Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil a ONG ligada a miliciano do caso Marielle
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Resumo da cobertura
A Polícia Federal aponta que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência, negociou em 2023 com o miliciano Robson Calixto, o Peixe, o envio de uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 a uma organização não governamental em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por participar do assassinato da vereadora Marielle Franco. O senador afirma que a emenda seguiu a legislação.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Portal VermelhoFlávio bancou projeto de milicianos condenados pela morte de MariellePF suspeita de desvio de emenda parlamentar enviada ao Instituto sob influência dos irmãos Brazão e negociada pelo miliciano “Peixe”. Os três foram presos pela morte da vereadora
Análise editorial
Abre com 'um novo capítulo da relação da família Bolsonaro com a milícia carioca' e encadeia o caso com a campanha de Lula, Adriano da Nóbrega, Vorcaro e Bacellar, enquadramento de acusação política típico da esquerda. O título afirma que Flávio 'bancou projeto de milicianos', enquanto o corpo trata o desvio como suspeita da PF. Traz a nota da assessoria do senador em uma frase.
- Qualidade argumentativa
- 50/100
- Manipulação emocional
- 45/100
- Clickbait
- 45/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não informa se o senador ou a assessora são formalmente investigados
- Não detalha o que foi feito com o dinheiro repassado ao Ifop
- Afirma a prisão de Rodrigo Bacellar por ligação com o Comando Vermelho sem contexto nem fonte
Falácias identificadas
- Culpa por associação ao somar casos sem relação com a emenda (Vorcaro, Bacellar)
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
- O Estado de S.PauloFlávio e a sombra dos milicianosÉ extremamente preocupante que um candidato à Presidência tenha mantido vínculo tão próximo, até pouco tempo atrás, com um miliciano condenado pelo Supremo pela morte de Marielle
Análise editorial
Editorial crítico ao candidato do PL, mas construído em chave liberal-conservadora de ordem e responsabilização institucional: combate às milícias, crítica à resposta 'protocolar', defesa da liberdade de voto assegurada pela Constituição e da seriedade da chefia de Estado. Não há enquadramento de justiça social. Confiança moderada porque o alvo é um candidato da direita.
- Qualidade argumentativa
- 47/100
- Manipulação emocional
- 55/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 2
Perspectivas omitidas
- Não informa se há investigação formal contra o senador
- Não diz se a emenda foi efetivamente desviada
- Não ouve o senador além da nota oficial
Falácias identificadas
- Declive escorregadio ao concluir que a candidatura embute a ascensão das milícias ao topo do poder
- Linguagem valorativa ('facínora', 'indigitado', 'escabroso') no lugar de argumento
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, negociou em 2023 com o miliciano Robson Calixto, o Peixe, uma emenda de quase R$ 200 mil para uma ONG em Jacarepaguá. Peixe foi condenado pelo assassinato de Marielle Franco. O senador diz que a emenda seguiu a lei.
Uma investigação da Polícia Federal aponta que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro e candidato à Presidência da República, negociou em 2023 com o miliciano Robson Calixto, conhecido como Peixe, o envio de uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil. O valor exato foi de R$ 199.999,79, destinado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, uma organização não governamental que atua no bairro da Taquara, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro.
As mensagens foram encontradas no celular de Peixe, apreendido pela Polícia Federal em março de 2024, e vieram a público a partir de uma reportagem baseada em relatório da corporação. Nos diálogos de outubro de 2023, Peixe pede à assessora Maria de Fátima Bezerra Castro, identificada no telefone como “Fafa Flávio Bolsonaro”, que veja com o senador se ele consegue ajudar o instituto. A emenda foi destinada pelo gabinete em novembro. Em outra conversa, a assessora, que segue na equipe do senador, pede ao miliciano quatro ingressos para um camarote no desfile das campeãs, na Marquês de Sapucaí, o que é tratado como possível vantagem indevida. Não há evidência de que ela tenha recebido as credenciais.
Peixe não é um personagem qualquer. Em fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal o condenou por unanimidade a nove anos de prisão por participar do grupo que executou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Ele era o elo dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, condenados como mandantes do crime, com a milícia da zona oeste. A região onde o Ifop atua é área de influência dos Brazão.
Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e que a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar.
Os dois lados que cobriram o caso convergem nos fatos centrais, mas não no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram a suspeita de que o repasse abasteceria um projeto de fachada chamado Jogadores do Futuro, com o objetivo de desviar o dinheiro, e inseriram o episódio numa lista mais longa de vínculos atribuídos à família Bolsonaro, lembrando que o tema já é explorado pela campanha do presidente Lula. Essa cobertura cita ainda o emprego de parentes do ex-capitão Adriano da Nóbrega no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio e a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Veículos de direita trataram o caso em tom de alerta institucional. Um editorial classificou como extremamente preocupante que um candidato à Presidência tenha mantido vínculo próximo com um condenado pelo assassinato de Marielle Franco, criticou a resposta protocolar do senador e resgatou discursos de 2007 em que Flávio, então deputado estadual, descreveu as milícias como um novo tipo de policiamento. O texto reafirma a liberdade de voto garantida pela Constituição, mas sustenta que a candidatura embute o risco de as milícias chegarem ao topo do poder.
Até o momento, não houve cobertura de centro no conjunto analisado, o que deixa o relato do caso concentrado em veículos de esquerda e de direita.
Ainda não se sabe se o dinheiro da emenda foi de fato desviado, nem se o senador ou a assessora são formalmente investigados. Flávio Bolsonaro também não explicou a proximidade de seu gabinete com o miliciano, a poucos dias da eleição presidencial.
Briefing
O que importa para você
- Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência e a eleição acontece em poucos dias.
- A emenda de R$ 199.999,79 foi enviada em novembro de 2023 ao Ifop, na Taquara, área de influência dos irmãos Brazão.
- A assessora envolvida continua na equipe do senador.
Onde os lados concordam
- Uma assessora de Flávio Bolsonaro negociou em 2023 com o miliciano Robson Calixto, o Peixe, uma emenda de quase R$ 200 mil.
- Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco.
- A única resposta do senador foi uma nota dizendo que a emenda seguiu a legislação.
O que ainda está incerto
- Se o dinheiro da emenda foi de fato desviado para o projeto Jogadores do Futuro.
- Se o senador ou a assessora são formalmente investigados pela Polícia Federal.
- Por que o gabinete manteve contato próximo com o miliciano.
Fontes
PF suspeita de desvio de emenda parlamentar enviada ao Instituto sob influência dos irmãos Brazão e negociada pelo miliciano “Peixe”. Os três foram presos pela morte da vereadora

É extremamente preocupante que um candidato à Presidência tenha mantido vínculo tão próximo, até pouco tempo atrás, com um miliciano condenado pelo Supremo pela morte de Marielle



