O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou a base de registros das eleições de 2026 com 20.608 pedidos de candidatura, e os levantamentos feitos a partir desses dados desenham o retrato mais completo da disputa até aqui. A média de idade de quem vai à urna em 4 de outubro é de 49,2 anos, a maior desde 1994, primeiro pleito geral unificado do atual período democrático. Em 2022 essa média era de 48,4 anos; em 1998, de 45,5. O envelhecimento é contínuo a cada eleição geral desde 2014.
A cobertura de centro relatou o recorte por cargo e por partido sem enquadramento valorativo. Os candidatos a presidente formam o grupo mais velho, com média de 57,4 anos, seguidos pelos candidatos ao Senado, com 55,4 anos. Os mais jovens disputam vagas de deputado distrital, com 47,9 anos, e de deputado federal, com 48,7. Entre as siglas, o PSTU tem a maior média, 53,12 anos, à frente de Mobiliza, com 52,29, e do DC, com 52,24. O Partido dos Trabalhadores (PT) aparece em quarto, com 51,87 anos, e o PL, na 22ª posição. No extremo oposto, o Missão registra a menor média, 35,38 anos.
Os mesmos veículos de centro trouxeram dois recortes adicionais. Dos 20.608 registros, 5.587, ou 27,1%, são de pessoas sem candidatura anterior localizada nas bases do TSE desde 1994; 92,5% desses estreantes disputam cargos de deputado, e as mulheres são 45,5% do grupo. O Missão, criado em 2025, tem a maior proporção de estreantes, 77,4%, e o PT, a menor, 17,1%. Em outro levantamento, 909 dos 6.315 candidatos que disputaram 2022 e 2026 mudaram a declaração de cor ou raça, 14,4% desse conjunto, sendo que as trocas entre parda e branca respondem por 70,3% dos casos. As fontes ouvidas, entre elas a socióloga Flávia Rios e a pesquisadora Ana Cláudia Santano, afirmam que a mudança isolada não comprova fraude e pode refletir transformação na percepção identitária, erro de preenchimento ou mediação da burocracia partidária.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo dos mesmos registros: quem lidera a oferta de candidatos. O Partido da Causa Operária (PCO) é a sigla com mais candidatos aos governos estaduais, 18, seguido pela Unidade Popular (UP), com 17, e pelo PSTU, com 16, legendas cuja quantidade de candidaturas não acompanha o tamanho de suas bancadas no Congresso. PSD e PL registraram 13 cada, o PT tem 12 e o PSol, dez. No Senado o quadro se inverte: o PL lidera com 33 registros, presentes em 25 das 27 unidades da Federação, seguido por UP, com 23, e PSol, com 21. Essa mesma cobertura destacou o encolhimento do PT, que inscreveu 1.097 candidatos, o menor número desde 1994 e o quarto recuo consecutivo, ainda que com participação feminina recorde na legenda, de 36,8%.
Os números agregados mudam de sinal conforme o cargo. As candidaturas a governador caíram de 223 em 2022 para 199 neste ano, distribuídas pelos 26 Estados e pelo Distrito Federal, com o Piauí na disputa mais concorrida, com 12 nomes, e Alagoas na menos fragmentada, com quatro. Já as candidaturas ao Senado subiram 30,5%, de 243 para 317, para 54 vagas em jogo. Entre os concorrentes ao Senado, 78% são homens, 60,8% se declaram brancos e 79% informaram ensino superior completo.
Até o fechamento desta reportagem, nenhum veículo de esquerda havia somado cobertura própria ao levantamento. Pela chave de leitura da esquerda, os mesmos dados apontam para barreiras de renovação: as direções partidárias, como observou a cientista política Luciana Santana, preservam candidaturas de lideranças que já acumulam cargos, visibilidade e capacidade de garantir financiamento, e os estreantes se concentram justamente nos cargos de menor poder, com 54% entre os candidatos a deputado distrital e apenas 14,3% entre os candidatos ao Senado.
O que ainda não se sabe é quantos desses 20.608 registros vão sobreviver à Justiça Eleitoral. Os pedidos ainda serão analisados pelos Tribunais Regionais Eleitorais, cabem contestações e recursos ao TSE, e o calendário exige que todos estejam julgados até 14 de setembro, vinte dias antes do primeiro turno. Também não há explicação individual para as 909 mudanças de declaração racial, nem análise que ligue a queda das candidaturas a governador ao salto das candidaturas ao Senado. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro e o segundo, onde houver, em 25 de outubro.