O governo federal lançou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, o Plano Safra 2026/2027 voltado à agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores rurais e a cooperativas. O valor é recorde e supera em R$ 9 bilhões o ciclo anterior, uma alta de cerca de 1,7 por cento. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, conduzida pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin. Do total, R$ 384,9 bilhões vão para custeio e comercialização da produção, incluindo a compra de insumos, a manutenção das lavouras e dos rebanhos. Outros R$ 140,2 bilhões são reservados a investimentos em modernização, armazenagem, irrigação e inovação tecnológica.
A principal novidade é a redução das taxas máximas de juros. A cobertura de centro, incluindo a Agência Brasil e a CNN Brasil, detalhou que a taxa de custeio da agricultura empresarial caiu de 14 por cento para 12,5 por cento ao ano, enquanto o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, o Pronamp, passou de 10 por cento para 9 por cento. As linhas de crédito ficam distribuídas em uma faixa que vai de 8 por cento a 12,5 por cento, conforme o programa. Somados aos cerca de R$ 85 bilhões previstos para a agricultura familiar, os recursos para o setor agrícola ultrapassam R$ 610 bilhões.
Há pontos em que toda a cobertura converge. O plano vincula descontos nos juros a critérios ambientais: quem tem o Cadastro Ambiental Rural regular pode receber redução de até 0,5 ponto percentual, e outro 0,5 ponto percentual vai para quem adota práticas produtivas sustentáveis, podendo chegar a 1 ponto percentual de abatimento. O programa também reforça mecanismos de proteção ao produtor, como o Proagro e o seguro rural, que passam a facilitar futuras renegociações de dívidas em casos de perdas climáticas.
As ênfases da cobertura variam. Veículos de esquerda destacaram o crédito rural como política pública de Estado, ativa desde 2003 e uma das mais longevas do país, além do papel indutor do governo e do anúncio separado para a agricultura familiar, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após agenda internacional em Assunção, no Paraguai. Veículos de direita enfatizaram o alívio no custo do crédito como estímulo à livre iniciativa e à competitividade de um setor que responde por mais de 25 por cento do PIB e por metade das exportações brasileiras. A cobertura de centro relatou, sem enquadramento valorativo, as falas oficiais: Alckmin ressaltou que o objetivo de ampliar recursos e baixar juros foi atingido, mesmo diante do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com saldo comercial do agro de R$ 149,2 bilhões. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defenderam a compatibilização do plano com as contas públicas.
O que ainda não se sabe é o detalhamento completo do anúncio voltado à agricultura familiar, previsto para o fim da tarde do mesmo dia, e como ficará a renegociação das dívidas rurais, tema que os próprios ministros classificaram como espinhoso e ainda em debate. Também permanece em aberto o custo fiscal total da equalização das taxas de juros para a União.