O número de trabalhadores terceirizados que atuam na Presidência da República cresceu cerca de 20% desde o início do governo Lula, segundo um levantamento baseado em dados oficiais. Em dezembro de 2022, último mês antes da posse do petista, eram 895 profissionais; em maio de 2026, data mais recente citada, o total chegou a 1.064 trabalhadores. Os números foram divulgados originalmente pela coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder, e reproduzidos por outros veículos ao longo do mesmo dia.
Entre os contratados, segundo o levantamento, estão 75 motoristas, 52 copeiros, 81 garçons, 38 vigilantes e 26 recepcionistas. A lista inclui ainda seis gesseiros, quatro piscineiros, um chaveiro, além de arquitetos, engenheiros e outros prestadores de serviço. Esses dados aparecem de forma convergente em toda a cobertura reunida, que os atribui a informações da própria Presidência.
A cobertura de direita enfatizou o crescimento como sinal de inchaço da máquina pública e de um estilo de vida custeado pelo contribuinte. Esses veículos destacaram a quantidade de motoristas, copeiros e garçons, e ressaltaram que o Planalto mantém 38 vigilantes próprios mesmo dispondo de Polícia Federal, do Gabinete de Segurança Institucional e das Forças Armadas. O tom foi de crítica ao gasto público, com expressões como 'exército de serviçais' e a ironia 'faça o que digo, mas não faça o que eu faço'.
A cobertura de centro relatou os mesmos números de maneira mais contida, atribuindo o levantamento à coluna de origem e sinalizando 'diz colunista' já no título, sem adjetivação pesada no corpo do texto. Parte dessa cobertura agregou ainda um segundo bloco de informações, sobre gastos do governo com viagens em 2026, estimados em torno de R$ 844,8 milhões no acumulado citado, entre diárias e passagens aéreas.
Não houve, na cobertura reunida, veículos de esquerda tratando diretamente do tema. Uma leitura por esse prisma tenderia a lembrar que os terceirizados são trabalhadores com direitos e a questionar a apresentação do número absoluto sem comparação proporcional com governos anteriores ou com o volume de demandas da estrutura presidencial.
O que ainda não se sabe pesa sobre o conjunto da cobertura. Não há manifestação da Presidência da República sobre o levantamento, não há comparação proporcional com o quadro de terceirizados de gestões passadas e não se detalha se o aumento acompanha expansão de serviços, eventos ou obras. Também não se demonstra qualquer irregularidade nas contratações: o que se reporta, até aqui, é a variação do número total de terceirizados e sua leitura política pelos veículos que a divulgaram.