Flávio Bolsonaro cita vice católico Alfredo Gaspar para negar preconceito religioso
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Para a leitura à direita, Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), rebateu com fatos uma acusação que considera fabricada: escolheu um vice católico fervoroso, o deputado Alfredo Gaspar, e é filho de um ex-presidente católico. Ele apontou o Partido dos Trabalhadores (PT) como responsável por explorar a divisão religiosa e reforçou a imagem de candidato conciliador, que herda o legado de Jair Bolsonaro com outra postura e diz não gostar de briga.
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Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: falácia identificada.
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, usou a religião do vice Alfredo Gaspar e do pai, Jair Bolsonaro, para rebater acusações de preconceito contra católicos. Ele negou querer tirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida e acusou o PT de dividir católicos e evangélicos.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, usou a religião do próprio vice e a do pai para rebater acusações de preconceito contra católicos. Em entrevista a um podcast nesta segunda-feira, 28 de setembro, ele disse que o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, escolhido para a vice, é católico fervoroso, e que o ex-presidente Jair Bolsonaro também é católico. "Se eu tivesse algum preconceito, não teria escolhido um vice católico", afirmou.
Flávio é evangélico e frequenta a Igreja Batista. Ele negou mais uma vez que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e disse que a controvérsia foi construída a partir de uma narrativa mentirosa. Durante a entrevista, manteve uma imagem da santa à sua frente. Na mesma conversa, acusou o Partido dos Trabalhadores, o PT, de apostar na divisão do País. "Agora tiveram a audácia de colocar católicos contra evangélicos", declarou.
A cobertura converge em alguns pontos de contexto. Jair Bolsonaro se declarou católico ao longo da carreira, mas foi batizado no rio Jordão, em Israel, em 2016, pelo pastor Everaldo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é evangélica. O próprio Flávio foi batizado pela segunda vez no mesmo rio em janeiro deste ano. Alfredo Gaspar foi anunciado como vice da chapa em agosto.
A cobertura de centro acrescentou outro episódio do mesmo dia. A assessoria do candidato explicou que a promessa de que seu primeiro ato seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo" se refere a uma oração antes da leitura do termo de posse, e não à edição de um decreto. Segundo esse relato, a explicação veio depois de a fala provocar questionamentos sobre o caráter laico do Estado brasileiro. A mesma cobertura registrou que o candidato tem intensificado a participação em cultos e eventos evangélicos e associado a candidatura a um propósito divino.
Veículos de direita deram mais peso à acusação contra o PT e trataram como falsa a informação sobre Nossa Senhora Aparecida. Eles também destacaram o esforço de Flávio para se apresentar como alternativa à polarização, alguém que herda o legado do pai "com outra postura" e que diz não gostar de briga. Até o momento, nenhum veículo de esquerda cobriu o episódio, o que deixa sem resposta pública, neste conjunto de reportagens, a leitura crítica sobre o uso da religião na campanha.
Fica em aberto como o PT vai reagir. Nenhuma das reportagens ouviu o partido sobre a acusação de promover divisão entre católicos e evangélicos. Também não está claro de onde partiu a informação sobre o título de Padroeira do Brasil, nem se a nova explicação sobre a oração na posse encerra o debate sobre a laicidade do Estado.
Flávio afirmou que não teria escolhido um católico para compor sua chapa se tivesse resistência à religião

Candidato também mencionou a relação de sua família com as duas vertentes do cristianismo
