Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas na última semana de agosto de 2026 recolocaram as disputas pelos governos de Minas Gerais e de São Paulo no centro do debate eleitoral. Nos dois estados há favoritos folgados, mas com graus muito diferentes de incerteza sobre o desfecho.
Em Minas Gerais, os levantamentos do Datafolha, com campo entre 18 e 20 de agosto, e do Quaest, com campo entre 21 e 24 de agosto, convergem no essencial: o senador Cleitinho, do Republicanos, lidera com vantagem de 18 a 20 pontos percentuais sobre o segundo colocado. A briga pela outra vaga do segundo turno segue aberta entre cinco nomes. O deputado federal Patrus Ananias, do PT, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PDT, aparecem em empate técnico, com 11% e 10% no Quaest. Gabriel Azevedo, do MDB, tem 4% no Datafolha e 5% no Quaest. Flávio Roscoe, do PL, oscilou de 4% para 3% entre um levantamento e outro. O maior ponto de divergência entre os institutos é o governador Mateus Simões, do PSD: 4% no Datafolha e 7% no Quaest, diferença suficiente para tirá-lo do pelotão de trás e encostá-lo nos dois primeiros perseguidores. As duas pesquisas também discordam sobre o tamanho do eleitorado indeciso, medido em 13% e em 19%.
Em São Paulo, o instituto Gerp ouviu 1.800 eleitores entre 18 e 21 de agosto e divulgou o resultado em 25 de agosto. No cenário estimulado, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, candidato à reeleição, marca 50%, contra 32% do ex-ministro Fernando Haddad, do PT. Em simulação de segundo turno, a diferença aumenta para 55% a 36%. Na pergunta sobre rejeição, Fernando Haddad é citado por 48% dos entrevistados e Tarcísio de Freitas por 27%. A margem de erro declarada é de 1,41 ponto percentual, com nível de confiança de 95,55%, e o registro no Tribunal Superior Eleitoral consta da metodologia.
A cobertura de centro tratou os números mineiros como exercício de leitura de cenário, e não como prognóstico. Sublinhou que a margem máxima de erro de três pontos vale para estatísticas próximas de 50% e que, para percentuais menores, o intervalo precisa ser calculado individualmente e sempre resulta menor. Também apontou que o início da propaganda eleitoral gratuita, marcado para 28 de agosto, tende a provocar a primeira grande movimentação do eleitorado, e que o tempo de antena do governador Mateus Simões, cerca de um terço do total, é a variável ainda não capturada por nenhum instituto.
Veículos de direita deram ênfase à vantagem já consolidada em São Paulo, ao contraste entre os índices de rejeição dos dois principais nomes e à publicação integral da metodologia como critério de credibilidade. Nesse enquadramento, a reeleição aparece como validação de gestão, e a distância de 18 pontos percentuais é o dado central da matéria. A mesma cobertura registra, em nota de método, que pesquisas divulgadas em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas, e recomenda tratar os levantamentos como ferramenta de informação, não como previsão.
Até o fechamento desta reportagem, nenhum veículo de esquerda havia publicado análise própria dos dois levantamentos. A leitura que tende a prevalecer nesse campo parte dos mesmos números por outro ângulo: em Minas Gerais, o apoio explícito do presidente Lula a Patrus Ananias como caminho para concentrar um eleitorado hoje dividido com Alexandre Kalil; em São Paulo, o peso do exercício do cargo e da polarização nacional sobre a rejeição medida ao candidato do PT.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há explicação para a divergência entre Datafolha e Quaest sobre o desempenho do governador Mateus Simões, nem medição de para onde vão os indecisos depois do início da propaganda eleitoral. Não se sabe se o PL sustentará a candidatura de Flávio Roscoe até o fim, ainda que a campanha de Flávio Bolsonaro já se aproxime de Cleitinho como alternativa. Em São Paulo, nenhum outro instituto publicou levantamento no mesmo período que permitisse comparação, e as campanhas dos dois principais candidatos não comentaram os números. Também segue em aberto se Cleitinho manterá a ambiguidade sobre a sucessão presidencial, apesar do voto que já declarou.