O instituto Quaest divulgou, em 29 e 30 de julho de 2026, uma bateria de pesquisas eleitorais contratadas pelo Banco Genial que mediu a intenção de voto para o Senado e para governos estaduais em Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e São Paulo. Em todos esses estados estão em disputa duas cadeiras no Senado, de modo que o eleitor poderá votar em dois nomes no pleito marcado para 4 de outubro. Os levantamentos chegam a pouco mais de dois meses do primeiro turno e mostram, na maioria das disputas, empates técnicos e um contingente muito grande de eleitores que ainda não decidiram o voto.
No Rio Grande do Sul, a ex-deputada Manuela D'Ávila (PSOL) aparece à frente na corrida ao Senado, seguida por Germano Rigotto (MDB) e Paulo Pimenta (PT), com Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) logo atrás. Os percentuais variam conforme o recorte apresentado: uma leitura do mesmo levantamento aponta Manuela com 15% e outra com 12%, com Rigotto e Pimenta em 9%. Para o governo gaúcho, Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) estão empatados dentro da margem de erro no primeiro turno, e a simulação de segundo turno entre os dois dá 35% a 31% para Brizola. O grau de indefinição é alto: 83% dos eleitores não sabiam em quem votar para governador no cenário espontâneo.
Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) aparecem empatados dentro da margem de erro nos dois cenários de primeiro turno, e o segundo turno simulado registra 43% a 39% para ACM Neto. Para o Senado baiano, Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) lideram as menções. No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) tem dez pontos de vantagem sobre Elmano de Freitas (PT) no cenário estimulado e vence a simulação de segundo turno por 48% a 35%; na disputa ao Senado, Cid Gomes (PSB) e Capitão Wagner (União Brasil) são os mais citados. Em São Paulo, a corrida pelas duas vagas mostra Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) tecnicamente empatadas na dianteira.
A cobertura de centro tratou os números como retrato de momento, destacou as lideranças e os empates técnicos e explicitou a metodologia: entrevistas domiciliares entre 23 e 28 de julho, amostras de 1.002 a 1.200 eleitores por estado, margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral. Veículos de direita publicaram as tabelas completas, incluindo potencial de voto e rejeição de cada pré-candidato, e acrescentaram a ressalva de que pesquisas divulgadas em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas, lembrando que esses números influenciam decisões partidárias e o humor do mercado financeiro. Veículos de esquerda não deram destaque a esta rodada até o momento; a leitura provável desse campo é a de que nomes ligados a partidos de esquerda lideram as disputas ao Senado no Rio Grande do Sul e na Bahia e seguem competitivos nas corridas ao governo gaúcho e baiano, e a de que a alta indecisão desautoriza qualquer anúncio antecipado de vencedor.
Há convergência sobre o essencial. As principais disputas estão indefinidas, com diferenças dentro da margem de erro e percentuais elevados de indecisos, e a maioria dos entrevistados admite trocar de candidato: 62% no Rio Grande do Sul e 48% no Ceará disseram que ainda podem mudar de opinião. Todos os recortes usam a mesma base metodológica, o que permite comparar os estados entre si.
O que ainda não se sabe é quem de fato estará na urna. Os nomes testados são pré-candidaturas e podem mudar até as convenções partidárias. Não há, nesta rodada, dados divulgados para os demais estados, nem detalhamento de rejeição dos concorrentes ao Senado em São Paulo e no Ceará. Também não está esclarecida a diferença entre os percentuais consolidados do Senado gaúcho apresentados em coberturas distintas do mesmo levantamento, e nenhuma das sondagens capta ainda o efeito do horário eleitoral gratuito, que não começou.