O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, comparou nesta segunda-feira, 28 de setembro, a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de oferecer canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) à promessa de picanha feita pelo petista em eleições anteriores. Em entrevista a um podcast, Flávio disse que Lula não vai entregar os medicamentos e o acusou de fazer promessas inviáveis em busca de votos.
"Está faltando remédio para dor de cabeça na UBS e o cara está prometendo canetinha de R$ 3 mil por mês", afirmou o senador, em referência às Unidades Básicas de Saúde e aos remédios usados no tratamento da obesidade. "É a nova picanha dele. Ele vai prometer e não vai entregar." Na mesma entrevista, Flávio disse que Lula quer manter o pobre na pobreza, que os brasileiros pobres estão "na fila do osso" e citou Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, ao dizer que Lula é pai de um homem muito rico.
A oferta das canetas foi anunciada por Lula em 17 de setembro, durante visita a uma fábrica da farmacêutica Eurofarma em Montes Claros, Minas Gerais. Na ocasião, o presidente disse que os medicamentos seriam gratuitos para pessoas com obesidade, com indicação e acompanhamento médico. Na quinta-feira, 24, o Ministério da Saúde protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, um pedido de análise de remédios da classe GLP-1, à base de semaglutida ou liraglutida. A oferta depende da avaliação da comissão e de critérios clínicos que definam quem poderá receber o tratamento. O ministério também conduz um estudo com 250 pacientes com obesidade grave no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.
A cobertura de centro relatou o episódio a partir do mesmo texto de agência, registrando as falas do candidato e o andamento técnico do pedido na Conitec, sem ouvir a campanha de Lula. O único veículo de perfil de direita que publicou o caso reproduziu esse texto sem acrescentar enquadramento próprio. Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda sobre a declaração. Assim, a leitura que destaca o acesso de pacientes vulneráveis ao tratamento e a que enfatiza o custo e a falta de remédios básicos aparecem apenas nas falas dos personagens, e não na apuração dos veículos.
Ainda não se sabe qual será o custo do programa para o SUS, nem se o valor de R$ 3 mil por mês citado por Flávio corresponde ao preço que o governo pagaria. Também não há prazo para a decisão da Conitec, e a campanha de Lula não respondeu publicamente às críticas nas matérias analisadas.