TRE-PR mantém Deltan Dallagnol na disputa ao Senado do Paraná por 4 votos a 3
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O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná deferiu, por 4 votos a 3, o registro de candidatura de Deltan Dallagnol, do partido Novo, à vaga de senador pelo Paraná. O julgamento durou cerca de sete horas na noite de 8 de setembro de 2026 e foi decidido no voto de desempate do presidente da corte. A relatora sustentou que o acórdão do Tribunal Superior Eleitoral de 2023 continua válido, mas que a elegibilidade precisa ser aferida no momento do novo registro, e que os procedimentos contra o ex-procurador foram encerrados sem sanção. A coligação de PT e PDT, autora do pedido de impugnação, deve recorrer, e a palavra final pode caber de novo ao TSE.
Para a leitura de esquerda, o TRE-PR reabriu por um voto uma questão que o Tribunal Superior Eleitoral já havia encerrado: a de que Deltan Dallagnol deixou o Ministério Público Federal em 2021 justamente para escapar de procedimentos disciplinares, manobra que a Lei da Ficha Limpa trata como fraude.
Na leitura de direita, o julgamento restabelece a segurança jurídica e devolve ao eleitor paranaense o direito de escolher seu representante. O argumento central é objetivo: nunca houve processo administrativo disciplinar instaurado contra Deltan Dallagnol, 12 das 15 reclamações foram arquivadas, duas prescreveram e a última renderia, no máximo, censura.
6 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Apelo emocional nesta matéria: 5/100.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Análise não disponível para esta matéria.
Nesta matéria: viés de centro.
Toda a cobertura registra os mesmos fatos: o placar de 4 votos a 3 com desempate do presidente do TRE-PR, a validade formal da decisão do TSE de 2023 que cassou o mandato de deputado federal, o parecer prévio do Ministério Público Eleitoral pela elegibilidade e o fato de que um recurso levaria a palavra final ao Tribunal Superior Eleitoral.
Por 4 votos a 3, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná considerou Deltan Dallagnol elegível e manteve o registro da candidatura dele ao Senado. O ex-procurador da Lava Jato perdeu o mandato de deputado federal em 2023, quando o TSE viu fraude à Lei da Ficha Limpa na saída dele do Ministério Público Federal. A coligação de PT e PDT deve recorrer, e a decisão final pode voltar ao TSE.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná decidiu, por 4 votos a 3, deferir o registro de candidatura de Deltan Dallagnol, do partido Novo, à vaga de senador pelo Paraná nas eleições de 2026. A sessão durou cerca de sete horas na noite de terça-feira, 8 de setembro, e terminou com o voto de desempate do presidente da corte, Luciano Carrasco Falavinha Souza. O julgamento analisava um pedido de impugnação apresentado pela coligação formada por Partido dos Trabalhadores e Partido Democrático Trabalhista na disputa pelo governo estadual. Os partidos anunciaram que devem recorrer, e nesse caso a palavra final caberá ao Tribunal Superior Eleitoral.
O caso remonta a 2023, quando o Tribunal Superior Eleitoral indeferiu o registro de Dallagnol como deputado federal e ele perdeu o mandato que já exercia. Naquele julgamento, a corte entendeu que o ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba havia pedido exoneração do Ministério Público Federal, em 2021, para escapar de procedimentos em trâmite no Conselho Nacional do Ministério Público que poderiam desaguar em processo administrativo disciplinar e em demissão. A Lei da Ficha Limpa trata essa saída antecipada como fraude e impede a candidatura por oito anos. A relatora no tribunal paranaense, a juíza Vanessa Jamus Marchi, levou quase três horas para ler o voto e sustentou que a decisão de 2023 continua válida, mas que a legislação eleitoral obriga a examinar a situação do candidato no momento de cada novo registro. Como os procedimentos foram arquivados, prescreveram ou não geraram sanção, ela concluiu que a situação se alterou e que não se verifica inelegibilidade. O Ministério Público Eleitoral já havia se manifestado, em agosto, no mesmo sentido.
A cobertura converge nos fatos essenciais: o placar apertado, a divergência aberta pelo juiz Everton Jonir Fagundes Menengola, os votos contrários de Fernando Antonio Prazeres e Nicole Trauczynski, os votos favoráveis de Gisele Lemke e Osvaldo Canela Júnior ao lado da relatora e do presidente, e a possibilidade concreta de o TSE rever tudo. Também há convergência sobre a multa de 100 mil reais aplicada ao candidato por litigância de má-fé, depois que a defesa juntou ao processo documentos com dados fiscais e bancários sigilosos do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, considerados pelo presidente da corte completamente desnecessários ao julgamento.
As ênfases se separam a partir daí. Veículos de esquerda trataram a decisão como reabertura de um caso já encerrado, lembraram a cassação por irregularidades na campanha de 2022 e destacaram a nota em que o candidato afirma que cai por terra a narrativa sobre sua inelegibilidade, sem detalhar a tese dos juízes vencidos. A cobertura de centro concentrou-se na mecânica jurídica: reconstruiu a cronologia desde 2022, deu extensão comparável ao advogado da coligação que pediu a impugnação, para quem a exoneração foi ato de fuga da Lei da Ficha Limpa, e ao advogado de defesa, que sustenta que o cliente foi sondado para a vida pública e se exonerou para não cometer irregularidade. Veículos de direita deram relevo ao levantamento apresentado pela defesa, segundo o qual nenhum processo administrativo disciplinar foi instaurado, 12 das 15 reclamações foram arquivadas, duas prescreveram e uma renderia no máximo censura, e ao parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.
A divergência dentro do próprio tribunal ficou registrada com clareza. Para o juiz que abriu o voto contrário, o fato de os procedimentos não terem virado processo disciplinar não afasta a premissa do TSE de que havia, na época da exoneração, um ambiente procedimental concreto e suficientemente avançado para que a saída antecipada fosse compreendida como forma de impedir a formação do suporte formal da inelegibilidade. Parte da cobertura reproduziu ainda a nota em que Dallagnol ataca nominalmente Gleisi Hoffmann e diz que pretende aposentá-la da política, sem trazer resposta da citada.
O que ainda não se sabe pesa mais que o resultado desta terça-feira. Nenhuma das reportagens confirma que o recurso ao TSE já foi protocolado, e não há data marcada para julgamento na corte superior. Também não está claro se o TSE decidirá antes das eleições de outubro ou se o candidato disputará o pleito com registro ainda sujeito a reversão, cenário que se repetiria em relação a 2022, quando ele foi eleito deputado federal e só depois perdeu o mandato.
Nas redes sociais, Deltan Dallagnol se pronunciou sobre a decisão do TRE-PR e descreveu o momento como um “dia de fortes emoções”

A decisão acompanha o entendimento do Ministério Público Eleitoral, que havia se manifestado pela elegibilidade

Decisão foi tomada por 4 votos a 3, na noite de terça-feira (8). Defesa do candidato afirma que não há processo disciplinar pendente capaz de gerar inelegibilidade.

Ex-procurador recebeu 4 votos favoráveis e 3 contrários

Ex-procurador da Lava Jato perdeu o mandato de deputado federal em 2023 e agora tenta uma cadeira pelo Novo

Conhecido por ter atuado como procurador da Lava-Jato, ele teve o mandato cassado na Camara em 2023, acusado ter pedido exoneração do Ministério Público Federal em 2021 para evitar punições oriundas procedimentos disciplinares contra ele
