O senador Flávio Bolsonaro anunciou em 5 de agosto de 2026 o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como candidato a vice em sua chapa à Presidência da República. A escolha encerrou semanas de especulação sobre a possibilidade de uma mulher ocupar o segundo lugar da chapa e resultou numa composição formada apenas por quadros do próprio partido do candidato.
A cobertura de centro relatou que dois nomes femininos chegaram perto da vaga e caíram por decisão partidária. Uma senadora de Mato Grosso do Sul havia aceitado o convite na semana anterior ao anúncio, mas não obteve o aval de sua legenda para formalizar a composição. O outro nome, de uma ex-presidente da Caixa recém-filiada a outro partido e com trânsito no mercado financeiro e no setor empresarial, ficou inviabilizado depois que a sigla decidiu em convenção não indicar candidatos a chapas presidenciais nem integrar coligações nacionais. Segundo essa cobertura, a ex-presidente da Caixa passa agora a assessorar a campanha na área econômica. O anúncio do vice foi feito com o candidato e o coordenador da campanha cercados por mulheres do campo aliado, entre elas as duas cogitadas para o posto.
Há convergência entre todas as fontes sobre os fatos centrais: o candidato sustentou até a véspera que preferia uma mulher, o nome do deputado alagoano ganhou força internamente nos últimos dias e a chapa aposta nas pautas de combate à corrupção e de segurança pública.
A divergência aparece no enquadramento. Veículos de direita deram destaque à crítica de uma liderança evangélica influente, que afirmou que o senador perdeu a oportunidade de colocar uma mulher como vice e defendeu o nome de uma deputada federal do Ceará, descrita por ele como nordestina, com bom desempenho parlamentar e capaz de encerrar a acusação de que o candidato seria hostil às mulheres. Nessa cobertura, uma senadora aliada informou que a deputada preferiu priorizar a família. O tratamento dado ao tema é de comunicação e imagem da candidatura, com a crítica contida dentro do próprio campo conservador e sem contraditório de fora dele. Outra reportagem de centro trouxe a leitura de aliados de que a atuação da ex-primeira-dama como cabo eleitoral atenuará a ausência de uma mulher na vice, e registrou que o deputado escolhido é o vice possível, não o ideal, depois de frustradas as tentativas de aliança com outros partidos.
A análise de centro ponderou os efeitos eleitorais da decisão. Uma analista política avaliou que a representatividade importa quando se trata de figuras públicas e que a ausência de uma mulher deixa de agregar setores do eleitorado, sem comprometer toda a campanha. Para ela, a escolha reflete pragmatismo político, com atenção a composições regionais e a um possível aceno a lideranças do Nordeste em um eventual governo. A mesma análise lembrou que o vice na chapa do atual presidente também é homem, o que indica que a ausência de mulheres na vice-presidência não é exclusividade dessa candidatura.
Veículos de esquerda não haviam produzido cobertura própria do episódio até o fechamento deste texto. O ângulo que esse lado costuma enfatizar aparece nos próprios relatos disponíveis: as duas mulheres cogitadas foram inviabilizadas por decisões de direções partidárias, e não por recusa pública delas, e nenhuma das principais chapas presidenciais tem mulher na vice.
O que ainda não se sabe é como a campanha pretende compensar aquilo que a escolha deixa de agregar, qual será o papel formal da ex-primeira-dama na estrutura da campanha e quais foram as razões concretas para o veto das direções partidárias aos dois nomes femininos. Também segue em aberto o desenho final das alianças regionais e o efeito da composição sobre a intenção de voto, já que nenhuma das reportagens apresenta pesquisa que meça esse impacto.