Lula chama grupo de Flávio Bolsonaro de milícia em comício em São Gonçalo
2 veículos de esquerda · 6 veículos de centro · 2 veículos de direita

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Em comício em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 24 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano. Ele não citou o nome do senador Flávio Bolsonaro, principal adversário na disputa presidencial, mas associou o grupo político do rival a milícias e aos escândalos do INSS e do Banco Master. A fala ocorreu dois dias depois da revelação de uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil destinada pelo senador a um projeto esportivo após tratativas com Robson Calixto, miliciano condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. O ato reuniu o candidato ao governo do estado Eduardo Paes e os candidatos ao Senado Benedita da Silva e Pedro Paulo, em município que é o segundo maior colégio eleitoral do Rio e reduto do bolsonarismo desde 2018.
A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Gonçalo é lida como resposta necessária a um adversário cujo histórico no Rio de Janeiro está atravessado por vínculos com milícias. Veículos de esquerda lembram que Flávio Bolsonaro concedeu a Medalha Tiradentes em 2005 ao ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia, e manteve familiares dele no gabinete.
Veículos de direita descrevem o episódio como ataque pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um adversário que lidera no Rio de Janeiro, e não como denúncia sustentada por prova. O ponto central é que a investigação sobre a emenda de quase R$ 200 mil, negociada entre uma assessora do gabinete e Robson Calixto, não estabelece por si só participação de Flávio Bolsonaro em desvio ou em crime, e que a assessoria do senador afirma que o recurso foi destinado dentro da legislação vigente.
10 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Análise não disponível para esta matéria.
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Veículos com viés à direita
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Todos os lados registram que Lula, em comício em São Gonçalo, disse que no Palácio do Planalto não cabe representação de miliciano sem nomear Flávio Bolsonaro, e que a fala veio depois da revelação de uma emenda de quase R$ 200 mil destinada pelo senador após tratativas com um miliciano condenado no caso Marielle Franco.
A dez dias do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou um comício em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, para associar o grupo de Flávio Bolsonaro a milícias e aos escândalos do INSS e do Banco Master. O senador nega vínculo com o crime organizado e afirma que a emenda de quase R$ 200 mil investigada seguiu a legislação vigente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, afirmou em comício em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 24 de setembro de 2026, que no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano. A frase, dita a dez dias do primeiro turno, foi entendida por toda a cobertura como ataque ao senador Flávio Bolsonaro, seu principal adversário na corrida presidencial, embora o presidente não tenha citado o nome do rival em nenhum momento do discurso. Lula repetiu no palanque a fala que havia usado dias antes na Assembleia Geral das Nações Unidas, de que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, e emendou a comparação com o Planalto.
A cobertura de centro relatou que o presidente ligou o grupo político do adversário a dois escândalos em curso. Ele disse estar disputando a eleição contra um time que montou uma quadrilha para roubar a Previdência Social, em referência às fraudes no INSS, e afirmou que R$ 3,5 bilhões foram pagos a aposentados atingidos. Sobre o Banco Master, declarou que os adversários criaram um banqueiro responsável pela maior corrupção da história financeira do país e que foi seu governo que o prendeu, numa alusão a Daniel Vorcaro. No mesmo discurso, pediu voto para candidatos ao Senado aliados, sob o argumento de que uma maioria de direita na Casa transformaria o país em um inferno, e defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal sob suspeita sejam investigados. O ato reuniu o candidato ao governo do estado Eduardo Paes e os candidatos ao Senado Benedita da Silva e Pedro Paulo, além dos prefeitos do Rio de Janeiro e de Niterói.
Os veículos convergem também no contexto que antecedeu a fala. Dois dias antes, tornou-se público que o senador destinou emenda parlamentar de quase R$ 200 mil a um projeto esportivo depois de tratativas entre uma secretária parlamentar de seu gabinete e Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A Polícia Federal apura indícios de desvio do dinheiro. A assessoria de Flávio Bolsonaro afirma que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente.
As divergências aparecem no tratamento dado a essa investigação. Veículos de esquerda destacaram que a associação entre o senador e milícias não nasceu na campanha: lembraram que, em 2005, quando era deputado estadual, ele concedeu a Medalha Tiradentes ao ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia e morto em 2020 numa operação policial, e que familiares dele trabalharam em seu gabinete. Nessa leitura, a fala do presidente descreve um padrão documentado, e o eixo da eleição é a escolha entre democracia e barbárie. Veículos de direita enfatizaram o contrário: registraram que a apuração sobre a emenda não estabelece, por si só, participação do senador em desvio ou em crime, deram espaço à negativa de qualquer vínculo com o crime organizado e à reação em que ele chamou o presidente de gagá e prometeu classificar milícias e facções como grupos terroristas caso seja eleito. Nessa chave, o rótulo funciona como recurso de campanha de quem está atrás no estado.
A disputa pelo Rio de Janeiro explica a escolha do palco. São Gonçalo é o segundo maior colégio eleitoral do estado, com 653.494 eleitores aptos, é governada por Capitão Nelson, pai do candidato do PL ao governo estadual, e deu 55% dos votos a Jair Bolsonaro em 2022. Pesquisa Quaest divulgada na véspera aponta o senador sete pontos à frente do presidente no estado. No mesmo ato, Eduardo Paes afirmou que metade da população do município vive sob domínio de organizações criminosas e prometeu retomar territórios a partir do Complexo do Salgueiro, enquanto Lula reafirmou a intenção de acabar com o modelo atual das casas de aposta esportiva.
O que ainda não se sabe é se houve efetivamente desvio do dinheiro da emenda, se alguém do gabinete do senador respondeu por isso e em que estágio está a apuração da Polícia Federal. Nenhuma das coberturas apresenta conclusão da investigação, e também não há medição posterior ao comício que indique se o ataque alterou a intenção de voto no Rio de Janeiro.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.