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Flávio Bolsonaro anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa do PL, no último dia do prazo para as convenções partidárias. A definição veio depois de seis partidos do centrão optarem pela neutralidade nacional, o que inviabilizou os nomes femininos preferidos pelo senador. Gaspar é ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, ex-secretário de Segurança do estado e foi relator da CPMI do INSS, cujo relatório final acabou rejeitado. Ele é alvo de inquérito no Supremo por suspeita de estupro de vulnerável, acusação apresentada por dois parlamentares sem provas, que ele nega e sobre a qual pede exame de DNA imediato.
A chapa presidencial do PL foi fechada no último dia do prazo das convenções, com o deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente. A escolha veio depois de seis partidos do centrão declararem neutralidade e recolocou em debate o histórico do deputado no Congresso, sua relatoria na CPMI do INSS e o inquérito que ele responde no Supremo Tribunal Federal.
O senador Flávio Bolsonaro anunciou em 5 de agosto o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente em sua chapa, no último dia do prazo para a realização das convenções partidárias. A definição encerrou uma semana de indefinição que expôs o isolamento partidário da candidatura: seis legendas do chamado centrão, entre elas MDB, PSDB, PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, decidiram permanecer neutras na disputa presidencial, mudança relevante em relação a 2022, quando todas tomaram posição já no primeiro turno.
A cobertura de centro registrou o percurso até o anúncio. Na véspera, em sabatina realizada em São Paulo, o senador afirmou que teria até o dia 15 para bater o martelo e disse que gostaria de ter como vice a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques. Dias antes, havia convidado a senadora Tereza Cristina, que aceitou a proposta, mas ficou barrada pela decisão do próprio partido de manter a neutralidade, posição que ela reiterou publicamente. Em 31 de julho, segundo apuração de coluna, o senador chegou a consultar o prefeito de São Paulo e o governador paulista sobre a possibilidade de indicar Michelle Bolsonaro para a vaga. Confirmado o nome de Gaspar, o governador de São Paulo avaliou que a escolha partiu do coração do candidato e destacou a trajetória do deputado na área de segurança pública, minimizando a ausência de uma mulher na chapa ao dizer que a agenda feminina deve ser tratada no plano de governo.
Os veículos de esquerda deslocaram o foco do arranjo eleitoral para a biografia do escolhido. Essa cobertura reuniu episódios que considera contraditórios: Gaspar foi relator do pedido que suspendeu a ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem no processo sobre a tentativa de golpe, medida aprovada pela Câmara por 315 votos a 143 e lida por críticos como brecha capaz de beneficiar outros réus; assinou requerimento de urgência do projeto de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos e apoiou o texto que reduzia penas dos condenados. O mesmo enquadramento lembra que, como relator da CPMI do INSS, ele apresentou documento com mais de quatro mil páginas e 216 pedidos de indiciamento, entre eles a prisão preventiva do filho do presidente Lula sob argumento de risco de fuga, tese enfraquecida por reportagem que mostrou que ele já residia em Madri e havia retornado ao Brasil. O relatório foi rejeitado por 19 votos a 12 e a comissão terminou sem texto final aprovado. Também entram nesse balanço o acordo firmado em 2019 para compensação dos atingidos pelo afundamento de bairros em Maceió, criticado por movimentos de vítimas pela ausência de participação direta dos moradores, e a nomeação do filho do deputado para cargos em governos estaduais e municipais, que não era ilegal, mas levantou dúvidas sobre independência institucional.
O ponto mais sensível é o inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal por suspeita de estupro de vulnerável. A acusação foi apresentada em março por um deputado e uma senadora durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS, sem que os autores apresentassem provas. Gaspar nega os fatos, diz ser o maior interessado na conclusão do caso e se submeteu por iniciativa própria a coleta de material genético em procedimento judicial que tramita em Alagoas. Nesta semana, ao ser questionado sobre a lentidão da apuração, afirmou acreditar que o relator do caso não gosta dele, mas disse confiar em uma condução imparcial e pediu rapidez no confronto de DNA. A coordenação jurídica da campanha informou que apresentou representações por calúnia, denunciação caluniosa, coação no curso do processo e obstrução de Justiça, além de ação indenizatória e pedido de produção antecipada de provas.
A divergência de cobertura é nítida. Para a esquerda, o histórico legislativo esvazia a promessa de rigor penal e transforma a escolha em sinal de continuidade da estratégia de proteção a aliados. A cobertura de centro trata o caso sobretudo como movimento de composição eleitoral e como disputa processual em curso, com espaço amplo para a defesa.
Todas as coberturas registram os mesmos fatos centrais: a escolha de Alfredo Gaspar como vice foi anunciada no fim do prazo das convenções, veio depois da neutralidade de seis legendas do centrão, e o deputado é alvo de inquérito no STF por acusação apresentada sem provas, que ele nega e sobre a qual pediu exame de DNA.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Enquadramento crítico típico de esquerda: fala em blindagem a aliados de Bolsonaro, contrapõe o discurso de punição dura ao voto pela anistia e pela dosimetria, e enfatiza a perspectiva das vítimas no acordo da Braskem em Maceió. O texto reconhece que a acusação de estupro foi apresentada sem provas e que a nomeação do filho não era ilegal, o que sustenta a factualidade, mas o vocabulário e a seleção de episódios são claramente valorativos.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Texto de apuração: reproduz falas do senador entre aspas, registra a neutralidade de seis siglas do centrão e contrasta com o cenário de 2022 sem vocabulário valorativo. Registra também a contradição entre o convite a Tereza Cristina e a posição do PP, sem editorializar.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Candidato busca um nome depois de partidos de centrão optarem por neutralidade

Escolhido vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar acumula atuação em defesa de aliados e apoio à anistia

O governador de São Paulo elogiou a escolha do senador Alfredo Gaspar (PL) como o vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições

Alfredo Gaspar diz confiar no relator do caso no STF, mas pede rapidez na conclusão da apuração sobre acusação de estupro. Leia no Poder360.
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Estrutura de cobertura de declaração: reproduz as aspas do governador com marcação clara de autoria, contextualiza o prazo das convenções e explica por que os nomes femininos cotados ficaram de fora. O texto não adota a avaliação positiva como voz própria, mas concentra a matéria em uma única fonte favorável à escolha, o que reduz a paridade.
Perspectivas omitidas
O texto é factual e datado, registra que a acusação foi apresentada sem provas e detalha as medidas jurídicas adotadas pela defesa. A escolha de uma frase de efeito como título e o espaço amplo dado ao investigado, sem ouvir o outro lado, aproximam o material de um enquadramento favorável a ele, mas o vocabulário permanece neutro e a atribuição é rigorosa.
Perspectivas omitidas



