O governo federal autorizou a realização de dois concursos públicos para a Receita Federal e o Banco Central, somando 316 vagas de níveis médio e superior. As portarias do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União na última sexta-feira, e assinadas pela ministra Esther Dweck.
Na Receita Federal, foram autorizadas 146 vagas, sendo 116 para Analista Tributário e 30 para Auditor-Fiscal, ambos cargos de nível superior. O Banco Central recebeu 170 vagas, distribuídas em 100 para Auditor, 50 para Técnico e 20 para Procurador. As portarias estabelecem que os editais devem ser publicados em até seis meses, sob pena de as autorizações perderem a validade. Depois da publicação do edital, a primeira prova só pode ser aplicada após um intervalo mínimo de dois meses.
A cobertura de centro relatou de forma factual os números, prazos e a distribuição das vagas, lembrando que o último concurso da Receita ocorreu em 2022, com salários iniciais que iam de cerca de onze mil e seiscentos reais para analista a mais de vinte e um mil reais para auditor, e que o Banco Central realizou sua seleção mais recente em 2024. Parte dessa cobertura, no entanto, foi além do anúncio: veículos de centro conectaram as novas vagas à crise do Banco Master, apontando que integrantes da autoridade monetária defenderam o fortalecimento das equipes após o que consideraram uma série de falhas na fiscalização do sistema financeiro. Segundo essa cobertura, parte das vagas será direcionada à área de supervisão bancária, e a Comissão de Valores Mobiliários também terá seu quadro reforçado em cerca de cinquenta técnicos, atendendo a um plano de reestruturação estabelecido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
Veículos de esquerda, na cobertura de agência pública, enfatizaram o caráter de recomposição do serviço público, destacando os nomes das portarias e a assinatura da ministra da Gestão, num enquadramento que valoriza a capacidade do Estado de fiscalizar e prestar serviços. Nesse ângulo, as vagas aparecem como resposta ao enfraquecimento de quadros técnicos corroídos por aposentadorias e pela baixa reposição ao longo dos anos.
Uma leitura mais próxima da direita, embora não tenha havido cobertura de veículos declaradamente de direita neste conjunto de fontes, tenderia a enfatizar o custo fiscal do aumento do funcionalismo e o fato de o Banco Central ter pedido um número bem maior, 560 vagas, ante as 170 efetivamente autorizadas, além de ler o reforço da supervisão como necessário para restaurar a credibilidade regulatória junto ao mercado. A tramitação da PEC da autonomia do Banco Central, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e à espera de votação no plenário, também se encaixa nessa agenda de fortalecimento institucional da autarquia.
O que ainda não se sabe são as datas exatas de publicação dos editais, as bancas organizadoras, os salários das novas vagas e como será feita a divisão entre áreas dentro de cada órgão. Também permanece em aberto se o Banco Central conseguirá, em rodadas futuras, ampliar o número de vagas até o patamar de 560 que havia solicitado.