A pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a eleição de 2026 entrou numa fase de turbulência interna, marcada por uma disputa de poder dentro do próprio clã Bolsonaro. O estopim foi um vídeo de Michelle Bolsonaro que, segundo a cobertura, expôs uma rachadura política na família. Para se sustentar, Flávio passou a se apoiar nos irmãos: o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o pré-candidato ao Senado por Santa Catarina Carlos Bolsonaro, além do deputado Mário Frias e de Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
A cobertura de centro, como a do jornal O Dia, relatou de forma descritiva a rede de sustentação de Flávio no Rio de Janeiro e o avanço da ex-primeira-dama Michelle na disputa interna. No mesmo registro factual, a reportagem de pesquisa eleitoral do Estadão Conteúdo trouxe os números do levantamento BTG/Nexus: Flávio é o pré-candidato mais rejeitado entre os principais nomes, com 51% dos eleitores afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, à frente de Lula, com 49%. Ainda assim, a preferência por Flávio ou por outro nome indicado por Jair Bolsonaro cresceu de 31% para 36% em duas semanas. A pesquisa ouviu 2.009 eleitores entre 26 e 28 de junho, com margem de erro de dois pontos.
Veículos de esquerda enfatizaram o paradoxo da estratégia de Flávio. Para O Cafezinho, o senador tenta se apresentar como uma versão moderada e palatável do bolsonarismo, mas o ataque de Eduardo Bolsonaro a Michelle recolocou a família no modo de confronto permanente, sabotando essa tática. Segundo essa leitura, o bolsonarismo continua funcionando como família em disputa, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, precisou arbitrar publicamente em defesa de Michelle, transformando o conflito familiar em crise de comando partidário. Reportagem investigativa do ICL Notícias, por sua vez, mirou o coordenador da pré-campanha, o advogado José Vicente Santini, que comprou uma mansão de R$ 14,5 milhões em Brasília. Pressionado sobre a compatibilidade entre renda e patrimônio, Santini afirmou que seus recursos vêm da advocacia, de atividade empresarial e de herança, e disse fazer o que quiser com o próprio dinheiro.
A cobertura de centro registrou ainda a ofensiva internacional de Flávio. O Poder360 noticiou seu encontro com o presidente argentino Javier Milei, que declarou apoio e previu uma 'onda azul' liderada pelo senador. Veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram as promessas de política externa feitas por Flávio na Argentina: voltar a nomear embaixador em Israel, transferir a embaixada para Jerusalém em 2027 e aderir aos Acordos de Abraão. Flávio acusou Lula de antissemitismo e de ter rompido, na prática, a relação diplomática com Israel.
O que ainda não se sabe é como Flávio resolverá o dilema estrutural apontado pela cobertura: depender da família como capital político e, ao mesmo tempo, tentar parecer maior do que ela para ampliar o eleitorado. Também permanecem em aberto a comprovação documental sobre a origem do patrimônio do coordenador de sua campanha, a resposta do governo Lula às acusações de antissemitismo e o desfecho da disputa interna em torno de Michelle Bolsonaro.