Anatel diz ao STF que liberar internet móvel por 72 horas pode travar redes
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- Se a liminar for concedida, a internet móvel ficaria liberada nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno, atingindo os cerca de 35% de mais de 270 milhões de acessos móveis que são pré-pagos.
- Se for negada, o eleitor com franquia esgotada segue limitado a aplicativos patrocinados no dia do voto.
- A Anatel avisa que o cenário oposto também tem custo: congestionamento e queda de sinal perto das zonas eleitorais em 4 de outubro.
Onde os lados concordam
Todas as coberturas relatam os mesmos fatos: o ministro Cristiano Zanin deu 48 horas para a manifestação da Anatel, a agência sustenta que liberar a internet móvel nas 72 horas antes de cada turno pode congestionar e derrubar as redes, e a decisão sobre a liminar depende antes do parecer da Procuradoria-Geral da República.
O que ainda está incerto
- Não há data para a decisão de Cristiano Zanin nem para o parecer da Procuradoria-Geral da República.
- Nenhuma fonte apresenta estimativa do tráfego adicional que a liberação geraria, e nenhuma operadora de telefonia falou sobre capacidade de rede.
- Não se sabe se há alternativa intermediária em avaliação, como liberar apenas portais de notícia, serviços eleitorais e sites de checagem.
O Supremo Tribunal Federal analisa um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Partido Verde para liberar a internet móvel nas 72 horas anteriores a cada turno das eleições de 2026. A Anatel respondeu ao ministro Cristiano Zanin que a medida pode congestionar as redes e derrubar o sinal dos celulares perto das zonas de votação.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que liberar de forma irrestrita o acesso à internet móvel durante o período eleitoral pode gerar picos de tráfego capazes de interromper a conectividade dos celulares, sobretudo nas imediações das zonas de votação. O parecer responde a um prazo de 48 horas fixado pelo ministro na quinta-feira, 24 de setembro.
O pedido em análise no Supremo é da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Partido Verde (PV). As duas entidades querem que a internet móvel seja liberada em todo o país nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno de votação. O argumento central é que a franquia dos planos pré-pagos cria desigualdade no acesso à informação: quando o crédito termina, a velocidade cai drasticamente e sobra apenas o tráfego de aplicativos patrocinados por empresas, como serviços de mensageria. Para os autores da ação, isso empurra o eleitor mais pobre para um ambiente em que a checagem de notícias falsas fica inviável.
A Anatel rebate o diagnóstico. Segundo a agência, o combate à desinformação envolve desafios sociais e regulatórios que não se resolvem pela conectividade móvel. O órgão cita pesquisa própria de 2025 segundo a qual 70% dos usuários de franquia pré-paga acessam a internet por wi-fi fixo, em casa ou na rua, justamente para não consumir o pacote de dados. A agência também aponta a diferença física entre as redes: a conexão fixa passa por cabos e pode ser ampliada, enquanto a móvel depende de um espectro eletromagnético limitado. Liberar o tráfego em datas específicas, afirma, tenderia a concentrar downloads e streaming nesses dias e provocar congestionamento, queda de sinal e, no limite, um colapso das redes de telecomunicações em período decisivo para a democracia. A Anatel acrescenta que a medida invadiria sua competência exclusiva para regular telecomunicações.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma estritamente processual, concentrada no prazo dado por Zanin, no conteúdo do parecer e no fato de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda precisa se manifestar antes da decisão sobre a liminar. Veículos de esquerda reproduziram a apuração na íntegra e deram relevo ao argumento de desigualdade digital que motivou o pedido, detalhando como a franquia limitada restringe o acesso à informação das camadas mais pobres. Veículos de direita enquadraram o caso pelo eixo regulatório e de infraestrutura, com destaque para o limite técnico do espectro, o risco de queda das redes e a alegação de competência exclusiva do regulador diante de uma intervenção judicial.
Os números dão a dimensão do que está em jogo. O país tem mais de 270 milhões de acessos móveis ativos, e cerca de 35% deles são pré-pagos, sem contar os planos do tipo controle, que também têm pacote de dados limitado. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando se vota para deputado federal, deputado estadual ou distrital, governador, senador e presidente da República; se ninguém passar de 50% dos votos válidos para governo estadual ou Presidência, o segundo turno ocorre em 25 de outubro.
Ainda não se sabe quando Zanin decidirá, nem qual será o teor do parecer da PGR. Também não há, no material divulgado, estimativa técnica do volume de tráfego adicional que a liberação geraria, nem indicação de alternativa intermediária, como abrir o acesso apenas a sites de checagem, portais de notícia e serviços dos órgãos eleitorais. Nenhuma operadora de telefonia se manifestou publicamente sobre a capacidade de absorver a demanda extra, e a CNTE e o Partido Verde não responderam aos argumentos técnicos apresentados pela agência.
Fontes
Entidades pediram livre acesso à internet 72h antes das eleições. Antes de decidir sobre o pedido de liminar, o ministro Cristiano Zanin deve receber o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o tema.

Agência alertou ministro Cristiano Zanin do STF, responsável pela liberação irrestrita do acesso à internet

A Anatel alerta o ministro Zanin, do STF, que a liberação irrestrita da internet móvel durante as eleições pode causar colapso na rede, contrariando pedido de entidades.