O ministro Luiz Fux assumirá em agosto a presidência da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, substituindo Gilmar Mendes. A mudança ocorre com o retorno do recesso do Judiciário e segue o sistema de rodízio previsto no Regimento Interno da Corte, que determina que a presidência da Turma cabe ao ministro mais antigo entre seus integrantes que ainda não ocupou o cargo. O mandato tem duração de um ano.
A cobertura de centro relatou, de forma factual, que o presidente da Turma organiza os trabalhos do colegiado, define a pauta de julgamentos e estabelece as datas em que cada processo é analisado. Na prática, isso confere a Fux influência sobre o ritmo de tramitação dos casos, podendo acelerar ou retardar a apreciação de determinados temas. Ele também será responsável por abrir e encerrar as sessões, conduzir os debates e garantir o cumprimento das regras processuais.
Todos os lados convergem em que a chegada de Fux é relevante porque a Segunda Turma é responsável pelos processos do chamado caso Banco Master, tido como decisivo para 2026 e 2027, incluindo o período eleitoral. Novas etapas da investigação e processos relacionados ainda devem ser apreciados pelo colegiado.
Veículos de direita enfatizaram o contexto de desgaste público entre Gilmar Mendes e o relator do caso, ministro André Mendonça. Nas últimas semanas, Gilmar intensificou críticas à condução da investigação, sobretudo à participação de Mendonça nas tratativas da proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Gilmar afirmou que a lei não permite que o relator ou o juiz participem da delação, cujo acordo seria firmado entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator, e classificou a situação como um 'erro crasso'. O atrito já havia aparecido durante o julgamento sobre a prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, quando Gilmar ficou vencido ao defender a substituição da prisão preventiva por domiciliar e comparou a condução do caso à Operação Lava Jato.
A cobertura de centro também recuperou o histórico do novo presidente. Originalmente integrante da Primeira Turma, Fux participou do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão e foi o único ministro a defender a absolvição, em voto lido integralmente por mais de 14 horas. A posição gerou críticas nos bastidores da Corte e, antes do trânsito em julgado, o ministro pediu para trocar de Turma. Conhecido pelo rigor na Lava Jato, Fux passou a ser identificado como 'garantista' após o julgamento da tentativa de golpe. No caso Master, segundo apurou a imprensa, ele tem chancelado decisões do relator, especialmente em prisões preventivas.
Onde a cobertura diverge é no peso dado ao conflito interno: os veículos de direita tratam a crítica de Gilmar como o eixo da história e sinalizam que a troca pode alterar a dinâmica dos julgamentos; a leitura de centro mantém o foco no procedimento regimental e no histórico processual de Fux, sem tomar partido no embate entre os ministros.
O que ainda não se sabe é como Fux conduzirá efetivamente a pauta do caso Master a partir de agosto, se manterá o mesmo ritmo das decisões atuais e como o relator André Mendonça responderá formalmente às críticas de Gilmar Mendes.