é bancado integralmente por recursos públicos, e que a nova distribuição recompensa o desempenho nas urnas. Sob esse prisma, o crescimento financeiro inédito do PL projeta o partido como peça central na disputa presidencial de Flávio Bolsonaro e na articulação local da Bahia, ao lado de João Roma, podendo até reforçar a campanha de ACM Neto com recursos da sigla. Na avaliação desses veículos, a redistribuição mostra como o financiamento público redesenha as relações de poder a cada ciclo.
Veículos de esquerda destacaram que o FEFC nasceu em 2017, logo após o Supremo Tribunal Federal proibir as doações empresariais a campanhas, com o objetivo de conter o caixa privado que distorcia a competição em favor de quem tinha mais dinheiro. Nesse enquadramento, o financiamento público é uma salvaguarda democrática, e a reserva de recursos para candidaturas femininas, pretas e pardas reforça o caráter inclusivo da partilha. A federação formada por PT, PC do B e PV busca chegar a cerca de 100 cadeiras na Câmara para ampliar a sustentação do governo Lula.
No plano interno do PT, a cobertura de centro relatou uma divergência sobre como dividir a verba. Em reunião com a bancada, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, sugeriu repassar aos diretórios estaduais a decisão sobre a partilha do fundo destinado aos deputados federais, com o argumento de que os dirigentes locais conhecem melhor quais candidaturas têm mais chances. A proposta gerou forte reação. Deputados afirmaram, sob reserva, que temem ser preteridos por não pertencerem à mesma corrente dos dirigentes estaduais, num partido marcado por várias tendências internas. Pelo desenho proposto, o diretório nacional decidiria os recursos das campanhas presidencial, de governadores e de senadores, e Lula, que tentará a reeleição, deve receber cerca de R$ 120 milhões.
Na Bahia, esses partidos formam o front da disputa majoritária a governador e senador. O PT comanda a coligação governista com Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner, o União Brasil sustenta a pré-candidatura de ACM Neto, ainda que enfraquecido nacionalmente, e o PL aparece fortalecido pelo crescimento do fundo. O PSD, parceiro estratégico da chapa governista, receberá R$ 421 milhões e calcula eleger entre 9 e 12 deputados federais no estado.
O que ainda não se sabe é como exatamente o PT vai definir suas regras de distribuição, tema que segue em debate no Grupo Tático Eleitoral da sigla, nem se a articulação bolsonarista na Bahia se traduzirá em apoio formal de ACM Neto a Flávio Bolsonaro. Também permanece em aberto o desfecho da resistência da bancada petista à proposta de descentralização defendida por Edinho Silva.