Gilmar diz que divergências no caso Master não representam desunião no STF
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Briefing
O que importa para você
A condução do caso Master, que investiga o banco de Daniel Vorcaro, segue com André Mendonça como relator; Luiz Fux assume a 2ª Turma no segundo semestre e promete conter o dissenso.
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza a defesa de Gilmar por limites à persecução penal e direitos dos investigados
- Direita enfatiza o atrito pessoal e questiona se a rivalidade compromete a apuração do caso Master
Onde os lados concordam
Esquerda, centro e direita relatam que Gilmar Mendes reafirmou confiança em André Mendonça e afirmou que divergências na 2ª Turma não significam desunião, uma semana após criticá-lo no Roda Viva.
O que ainda está incerto
Não se sabe se o gesto conciliatório encerra a tensão entre Gilmar e Mendonça, nem como as divergências afetarão as próximas decisões processuais do caso.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta terça-feira, 30 de junho, que as divergências entre os integrantes da 2ª Turma não significam uma divisão da Corte na condução das investigações do caso Master. A declaração foi feita durante a última sessão do colegiado no primeiro semestre e representou uma tentativa de reduzir a tensão com o ministro André Mendonça, relator dos procedimentos que envolvem o banco do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em suas palavras, Gilmar reiterou a confiança que deposita na atuação do relator e da 2ª Turma, ressaltando que eventuais divergências quanto ao mérito de determinada medida processual não são sinônimo de desunião da Corte, nem em relação à importância do caso nem quanto à observância dos direitos fundamentais das pessoas investigadas. A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou também que o ministro defendeu que visões divergentes constituem oportunidades para o julgamento mais completo possível e que enriquecem a atividade judicante em vez de diminuí-la.
As falas convergem em todos os veículos num ponto central: elas ocorreram pouco mais de uma semana depois de Gilmar criticar André Mendonça em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Na ocasião, o decano classificou como erro crasso a participação do colega em discussões sobre uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, argumentando que a negociação de acordos de colaboração é atribuição da Polícia Federal e do Ministério Público, e não do relator do processo. Nesta sessão, o tom foi de apaziguamento.
Gilmar também voltou a defender que estabelecer limites para a atuação dos órgãos de persecução penal não representa incentivo à impunidade. Segundo ele, o caso Master impõe um desafio ao Supremo, mas o colegiado saberá responder à altura, sem confundir a exigência de limites com estímulo à impunidade. Veículos de esquerda tendem a destacar justamente essa dimensão garantista da fala, com ênfase na observância dos direitos fundamentais dos investigados e no contraponto ao punitivismo.
Já veículos de direita, como a Revista Oeste, enfatizaram o atrito pessoal e institucional entre os dois ministros, sublinhando a insistência de Gilmar em impor balizas às investigações e abrindo espaço para o questionamento sobre se a rivalidade dentro da Corte compromete a apuração de um caso considerado rumoroso. Em ambos os enquadramentos, registrou-se que o ministro Luiz Fux, que assumirá a presidência da 2ª Turma no segundo semestre, afirmou que trabalhará para manter eventuais divergências como mero dissenso, sem comprometer a atuação do grupo.
O que ainda não se sabe é como as diferenças de entendimento entre Gilmar e Mendonça se traduzirão nas próximas decisões processuais do caso Master, nem se o gesto conciliatório será suficiente para dissipar a tensão exposta publicamente nas últimas semanas.
Fontes

Ministro afirma ainda que divergências no STF não representam desunião e enriquecem os julgamentos

Ministro reafirma confiança em André Mendonça e afirma que diferenças entre integrantes da 2ª Turma não comprometem a atuação da Corte