O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou no sábado, 22 de agosto, que a pesquisa Datafolha divulgada na véspera está meio esquisito. O levantamento aponta o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, candidato à reeleição, com 45% das intenções de voto no primeiro turno, contra 27% do ex-ministro da Fazenda. A declaração foi dada a jornalistas durante o lançamento do programa de Educação da campanha petista, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista.
As três coberturas do episódio convergem no essencial. Todas reproduzem a mesma citação, em que o candidato diz respeitar os institutos, mas afirma haver quatro concorrentes que não conhece e que somam 9% do eleitorado, e sustenta ter duas pesquisas internas com números fora da margem de erro em relação ao resultado divulgado. Todas registram também os demais nomes do cenário: Vera Lúcia, do PSTU, com 4%; Carlos Machado, do PCB, com 3%; Vivian Mendes, da UP, com 2%; e Isadora Dias, do PCO, com 1%. O evento contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e das candidatas ao Senado por São Paulo Simone Tebet e Marina Silva.
A cobertura de centro foi a que trouxe mais apuração de campo. Além da fala sobre a pesquisa, detalhou o conteúdo do programa apresentado: novos concursos públicos para professores, criação de uma carreira com perspectiva de futuro para docentes, mudança no modelo de uso de plataformas digitais nas escolas estaduais, ensino em tempo integral, expansão dos CEUs para o interior, fortalecimento das ETECs e uma versão estadual do Pé de Meia. Registrou ainda que o candidato não pretende ampliar o programa de escolas cívico-militares, embora tenha dito que a comunidade escolar que quiser seguir nesse padrão será respeitada. Foi também a única cobertura a listar a candidata Edjane, do Agira, com 3%.
Veículos de esquerda deram centralidade ao argumento do candidato sobre a composição do cenário, destacando a frase de que nem mesmo a imprensa sabe os nomes dos concorrentes menos conhecidos, e ressaltaram que o petista reconheceu que as sondagens internas do partido também indicam diferença razoavelmente grande a favor do adversário, ainda que o levantamento divulgado seja o que menos se aproxima dos números do PT. Veículos de direita enquadraram a fala como contestação de um resultado desfavorável e acrescentaram a comparação com a rodada anterior do mesmo instituto, quando o cenário de segundo turno era de 53% a 37% e agora aparece em 54% a 35%, o que reforça a leitura de vantagem em consolidação. Nessa cobertura, a admissão sobre as pesquisas internas e o conteúdo programático do evento ficaram de fora.
O que ainda não se sabe é justamente o que permitiria julgar a controvérsia. Nenhum dos textos informa margem de erro, período de coleta, contratante ou número de registro do levantamento no Tribunal Superior Eleitoral. Os números das duas pesquisas internas mencionadas pelo candidato não foram apresentados, nem se sabe quem as realizou. Também não há manifestação do instituto sobre a crítica, nem resposta da campanha do governador. As próprias listas de concorrentes divergem entre as coberturas, o que deixa em aberto quantos nomes de fato compõem o cenário testado e quanto cada um deles soma.