Polícia Federal investiga emenda de R$ 200 mil de Flávio Bolsonaro a ONG
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Para veículos de esquerda, o caso expõe a permanência de vínculos entre parlamentares de direita e o poder paramilitar no Rio de Janeiro, com dinheiro público servindo de moeda de troca. A emenda de quase R$ 200 mil do senador Flávio Bolsonaro chegou ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio depois de pedidos insistentes do miliciano Robson Calixto, o Peixe, condenado pela morte da vereadora Marielle Franco, em área de influência dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados a 76 anos e 2 meses como mandantes do crime. O projeto beneficiado, segundo relatos de pais de alunos, nunca entregou as chuteiras previstas. A leitura é de que quem perde é a periferia, que recebe projeto de fachada em lugar de política pública, enquanto a estrutura criminosa que matou uma vereadora eleita segue com acesso a gabinetes.
A Polícia Federal investiga se uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 destinada em novembro de 2023 pelo gabinete do senador Flávio Bolsonaro ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, foi intermediada pelo miliciano Robson Calixto, o Peixe, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Na cobertura de direita, o problema central é de responsabilidade individual e de informação ao eleitor a poucos dias da eleição presidencial. Um candidato à Presidência manteve contato, por meio de assessora que segue na equipe, com um criminoso condenado pelo Supremo Tribunal Federal por participação no assassinato de Marielle Franco, e respondeu com nota protocolar em lugar de explicação pública.
3 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Os três lados aceitam os mesmos fatos: a emenda de quase R$ 200 mil foi destinada em novembro de 2023 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio; as mensagens vieram do celular de Robson Calixto, condenado no caso Marielle Franco; e a assessoria de Flávio Bolsonaro alega destinação legal, atribuindo a execução do recurso à entidade beneficiária.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que um miliciano condenado pelo assassinato de Marielle Franco negociou com o gabinete de Flávio Bolsonaro o repasse de quase R$ 200 mil em emenda parlamentar a uma ONG no Rio de Janeiro. A entidade recebeu cerca de R$ 2 milhões de três parlamentares e é alvo de apuração por peculato e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal investiga se uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79, enviada em 29 de novembro de 2023 pelo gabinete do senador Flávio Bolsonaro ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, foi intermediada por Robson Calixto, o Peixe, miliciano condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O recurso tinha destinação declarada para a compra de material esportivo no projeto Jogadores do Futuro, na Taquara, zona oeste do Rio de Janeiro.
As mensagens que sustentam a suspeita saíram do celular de Calixto, apreendido em 2024 durante diligência do caso Marielle Franco. Nelas, em outubro de 2023, ele pede à assessora Maria de Fátima Bezerra Castro que trate do assunto com o senador, é convidado a levar o então deputado Chiquinho Brazão a um evento em que poderia reforçar o pedido pessoalmente e, dias depois, volta a cobrar a liberação do dinheiro. À época, Calixto era assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados a 76 anos e 2 meses de prisão como mandantes do assassinato da vereadora.
Os três blocos de cobertura convergem no essencial. A cobertura de centro apurou que a entidade recebeu cerca de R$ 2 milhões em emendas, somando os R$ 200 mil do senador, R$ 300 mil da deputada Chris Tonietto e R$ 1,5 milhão do próprio Chiquinho Brazão, e que esses foram os únicos recursos públicos já recebidos pela organização. Também registrou que uma operação da Polícia Federal com a Controladoria-Geral da União, em julho de 2026, apura peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e que uma auditoria do Tribunal de Contas da União concluiu que a entidade não demonstrou preocupação com economia ou eficiência no uso da verba. Pais de alunos afirmam que as chuteiras previstas no termo de fomento nunca chegaram. Todos os lados reproduzem a mesma defesa: a assessoria do senador diz que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte, e que a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária. O Ifop afirma desconhecer a atuação do miliciano e nega relação com a família Brazão. A deputada diz que sua equipe visitou as instalações e que eventuais irregularidades devem ser individualizadas.
A divergência está no enquadramento. Veículos de esquerda leram o episódio como continuidade da relação entre a família Bolsonaro e a milícia carioca, encadeando o caso a episódios anteriores, como a contratação de familiares do ex-capitão Adriano da Nóbrega em gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e a concessão de honraria a ele, e incorporaram material de campanha do presidente Lula sobre o tema. Nessa leitura, o prejuízo recai sobre a periferia, que recebeu projeto de fachada em lugar de política pública. Veículos de direita enfatizaram outro eixo: a poucos dias da eleição presidencial, um candidato com chance real de vitória manteve vínculo, por meio de assessora que segue na equipe, com um criminoso já condenado, e respondeu apenas por nota, sem explicação pública sobre a proximidade. A cobrança ali é de responsabilidade individual e de prestação de contas, com a apuração do desvio entregue aos órgãos de controle. A cobertura de centro concentrou-se no rastro do dinheiro, nos documentos e nas versões das partes, sem atribuir conclusão.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há, até agora, conclusão do inquérito sobre a ocorrência efetiva de desvio, nem indiciamento ou denúncia contra o senador. Também não está esclarecido se ele tinha conhecimento da intermediação feita pelo miliciano, qual o destino final do material esportivo pago com a emenda, se a assessora chegou a receber os ingressos de carnaval pedidos nas mensagens e quando a investigação, parada desde a operação de julho, voltará a produzir medidas judiciais.
Polícia Federal investiga se os recursos públicos, únicos recebidos pela entidade até hoje, foram desviados por meio de pagamentos indevidos

PF suspeita de desvio de emenda parlamentar enviada ao Instituto sob influência dos irmãos Brazão e negociada pelo miliciano “Peixe”. Os três foram presos pela morte da vereadora
É extremamente preocupante que um candidato à Presidência tenha mantido vínculo tão próximo, até pouco tempo atrás, com um miliciano condenado pelo Supremo pela morte de Marielle
