O candidato do Partido Liberal à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, afirmou na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, que está “um pouquinho chateado” com os ataques que vem recebendo de outros presidenciáveis do campo da direita e da centro-direita. Em sua transmissão semanal ao vivo pela internet, disse estar “sozinho de novo” na corrida ao Palácio do Planalto e cobrou que esses adversários concentrassem as críticas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. “Eu esperava que as pessoas que se dizem de centro-direita estariam atacando o Lula e é todo dia ataque ao Flávio Bolsonaro. Mas eu tenho o povo e tenho Deus”, declarou.
Sem citar nomes, o senador afirmou ter incentivado algumas dessas candidaturas quando elas ainda eram vistas com desconfiança, sob o argumento de que a eleição “não é projeto de poder”. Disse que poderá revelar quem são esses políticos mais adiante, se julgar necessário. A transmissão teve a participação de Daniella Marques, responsável pela área econômica da campanha, e do deputado Guilherme Derrite, que tratou de segurança pública. Na mesma live, o candidato elogiou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e atacou o presidente pelas investigações que atingem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência. Lulinha nega irregularidades.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma convergente e o situou como sintoma da dificuldade de unificar a oposição antes do primeiro turno. Todos os relatos apontam os mesmos autores das críticas: Ronaldo Caiado, do PSD, Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão. Caiado cobrou a prestação de contas prometida sobre o dinheiro recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro; Zema, que chegou a ser cotado como vice, classificou o pedido de recursos como imperdoável e passou a se distanciar; Renan Santos, no lançamento de sua campanha, afirmou que o senador integra o grupo político mais corrupto do Rio de Janeiro. Há ainda um atrito anterior: o presidente do PSD e candidato a vice, Gilberto Kassab, dissera que o senador tem chance zero de vencer, ao que aliados do PL reagiram acusando o partido de favorecer o governo.
Veículos de direita enfatizaram o eixo da prestação de contas e da autoridade moral, detalhando os valores atribuídos ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, cerca de R$ 134 milhões negociados e por volta de R$ 61 milhões pagos entre fevereiro e maio de 2025, segundo revelação que veio a público em maio deste ano. Nesse enquadramento, a cobrança dos adversários não é sabotagem, e sim condição para liderar o campo, com a ressalva de que ao menos um deles já sinalizou apoio em eventual segundo turno contra o atual presidente. Nenhum veículo de esquerda cobriu o episódio neste recorte; a leitura habitual desse campo tenderia a observar que a disputa se dá em torno de dinheiro privado e herança política, enquanto o programa apresentado na mesma transmissão avança sobre direitos, com defesa da redução da maioridade penal para 16 anos, e 14 anos em crimes hediondos, além de elogios a operações policiais letais e ao modelo de encarceramento em massa adotado em El Salvador.
Além da queixa, o candidato pediu concentração de votos em nomes apoiados por ele ao Senado, citando São Paulo, Paraná e Distrito Federal, e argumentou que a pulverização de candidaturas no campo pode reduzir sua base no Congresso caso seja eleito.
O que ainda não se sabe: quem são os candidatos que o senador diz ter incentivado e depois se voltaram contra ele, já que se recusou a nomeá-los; quando e como será divulgada a prestação de contas sobre o financiamento do filme, prometida e ainda não apresentada em detalhe; se os adversários manterão o tom até outubro ou convergirão em um eventual segundo turno; e qual o desfecho das investigações que atingem o filho do presidente, ainda em curso.