O candidato do Partido Liberal à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou na terça-feira, 13 de outubro, que o governo quer comprar votos de Microempreendedores Individuais, os MEIs. A declaração veio depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, anunciar um pacote de medidas para o grupo, a 12 dias do segundo turno da eleição presidencial.
Segundo o relato, o pacote prevê o perdão de cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs, com potencial de alcançar até 3,6 milhões de pessoas. Entre as demais medidas estão o aumento do limite de faturamento da categoria, o chamado Pix MEI, com financiamento direto a empreendedores, e a dispensa de nota fiscal para vendas a pessoas físicas. Flávio citou ainda a elevação do limite a partir do qual o MEI passaria a pagar imposto de renda, ou a adoção de uma cobrança em várias faixas.
O candidato classificou o anúncio como irresponsável. Disse que o Pix só poderá ser pago a partir de janeiro do ano que vem e que o presidente nem poderia fazer isso agora, mas anuncia achando que pode comprar os MEIs. Também perguntou por que as medidas não foram adotadas nos quatro anos de mandato.
No mesmo dia, Flávio rebateu críticas de que seria uma ameaça à democracia. De acordo com o relato, na semana anterior ele havia dito que mudaria a Constituição, o que deu força a essas críticas. O candidato afirmou que, quanto mais os dias passam, mais as pessoas enxergam quem está entre a barbárie e a democracia, e que nenhum presidente defenderia mais as instituições do que ele.
Na tarde de terça, Flávio obteve o apoio da maioria dos 27 diretórios estaduais do Movimento Democrático Brasileiro, 16 no total. Outros 10 diretórios da legenda anunciaram apoio a Lula.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e a matéria traz sobretudo a fala de Flávio sobre o pacote. Por ser cobertura de fonte única, não há como comparar enquadramentos entre diferentes campos da imprensa.
O que ainda não se sabe: não há estimativa do impacto fiscal do perdão nem da fonte de recursos do Pix MEI, o cronograma de pagamento além da menção a janeiro não foi detalhado e o governo ainda não respondeu publicamente às acusações de compra de votos.