O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, foi orientado por aliados a adiar ao máximo a escolha do candidato do PL ao Senado no Rio de Janeiro. A recomendação surgiu depois que uma sequência de operações da Polícia Federal atingiu, em menos de dois meses, três nomes cotados para compor a chapa fluminense, esvaziando as opções do partido.
O primeiro a cair foi o ex-governador Cláudio Castro, escolha inicial de Flávio. Castro desistiu da candidatura após ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral e, na sequência, tornar-se alvo de operações da PF que investigam fraude no setor de combustíveis e aportes do RioPrevidência no Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Em seguida, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, indicado pela federação União Brasil-PP, foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne, depois que a Polícia Federal encontrou um fuzil calibre 5,56 em seu carro. Por fim, o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e outro nome cotado, perdeu força depois que investigadores passaram a apurar a origem de R$ 468 mil em dinheiro vivo encontrados em um imóvel ligado a ele, além de suspeita de tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos.
Diante desse cenário, Flávio chegou a planejar o anúncio do substituto de Castro para o dia 3 de julho, mas recuou novamente. Segundo apuração do jornal O Globo, citada tanto pela cobertura de esquerda quanto pela de centro, a avaliação nos bastidores é que revelar o nome agora significaria submeter o escolhido a semanas de desgaste público antes mesmo do início oficial da campanha. A cobertura de centro relatou ainda que o deputado Carlos Jordy, também atingido por uma operação da PF em dezembro passado, disputa a indicação com o senador Carlos Portinho, apontado por interlocutores da campanha como favorito.
Veículos de esquerda destacaram como a sucessão de operações policiais expôs, em poucas semanas, uma cadeia de suspeitas de corrupção e crime dentro da cúpula estadual do PL, da fraude em combustíveis à posse ilegal de arma de fogo. Já veículos de direita enfatizaram o custo político da indefinição para a organização da campanha presidencial de Flávio, descrevendo a estratégia de adiamento como uma resposta prudente diante de um ambiente de escrutínio crescente, e destacando que nenhum dos citados foi condenado até o momento.
A demora, no entanto, já gera tensão interna: dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos cobram uma definição justamente quando o calendário eleitoral entra na reta final. Pela lei eleitoral, as convenções partidárias podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, com a definição do PL prevista para a convenção nacional de 25 de julho ou pouco depois. O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto, o que reduz o tempo de campanha do nome finalmente escolhido.
Ainda não está claro quem, entre Jordy e Portinho, ficará com a vaga, nem como o partido pretende conter o desgaste diante do eleitorado caso a indefinição se estenda até a própria convenção. Também não há confirmação sobre o desfecho das investigações que atingiram Castro, Canella e Cavalcante.